O que marcou 2025 no mercado de seguros: principais tendências e movimentos do setor

2025 foi um ano em que o mercado de seguros acompanhou ajustes regulatórios, novas tecnologias, mobilidade elétrica, segurança digital, diferentes hábitos de consumo, novos riscos e múltiplas tendências. Nada ficou no lugar por muito tempo e, no decorrer dos meses, muitos desses assuntos se cruzaram e influenciaram os seguros, direta ou indiretamente. Entre janeiro e dezembro, a Insurtalks acompanhou de perto essa confluência e registrou os principais pontos de atenção para corretores, executivos, insurtechs, reguladores e usuários de seguros. Este balanço reúne alguns fatos de destaque do ano passado e procura criar um retrato do que mexeu (ou mexerá) com preços, operação, distribuição e relação com o cliente.
Mobilidade elétrica, risco urbano e novas demandas para o seguro
Logo nos primeiros meses de 2025, as discussões sobre micromobilidade ganharam força. A volta estruturada dos patinetes em São Paulo, o avanço das bicicletas e scooters elétricas em cidades como Florianópolis e o aumento das ocorrências ligadas a baterias chamaram atenção para uma agenda que mistura segurança urbana, regulamentação e proteção financeira. As mudanças do Contran e as novas regras para veículos leves enviaram um recado importante sobre o que os seguros precisam acompanhar a respeito do uso real, das tecnologias embarcadas e novos perfis de risco.
Comunicação digital e relação com novos públicos
Ainda no início do ano, a discussão sobre linguagem e canais mostrou outra frente de transformação. A maneira mais digital, mais rápida e menos ligada a formatos tradicionais com a qual a Geração Z se comunica passou a influenciar estratégias de corretores e seguradoras. Com a avalanche das soluções baseadas em IA e dos canais instantâneos, ficou claro que o relacionamento exige mensagens claras, atendimento contínuo e menos burocracia.
Startups, sandbox e amadurecimento do ecossistema
Entre o fim do primeiro trimestre e o início do segundo, surgiram sinais importantes de amadurecimento do mercado. A Justos, após a fase no Sandbox, recebeu autorização da Susep para operar de forma permanente, inaugurando um momento focado em tecnologia, eficiência e processos simplificados, inclusive na abertura de sinistros via aplicativo.
No mesmo período, estudos sobre insurtechs mostraram crescimento do número de empresas, redução da mortalidade e protagonismo brasileiro na região, ainda que com pouca internacionalização. O diálogo entre seguradoras e startups passou a aparecer como vetor de inovação, sem perder a prudência típica do setor.
Expansão regional, reconhecimento e fortalecimento de redes
Em março, os movimentos de expansão territorial começaram a ganhar destaque. A Baeta abriu uma nova unidade em Vitória, ES, aproximando-se do mercado local, fortalecendo laços com corretores e ampliando a presença junto às seguradoras parceiras. Pouco tempo depois, já no segundo trimestre, veio o reconhecimento nacional no Prêmio Segurador Brasil, um indicativo de como assessorias com capilaridade e suporte contínuo ajudam a organizar comercialmente o mercado e a dar estrutura para o trabalho do corretor.
Fusões e aquisições
Ao longo do semestre, também ficou em destaque o movimento de fusões e aquisições. Nos primeiros meses de 2025, foram registradas 19 operações envolvendo seguradoras, insurtechs e empresas relacionadas. Entre os fatores que explicam esse ritmo estão a busca por escala, investimento em tecnologia e competição mais acirrada. As transações vão desde aquisições regionais até combinações entre grupos de maior porte, abrindo espaço para novas estratégias de atuação e reorganização do mercado.
Digitalização do atendimento e novos hábitos do cliente
Para fechar o primeiro semestre do ano passado, a digitalização do relacionamento com o cliente se tornou ainda mais visível. O Super App da Tokio Marine ultrapassou a marca de um milhão de usuários e passou a concentrar etapas que antes dependiam de atendimento presencial — sinistros, pagamentos, assistências e emissão de documentos. Isso ajudou a reforçar um comportamento que seguiria presente ao longo do ano: o segurado quer resolver tudo no próprio ritmo, pelo celular, com menos etapas.
Julho teve tecnologia em debate, inovação regulatória e leitura social do risco
O mês de julho mostrou que o mercado de seguros está tateando em um território no qual tecnologia, regulação e comportamento caminham juntos. No campo da tecnologia, as discussões sobre inteligência artificial ganharam densidade. O Plano Brasileiro de IA prevê R$23 bilhões em investimentos, mas especialistas alertam que o projeto de lei em discussão pode impor barreiras ao uso de dados e algoritmos. O ponto central está em conciliar transparência e ética com a necessidade de eficiência, evitando entraves que retardem o desenvolvimento de soluções adotadas por seguradoras para análise de risco, automação e atendimento.
Ainda nesse eixo, a SUTHUB apresentou um Add-On inteligente para apoiar as seguradoras na adaptação ao SRO V3 da Susep, que passa a valer este ano. A proposta é facilitar a transição técnica, reduzir retrabalho e garantir conformidade em um período de ajustes que impacta diretamente operações internas, prazos e custos.
Outro alerta veio de fora do setor, mas com reflexos diretos sobre ele: estudos da Agência Internacional de Energia indicam que data centers de IA podem dobrar o consumo de energia até 2030, alcançando cerca de 3% da demanda global. Para o mercado de seguros, isso coloca em perspectiva um tema que combina inovação, eficiência energética e regulação ambiental. A expansão tecnológica exige planejamento que considere não apenas produtividade, mas também impactos sistêmicos.
Mobilidade, proteção veicular e aviação
No campo da inovação, a mobilidade voltou ao radar com força. O investimento de US$300 milhões da Uber em robotáxis autônomos exige um novo olhar sobre precificação. Entram em cena variáveis ligadas ao desempenho de softwares, manutenção contínua, riscos cibernéticos e a delicada divisão de responsabilidades entre fabricantes, operadores e empresas de tecnologia.
No Brasil, mais de 1.260 associações de proteção veicular iniciaram o processo de regularização exigido pela Lei Complementar nº 213/2025. A medida busca ampliar transparência e segurança jurídica, reduzindo conflitos e aproximando práticas dessas entidades dos padrões do mercado supervisionado.
Já no setor aeronáutico, a Embraer registrou recorde de R$165,4 bilhões em pedidos no segundo trimestre, com 61 entregas no período. O movimento pressiona por soluções mais técnicas e sofisticadas, como seguros paramétricos, exigindo especialização, gestão de dados e parcerias estratégicas capazes de acompanhar a complexidade das operações.
Dimensão social do risco
O olhar de julho também se voltou para a dimensão social do risco. Pesquisa realizada pela Onze em parceria com a Icatu mostrou que 49% dos brasileiros têm o dinheiro como principal preocupação — acima de saúde e família. A ausência de reserva de emergência atinge 63% dos entrevistados e 72% relatam impacto direto na saúde mental, com aumento de ansiedade e insônia. O dado ajuda a compreender como insegurança financeira e proteção insuficiente caminham juntas e reforça o papel do seguro como instrumento de planejamento e estabilidade ao longo do tempo.
Agosto: riscos digitais, ciência aplicada e um mercado que se transforma
Agosto foi um retrato nítido de como o risco está migrando do espaço físico para o digital. Ao mesmo tempo, o mês reuniu sinais de avanço científico e iniciativas institucionais que ajudam a recalcular processos, supervisionar melhor e ampliar a oferta para perfis pouco atendidos.
O debate começou com um dado que chama atenção: golpes virtuais já atingem 56 milhões de brasileiros por ano e superam, em volume, crimes com uso de armas. A expansão de fraudes por celular pressiona seguradoras a considerar coberturas que envolvam transferências bancárias não autorizadas, roubo de dados, invasões de contas e fraudes digitais.
No campo da inovação institucional, Susep e Instituto de Matemática Pura e Aplicada lançaram o LabSeg, laboratório criado para o desenvolvimento de soluções inovadoras em regulação e supervisão do mercado de seguros. O uso de modelos matemáticos e inteligência artificial permite analisar grandes volumes de dados, antecipar riscos e aprimorar decisões com impacto direto na proteção do consumidor e na eficiência do sistema.
Terapias mais complexas, carros eletrificados e nova agência da Volvo
Ao mesmo tempo, a pesquisa científica abriu novas perspectivas no cuidado em saúde. Uma plataforma de inteligência artificial capaz de desenhar proteínas sob medida promete acelerar o desenvolvimento de terapias oncológicas, reduzindo processos que antes levavam anos para poucas semanas. Estudos em imunoterapia com doses ultrabaixas sugerem respostas clínicas positivas com menor toxicidade. Para o seguro saúde, isso implica rever modelos de precificação e investir em gestão de casos, já que doenças crônicas têm tratamentos mais longos, personalizados e com custos distribuídos ao longo do tempo.
A indústria automotiva também entrou em pauta. A Toyota anunciou investimento de R$11,5 bilhões no Brasil até 2030, incluindo nova fábrica em Sorocaba e os primeiros modelos 100% elétricos a partir deste ano. A estratégia se conecta à economia circular, com reaproveitamento de peças, e impõe ao mercado de seguros a necessidade de ajustar coberturas para riscos específicos de eletrificados, como baterias e sistemas embarcados. No mesmo movimento, a Volvo apresentou sua agência de seguros integrada ao aplicativo da marca, oferecendo opções personalizadas em parceria com grandes seguradoras internacionais.
A Volvo também rendeu uma novidade para os seguros apresentando a Volvo Car Insurance Services, agência que conecta clientes a coberturas de automóveis, residências e produtos especializados em parceria com seguradoras como Progressive, Travelers, The Hartford e Nationwide. Integrada ao aplicativo Volvo Cars, a iniciativa já está disponível em 18 estados dos EUA e busca oferecer soluções digitais com orientação de corretores licenciados e opções personalizadas de proteção.
Expansão do acesso, formação do motorista e idosos online
A Split Risk levantou um dado importante: 65% dos clientes atendidos nos últimos dois anos contrataram o primeiro seguro de vida. Em um universo de 50 mil apólices, o índice mostra a dimensão da exclusão securitária e aponta oportunidades para corretores atuarem com linguagem simples, preços acessíveis e jornadas digitais menos complexas. O modelo Insurance as a Service ajuda a expandir nichos antes pouco explorados.
CNH mais barata, seguro mais caro? No campo das tendências reflexivas, surgiu a discussão sobre o impacto de uma possível redução de custos da CNH caso se eliminem as aulas práticas obrigatórias. O alívio financeiro pode ser imediato, mas levanta dúvidas sobre formação dos motoristas e seus reflexos na sinistralidade.
O mês também destacou uma mudança estrutural em relação ao uso da internet entre pessoas com mais de 60 anos, que já alcança 69% segundo o IBGE. Esse público se torna consumidor digital e exige plataformas acessíveis, atendimento humanizado, produtos adequados e investimentos em cibersegurança. Para corretores, abre-se um espaço de atuação baseado em acolhimento, clareza e inclusão de diferentes níveis de letramento digital.
Setembro: infraestrutura elétrica, novos protagonistas e um mercado em movimento
Setembro mostrou um setor de seguros conectado à transição energética, às plataformas digitais de informação e aos grandes eventos que ajudam a pautar prioridades. Foi um mês em que investimentos de longo prazo, premiações e indicadores do mercado mostraram um ambiente em crescimento.
No campo da tecnologia, a Porsche anunciou um investimento de R$70 milhões para ampliar a rede de carregadores ultrarrápidos no Brasil até 2030, alcançando 104 pontos. O dado vem acompanhado do crescimento de 419% nos veículos 100% elétricos. Para o mercado de seguros, isso pode trazer novas demandas relacionadas a baterias, sistemas de recarga, responsabilidade técnica e assistência especializada, ampliando a complexidade da precificação e do suporte.
Ainda no campo digital, o lançamento do Modo IA do Google em português melhora a experiência de busca, oferecendo respostas sintetizadas, comparativos e interações multimodais. Essa dinâmica altera as expectativas do usuário e pode influenciar a apresentação de coberturas, ajuste de franquias e como as seguradoras lidam com sinistros em tempo real.
Reconhecimento corporativo, agenda intensa e indicadores
O protagonismo empresarial ganhou destaque. Em apenas dois anos, a Darwin tornou-se a maior seguradora digital de automóveis do país em produção e a mais lembrada pelos corretores, segundo dados da Susep e do Sincor-SP. Com mais de 40 mil clientes, 10 mil corretores parceiros e apoio do Banco BV, a companhia mantém foco no corretor e prepara expansão para novos ramos e serviços financeiros.
Já a Bradesco Vida e Previdência foi eleita “Seguradora do Ano” pelo CVG-RJ e a Icatu conquistou o 1º lugar no Prêmio GT de Disrupção em Inovação pelo projeto de adequação ao Open Insurance — ambos exemplos de como dados, tecnologia e estratégia orientam resultados.
Dentre os eventos que discutiram tendências durante esse mês,o Conec 2025 se destacou reunindo 10 mil participantes em São Paulo, com forte presença de corretores, debates sobre inteligência artificial, autorregulação e mudanças climáticas, além de negócios gerados na Exposeg. O encontro chamou atenção para diversidade, participação feminina e pluralidade de vozes no setor.
Desempenho, preços e novas ofertas
Os números da Susep mostraram que, entre janeiro e julho, o setor movimentou R$247,45 bilhões, com leve queda nominal, enquanto indenizações, resgates e benefícios cresceram 9,3%. O seguro de vida teve expansão de 10,83% e o auto manteve participação de 42%.
Os índices de preços continuaram no radar: Segundo a TEx/Serasa Experian, a diferença entre seguros de moto e auto seguiu elevada, mesmo com um pequeno recuo. Em agosto (os números foram publicados em setembro), o auto ficou em 5,2%, enquanto o de moto chegou a 9,7%, mantendo uma diferença acima da média histórica. A volatilidade segue maior nas motocicletas, influenciada por faixa etária, região e tipo de veículo — com destaque para elétricos.
Novos produtos também apareceram. A Bradesco Seguros registrou alta de 36% nos seguros para equipamentos portáteis no primeiro semestre, movimento ligado ao crescimento de pequenos negócios que dependem de notebooks e computadores. E, em sintonia com o Setembro Amarelo, a plataforma de Psicologia Online da Bradesco Saúde ultrapassou 88 mil sessões no ano, com crescimento acima de 160%, ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental.
Já a Tokio Marine lançou um seguro de Responsabilidade Civil Profissional voltado voltado para profissionais e empresas da saúde, como médicos, psicólogos, dentistas e veterinários, cobrindo indenizações, custos de defesa, acordos e extravio de documentos.
Novembro mostrou um mercado com ajustes regulatórios, finanças digitais e protagonismo de empresas
Em novembro, o mercado de seguros se viu diante de transformações que misturam finanças digitais, revisões regulatórias e estratégias corporativas mais maduras. Foi um mês em que tecnologia e governança caminharam lado a lado.
Na tecnologia, o destaque foi a integração entre KuCoin e Pix aproximando o uso de criptoativos da vida cotidiana, permitindo conversões e pagamentos instantâneos em um país que movimentou mais de US$10 bilhões com ativos digitais em 2024. A notícia veio acompanhada do crescimento de fraudes e ataques, que já superavam US$2,17 bilhões no semestre. Ganham espaço, portanto, seguros voltados a carteiras digitais, perdas de acesso e incidentes cibernéticos.
A agenda de inovação trouxe ainda a integração da Youse ao TELEPORT, sistema de multicálculo da TEx. Com isso, a plataforma passa a contar com 22 seguradoras e amplia alternativas de cotação para corretores, fortalecendo a estratégia de digitalização e ampliando oportunidades comerciais.
Teve também a atualização dos seguros Residencial Premiado e Condomínio da Tokio Marine, incorporando serviços para pets, coberturas relacionadas a eventos hídricos, cuidados com energia solar e mais de 40 assistências 24 horas. As mudanças refletem a diversificação dos imóveis e o cotidiano das famílias, com atenção a riscos climáticos e novas formas de morar.
Crescimento, ajustes regulatórios e sinais diferentes entre auto e moto
Nos números do mercado, os dados mostraram fôlego. Entre janeiro e agosto, as seguradoras arrecadaram R$145,7 bilhões, com alta de 7,1% em relação ao ano anterior, e lucro líquido acumulado de R$26,4 bilhões. O resseguro cresceu 11%, alcançando R$20 bilhões, com destaque para o segmento Corporativo de Danos e Responsabilidades. Ao mesmo tempo, o Rural apresentou retração expressiva. A sinistralidade geral caiu para 40,9%, índice inferior ao do ano anterior.
O mês também foi marcado por mudanças no Open Insurance. A Resolução nº 61/2025 da Susep ajustou regras, reduziu o prazo mínimo para saída de empresas voluntárias do sistema, criou o Manual de Monitoramento e detalhou conteúdos obrigatórios nos manuais de experiência e disputas. As atualizações buscam tornar o modelo mais próximo do Open Finance, com maior eficiência e previsibilidade regulatória.
Outro ponto de atenção esteve no comportamento de preços: o índice da TEx mostrou que enquanto o seguro auto recuou para 4,9% — menor nível desde 2021 — o de motos permaneceu em 9,7%, mantendo a pressão sobre esse segmento. Fatores como idade, tipo de contratação e localização continuam determinantes, com destaque para as diferenças regionais, em que o Rio de Janeiro lidera os índices mais elevados.
Marco legal, decisões empresariais e ajustes que chegam às ruas
No campo jurídico, a Lei nº 15.040/2024 modernizou o arcabouço jurídico do setor. Em vigor a partir de dezembro de 2025, ela moderniza o arcabouço normativo, substitui trechos do Código Civil e do Decreto-Lei 73 e exige revisão de produtos, processos e critérios de precificação. Para o consumidor, a promessa é de mais clareza e redução de conflitos; para corretores, reforça-se o papel consultivo.
O protagonismo das empresas também marcou novembro. A SUTHUB foi destaque no Ranking 100 Open Scaleups 2025, figurando entre as principais organizações de inovação aberta e ocupando posição de relevo entre as fintechs.
A Tokio Marine atingiu R$10 bilhões em faturamento no Canal Varejo, resultado associado à reestruturação comercial e à ampliação do relacionamento com corretores e assessorias. E a companhia também recebeu o Selo Carbon Free ao compensar emissões e reforçar compromissos ambientais vinculados ao Net-Zero.
Outra matéria publicada fez refletir sobre as novas regras envolvendo ciclomotores e e-bikes a partir de 2026. Com exigência de CNH/ACC, capacete e emplacamento, o objetivo é padronizar e reduzir acidentes, criando melhores condições para oferta de seguros básicos e ampliando previsibilidade para quem opera nesse segmento.
Dezembro reuniu projeções, organização estratégica e novas formas de relacionamento
O último mês do ano reuniu balanços, projeções e debates que ajudam a entender como o setor chega a 2026: mais digital, mais regulado e com um olhar atento à experiência do cliente. Ao mesmo tempo, dezembro mostrou um mercado que se prepara para operar com jornadas mais longas, baseadas em dados e com papel ampliado para corretores.
Os números apresentados pela CNseg indicam que o mercado projeta crescimento consistente: alta de 8,5% em 2025 e de 8% em 2026, sem considerar previdência aberta. Os motores desse avanço são seguros habitacionais, de pessoas e automóveis.
Outra frente importante apareceu na agenda setorial. A 16ª edição da Revista Insurtalks organizou debates sobre tecnologia, segurança digital, regulação, sustentabilidade e experiência do cliente. Os conteúdos foram estruturados em cinco eixos e destacaram o papel do corretor, os impactos climáticos — com a COP 30 no horizonte — e o uso de inovação aplicada ao seguro. A publicação também reuniu entrevistas e análises que tratam de trabalho, dados e governança, oferecendo um panorama mais amplo de como o mercado está e para onde ele caminha.
Os indicadores de preço mostraram novamente comportamentos distintos. O índice IPSA + IPSM registrou queda do seguro auto para 4,8%, enquanto o de motos permaneceu em 9,4%. As diferenças regionais, o perfil do segurado, o tipo de contratação e a idade do veículo continuam determinantes.
Na frente de distribuição e produto, a TEx passou a oferecer o Moto Azul, da Azul Seguros, dentro do TELEPORT, ampliando as alternativas para motocicletas. Em um mercado de duas rodas em expansão e com baixa proteção, a novidade representa ganho operacional e novas oportunidades para os corretores.
Tecnologia ganhando espaço e conversando cada vez mais com política pública e prática do mercado
A agenda de tecnologia teve discussões sobre agentes de IA atuando em vendas, decisões e pós-venda — tema explorado no Insurtalks Cast. Os ganhos operacionais vêm acompanhados de limites técnicos e de um consenso: a importância de modelos híbridos, com supervisão humana.
Outro destaque foi a chegada da Keeta ao Brasil, com capacetes inteligentes capazes de gerar dados para seguros por uso, prevenção de sinistros e regulação. Já a Microsoft ampliou sua presença nos seguros ao apostar em nuvem e inteligência artificial, com parcerias e casos práticos que envolvem segurança, conformidade e resiliência.
No campo da inovação em políticas públicas, ganhou espaço a proposta de gratuidade na renovação da CNH para bons condutores, ampliando o uso de dados comportamentais na avaliação de risco. O movimento dialoga com telemática e seguros baseados no uso e pode estimular prevenção, fidelização e ofertas mais personalizadas. A Tokio Marine, por sua vez, lançou o projeto Tokio Creators, reunindo colaboradores para aproximar a linguagem institucional e a rotina dos corretores.
Mudanças estruturais, reconhecimento corporativo e um consumidor mais exigente
No mercado, aconteceram algumas mudanças estruturais. A Creditas consolidou a marca Creditas Seguros, integrando a operação iniciada com a Minuto Seguros e reunindo mais de 800 mil apólices e R$2,4 bilhões em prêmios; a Susep atualizou novamente as regras do Open Insurance, aprimorando o monitoramento e experiência do cliente e a Split Risk obteve licença definitiva para atuar fora do Sandbox, ampliando produtos e ramos, inclusive com parceria com a Munich Re.
A FF Seguros, por sua vez, avançou na digitalização com o FF Place e o FF SmartQuote, com foco no corretor e planos de expansão para 2026.
O protagonismo corporativo também esteve presente. A lista do Insurance Innovators 2025 reconheceu empresas e lideranças que impulsionam inovação, eficiência e novos modelos de distribuição; o Insurtalks Cast encerrou o ano com mais de 55 mil plays e mais de 35 episódios, consolidando-se como espaço de debate do setor e ainda teve a Baeta Academy ultrapassando 70 mil participações em treinamentos.
A Icatu Seguros subiu posições e foi reconhecida como a seguradora mais inovadora e com maior visão de futuro no anuário Época NEGÓCIOS 360º 2025, enquanto o Grupo Bradesco Saúde voltou a aparecer entre os “100 Mais Influentes da Saúde”.
Dezembro ainda abriu um espaço de reflexão sobre o comportamento do consumidor. Dados da TEx mostram decisões mais rápidas, alto nível de comparação e demanda por clareza antes mesmo da cotação. A leitura sugere jornadas mais fluidas e um papel consultivo ainda mais forte para os corretores. Um convite à observação atenta do que vem pela frente.
O seguro entra em 2026 caminhando enquanto se constrói
Com isso, dezembro fechou o ano apontando para um setor que está caminhando em uma ponte ainda em construção. Regulações estão sendo ajustadas enquanto novos produtos estão sendo criados e, outros, se adequando; dados ganhando espaço nas decisões e consumidores aprendendo a comparar, questionar e exigir. Em muitos momentos, corretores, seguradoras e insurtechs seguiram sem ter todas as respostas, apoiando-se em protocolos, tecnologia e experiência para reduzir os riscos de cada passo. Entrar em 2026, portanto, não parece requerer saltos espetaculares do setor; o trabalho é seguir caminhando conforme a ponte está sendo construída, sempre com atenção ao que surge de novo nos seguros e no mercado consumidor.


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