Agilidade no seguro depende de tecnologia, processos e regulação, diz Marcos Watanabe

Para Marcos Watanabe, CTO e cofundador da Suthub, a discussão sobre velocidade no mercado de seguros envolve a capacidade de desenvolver produtos compatíveis com canais específicos, integrar parceiros digitais com flexibilidade e revisar processos internos que, ao longo do tempo, acumularam camadas de complexidade. Em entrevista à Insurtalks, Watanabe aborda as diferenças entre acelerar etapas isoladas e estruturar uma operação que responda de ponta a ponta, comenta como a pressão por agilidade impacta o controle técnico e a conformidade regulatória, de que forma a inteligência artificial pode apoiar análises e revisões operacionais e por que a arquitetura de dados passou a influenciar diretamente o desempenho comercial.
O executivo também discute os pontos de fricção mais recorrentes entre seguradoras, corretoras e canais digitais, além de explicar como plataformas com integração única e reutilização escalável podem reduzir custos e ampliar a capacidade de testar produtos. Ao final, aponta três frentes que tendem a consolidar a agilidade como parte integrante do modelo de negócios: tecnologia, processos e regulação.
Confira abaixo todos os detalhes da entrevista.
Insurtalks: Quando se fala em velocidade como vantagem competitiva no seguro, do que exatamente estamos tratando? Trata-se de tempo de cotação, de emissão, de integração, de distribuição ou de uma combinação desses fatores?
Marcos Watanabe: Na minha opinião é uma combinação desses fatores, aliada à velocidade de desenvolvimento de novos produtos. “Quem chega primeiro bebe água limpa”, como diz o ditado popular. Se uma seguradora consegue implantar rapidamente um produto digital em um canal, com um produto fit para os consumidores daquele canal, tem grande chance de sucesso comercial. O mercado de seguros está ficando mais dinâmico, se aproximando cada vez mais de novas necessidades dos consumidores.
Insurtalks: Há uma diferença entre acelerar etapas isoladas e estruturar uma operação capaz de responder com agilidade de ponta a ponta. Onde você acha que o mercado costuma confundir essas duas dimensões?
Marcos Watanabe: Acho que existem casos e casos no mercado. Existem seguradoras que aceleram a implantação, outras aceleram a distribuição. Não acho realmente que seja uma confusão do mercado, acho que é um processo de transformação contínua que ele está sofrendo. As estruturas existentes são aceleradas de acordo com as pressões que elas sofrem, e elas são geralmente desiguais. O possível ‘dessincronismo’ surge destas pressões.
Insurtalks: A pressão por rapidez muitas vezes levanta questionamentos sobre controle, conformidade e qualidade técnica. Como equilibrar agilidade com solidez em um ambiente regulado como o de seguros?
Marcos Watanabe: Agilizando e revisando os processos de implantação e de operação existentes, inclusive com o uso de IA. Isso pode gerar muitos ganhos de backoffice: revisar condições técnicas, apontar riscos, efetuar análises automáticas de sinistralidade, etc. Hoje temos agentes de IA treinados para revisar condições técnicas de seguros, por exemplo.
Insurtalks: No relacionamento entre seguradoras, corretoras e canais digitais, onde a falta de agilidade costuma gerar maior fricção ou perda de oportunidade?
Marcos Watanabe: Existem vários pontos no mercado, com maior ou menor intensidade. Entre seguradoras e corretoras, a velocidade de retorno de algumas cotações mais especializadas, por exemplo.
Entre seguradoras e canais digitais, a velocidade de implantação e integração dos mesmos, com a flexibilidade que os canais digitais demandam. Outro ponto é testar produtos em canais inexplorados. Processos normais de implantação não foram feitos para testes. A Suthub apoia seus clientes com uma plataforma pronta que permite ligar/desligar produtos e mudar suas características quase em tempo real, o que permite explorar possibilidades diferentes sem fricção de novos desenvolvimentos.
Insurtalks: O custo operacional ainda é um dos pontos sensíveis do mercado. De que forma a velocidade de execução influencia a estrutura de custos e a capacidade de escalar produtos?
Marcos Watanabe: Depende da forma que a velocidade de execução é alcançada. Se forem utilizados métodos muito tradicionais de implantação (fazer um projeto específico, com desenvolvimento específico para aquela implantação, por exemplo), os custos sobem e a velocidade diminui. O processo que a Suthub implementa é o de utilizar uma plataforma aceleradora para poder escalar a distribuição digital de seguros, com uma integração única e reutilização escalável de implantações, ganhando muito tempo e reduzindo custos.
Insurtalks: A digitalização ampliou o volume de dados e pontos de contato. Como você acha que é possível transformar esse aumento de complexidade em fluidez operacional, em vez de mais camadas de lentidão?
Marcos Watanabe: Isso passa por revisão e transformação de processos, além de suporte tecnológico novo para esses processos. Uma revisão de arquitetura de dados, tanto para o recebimento quanto para o processamento em volume de multicanais, com pontos de extração dessas informações para a área de negócios. Recentemente implantamos um modelo semelhante para um varejista que consolida mais de 300.000 vendas por mês, com três canais diferentes de venda em mais de 1.000 pontos de venda. A área de negócios dele tem as informações de negócios e de cobranças de milhões de apólices com um delay de apenas 15 minutos da execução, quase em tempo real.
Insurtalks: Do ponto de vista de quem está na ponta, seja o corretor, seja um parceiro embarcado, o que muda quando a infraestrutura por trás do seguro passa a responder em tempo real?
Marcos Watanabe: Muda a forma de raciocinar e os resultados. O foco passa de operacional (“o processo/sistema é lento”) para comercial (“Como atingir um público maior e outros canais”). Esta resposta de infraestrutura é sistêmica, ou seja, os processos de implantação e operação estão revisados e agilizados, o que implica que não há mais uma limitação na ponta de comercialização.
Insurtalks: Você arrisca apontar quais transformações tendem a estruturar a agilidade como parte integrante do modelo de negócios das operações de seguro?
Marcos Watanabe: Arrisco sim. Na minha opinião, também é um tripé: transformações tecnológicas, transformações de processos e transformações regulatórias.
Nas transformações de processos: repensar os processos internos atuais. Muitos deles estão implantados há muitos anos, e não respondem mais ao negócio. Costumo dizer que processos são como a planta Primavera na beira da piscina: quando é pequena, gera muitas flores e enfeita o ambiente. Mas se não é podada e ajustada por muito tempo, acaba virando um arbusto gigantesco, gerando muita sujeira na piscina e sombra para quem quer tomar sol... Muitos processos que existem hoje no mercado de seguros são como Primaveras: no início eram muito bons e geravam controle e compliance. Hoje possuem muitos “galhos” (e “quebra-galhos”...) e fazem “sombra” demais para os objetivos de negócio, além de serem muito lentos por conta da complexidade. Repensar e refazer os processos internos é crítico para ganhar agilidade. Mas, até pelo processo de “poda” e para também ganhar agilidade na transformação de processos, é importante escolher os “galhos” e ir fazendo um por um, para ir adicionando valor ao negócio.
Nas transformações tecnológicas, IA: ela está aí e está em uso. Mas o importante é implantá-la de forma estruturada e com boa governança, iniciando sempre em algum ponto de melhor ganho (comercial, operacional, etc). Isso é fundamental para ganhar buy-in de sponsors internos (que muitas vezes não são pessoas da alta gestão, são profissionais que acham que a IA vai substituí-los ao invés de apoiá-los. Ela é um aliado importante na transformação e agilização de processos.
Finalmente, nas transformações regulatórias: acredito que a Susep tem uma responsabilidade fundamental com o desenvolvimento do mercado. O Sandbox regulatório é um excelente think tank de experimentação para repensar o produto seguro e agilizou muito a criação de novas seguradoras. Muitas novas seguradoras nasceram lá e estão trilhando vias diferentes, podendo ser agentes de transformação do mercado. E novas regulações para novos mercados podem estimular tanto players tradicionais como entrantes ao desenvolvimento de novas oportunidades de proteção.


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