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Seguradoras lideram ROE em 2025: menos volume, mais margem

Seguradoras fecharam 2025 com ROE de 27,4%, o maior entre os setores analisados pela Exame. Entenda como eficiência e controle de riscos elevaram a rentabilidade.
Seguradoras lideram ROE em 2025: menos volume, mais margem

Um mercado que passou a olhar mais para a rentabilidade

O mercado de seguros brasileiro encerrou 2025 com um movimento que revela uma mudança na forma como as seguradoras vêm encarando o crescimento. Os números do Ranking EXAME Melhores e Maiores ajudam a dimensionar essa transformação. As 66 seguradoras analisadas somaram R$ 533,8 bilhões em receitas, alta de 4,2% em relação a 2024. No mesmo período, o lucro líquido cresceu 13,1%, chegando a R$ 69,3 bilhões. A diferença entre os dois indicadores levou o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do setor a 27,4%, o maior entre os segmentos avaliados pela publicação e o dobro da média do ranking, de 13,7%. A margem líquida também cresceu, passando de 12% para 13%. Esses dados apontam para uma estratégia que coloca qualidade da carteira, precificação e controle de riscos no centro dos resultados, mostrando que, no setor de seguros, aumentar o volume de negócios deixou de ser o único caminho para melhorar o desempenho.

Alta do lucro está relacionada ao ganho de eficiência

Os resultados do levantamento de 2025 também mostram que o desempenho das seguradoras não esteve ligado apenas à expansão das receitas. Enquanto as empresas analisadas pelo ranking da Exame elevaram suas receitas em 4,2%, o lucro líquido avançou 13,1%, indicando que a rentabilidade ganhou espaço na composição dos resultados. Na avaliação de Samuel de Jesus Monteiro de Barros, do Ibmec, essa elevação está relacionada a ganhos de eficiência, e não simplesmente ao aumento do volume de negócios. O ativo total das companhias ultrapassou R$ 3 trilhões, uma alta de 12%, impulsionada principalmente pelo crescimento das reservas técnicas e das carteiras de investimentos. A mesma dinâmica aparece nos números gerais do setor. A arrecadação do mercado segurador chegou a R$ 764,5 bilhões em 2025, avanço de 1,8% em relação ao ano anterior. 

Precificação e controle de sinistros ganham espaço

Parte dessa melhora está relacionada à maneira como as seguradoras passaram a administrar seus portfólios. Segundo Dyogo Oliveira, presidente CNseg, a melhora das margens combina uma precificação mais adequada, maior controle na regulação de sinistros, combate às fraudes e o efeito dos juros elevados sobre o resultado financeiro das companhias. Na prática, isso significa que o desempenho não depende exclusivamente de vender mais apólices. A qualidade da carteira, a avaliação dos riscos assumidos e a capacidade de controlar perdas passaram a ter peso maior na formação do resultado. Esse cenário também ajuda a explicar por que o desempenho pode variar bastante entre as empresas. O Grupo Bradesco Seguros, por exemplo, líder em receita, faturou R$ 118,5 bilhões e registrou lucro de R$ 10,1 bilhões, alta de 11,2%. Mas sua receita recuou 2,1% no ano. Outras seguradoras analisadas no ranking tiveram alta significativa na receita e no lucro.

Ainda existe espaço para crescer

Apesar da melhora na rentabilidade, os números também mostram que o mercado brasileiro está longe de atingir todo o seu potencial de proteção. Segundo os dados citados pela Exame, apenas 15% das residências brasileiras possuem cobertura contra danos climáticos. No agronegócio, outro mercado de grande dimensão, somente 6% da área plantada é segurada. Esses indicadores mostram que a busca por margem não precisa significar uma redução das oportunidades de expansão. Existe uma diferença entre crescer indiscriminadamente e desenvolver novos negócios com riscos conhecidos, precificação adequada e capacidade de sustentação.

Tecnologia ajuda a transformar eficiência em rentabilidade

O avanço do ROE coloca eficiência, qualidade da carteira e controle de riscos no centro das estratégias das seguradoras. A tecnologia ganha espaço justamente nesse processo. Recursos de inteligência artificial, análise preditiva, automação e ferramentas de detecção de fraudes permitem cruzar grandes volumes de dados e identificar padrões que podem passar despercebidos em análises convencionais. Na subscrição, essas soluções podem apoiar a avaliação de perfis e a definição de preços mais aderentes ao risco. Na gestão de sinistros, ajudam a identificar inconsistências, agilizar etapas e direcionar casos que exigem uma análise mais detalhada. O uso desses recursos também pode fortalecer a prevenção. Ao identificar sinais de maior exposição ou mudanças no comportamento dos segurados, as seguradoras conseguem atuar antes que determinados riscos se transformem em perdas. O resultado é uma operação mais orientada por dados, na qual tecnologia e conhecimento técnico trabalham juntos na busca por maior eficiência. Essa lógica também pode repercutir na relação com corretores e consumidores. Critérios de aceitação mais refinados, produtos ajustados a diferentes perfis e processos mais ágeis tendem a modificar a forma como os riscos são avaliados e os seguros são ofertados.

O próximo passo para o crescimento pode estar na qualidade do risco

O desempenho de 2025 mostra que o mercado de seguros entrou em uma fase em que tamanho e rentabilidade já não caminham necessariamente no mesmo ritmo. A alta do ROE revela o peso que decisões mais precisas sobre preços, carteiras, sinistros e investimentos passaram a ter nos resultados das companhias. Mas a busca por margens maiores não encerra a agenda de crescimento do setor. Pelo contrário: o baixo nível de cobertura em segmentos como residências e agronegócio mostra que ainda existe um amplo mercado de riscos à espera de proteção. Dito isso, é importante entender como transformar esse espaço em negócios sustentáveis, sem comprometer a qualidade das carteiras. Além disso, tecnologia, dados e inteligência artificial tendem a ganhar ainda mais relevância. Quanto maior a capacidade de compreender os riscos, antecipar perdas e personalizar produtos, maior também a possibilidade de combinar eficiência operacional com expansão da proteção. O resultado de 2025, portanto, indica que o mercado pode crescer sem voltar à lógica do volume a qualquer custo. O desafio dos próximos anos será fazer com que mais proteção também signifique mais qualidade, precisão e sustentabilidade nos negócios.

Postado em
2/10/2026
 na categoria
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