Mercado de seguros deve monitorar cenário eleitoral acirrado e seus impactos na economia e na regulação

Eleições colocam incertezas econômicas no radar do setor
A aproximação das eleições presidenciais de 2026 adiciona uma variável importante ao planejamento de empresas que atuam no mercado de seguros. Em um cenário eleitoral marcado por uma disputa apertada, as atenções se voltam não só ao resultado das urnas, mas aos possíveis efeitos sobre economia, políticas públicas, ambiente regulatório e confiança de consumidores e investidores. Uma pesquisa da Quaest divulgada no g1 mostrou Lula com 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registrou 40%. A margem de erro era de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. O dado, por si só, não determina os rumos da economia nem da atividade seguradora. O ponto de atenção está na possibilidade de diferentes propostas e prioridades de governo produzirem impactos sobre variáveis que fazem parte da rotina do setor, como juros, inflação, crédito, investimentos, tributação e regulação.
Regulação já está em movimento
A agenda regulatória do mercado de seguros já passa por um período de mudanças independentemente do calendário eleitoral. Em 2026, a Susep abarcou iniciativas relacionadas à regulamentação do novo Marco Legal dos Contratos de Seguro, revisão de regras de capitalização, seguros obrigatórios, seguro catástrofe, seguro de vida universal, sandbox regulatório, open insurance, governança e requisitos prudenciais. Em agosto, a autarquia atualizou o Plano de Regulação de 2026 e incluiu, entre outros pontos, estudos relacionados ao ambiente legal e regulatório de seguros e infraestrutura. A Susep também abriu uma tomada de subsídios voltada à definição das prioridades regulatórias de 2027. Isso indica que o setor já está diante de uma agenda regulatória extensa. A mudança de governo pode alterar prioridades, ritmo de implementação ou novas propostas, mas os efeitos concretos dependerão das decisões institucionais que forem tomadas ao longo do processo.
Mercado de seguros ganha novas regras para contratos
As eleições de 2026 ocorrem em meio a uma agenda regulatória importante para o mercado de seguros. Em 18 de agosto, a Resolução CNSP nº 496/2026 regulamentou aspectos da Lei nº 15.040/2024, conhecida como Lei do Contrato de Seguro, e estabeleceu novas regras gerais para os contratos de seguros de danos. A norma substitui a Resolução CNSP nº 407/2021 e cria um regime único para os seguros de danos, abrangendo tanto produtos de grandes riscos quanto os massificados. Os planos já registrados também deverão ser adaptados às novas regras até 4 de janeiro de 2027. A mudança mostra que o setor já passa por transformações regulatórias que independem do calendário eleitoral. Por isso, seguradoras e corretores precisam acompanhar não só as possíveis mudanças de prioridades do próximo governo, mas também a implementação de uma agenda que já está em curso.
Economia pode chegar ao seguro por diferentes caminhos
O ambiente macroeconômico é outro ponto que merece acompanhamento. O mercado segurador administra grandes volumes de recursos e está diretamente relacionado ao comportamento de juros, inflação, atividade econômica e investimentos. Os números mais recentes da Susep mostram a dimensão desse mercado. De janeiro a julho de 2026, o setor supervisionado registrou R$ 244,96 bilhões em receitas, enquanto as provisões técnicas chegaram a aproximadamente R$ 2,20 trilhões em julho. Nesse contexto, alterações nas condições econômicas podem repercutir tanto na gestão dos ativos das seguradoras quanto na capacidade de consumo dos clientes. Juros, crédito e renda disponível, por exemplo, interferem na contratação e renovação de produtos, enquanto mudanças no ambiente de investimentos podem afetar a composição das carteiras das empresas. O impacto também pode aparecer de maneira diferente entre os ramos. Com base numa publicação do Notícias do Seguro da CNseg, no primeiro semestre de 2026, os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, movimentaram R$ 113,86 bilhões em receitas, com crescimento nominal de 6,51% sobre o mesmo período de 2025. O seguro auto alcançou R$ 30,73 bilhões em prêmios, enquanto o seguro de vida chegou a R$ 10,29% de crescimento nominal no período.
Consumidor pode reagir ao ambiente de incerteza
As consequências de um período eleitoral também podem aparecer no comportamento dos consumidores. Em momentos de maior incerteza econômica, famílias e empresas podem rever despesas, adiar decisões de compra ou priorizar produtos considerados mais diretamente ligados à proteção financeira. No seguro, esse movimento exige atenção porque a demanda não responde da mesma maneira em todos os segmentos. O seguro auto, por exemplo, está ligado à aquisição e utilização de veículos, enquanto produtos de vida, previdência e proteção patrimonial podem ser influenciados por renda, planejamento financeiro e percepção de risco. Por isso, é importante considerar as mudanças políticas e adaptar seus efeitos econômicos com soluções que contemplem os clientes, mesmo diante de uma conjuntura mais indefinida. Equipes comerciais, técnicas e de relacionamento precisam observar alterações legislativas, decisões dos órgãos reguladores e mudanças nas condições econômicas que possam afetar produtos, preços e estratégias de contratação. O acompanhamento contínuo ajuda o setor a trabalhar com diferentes possibilidades sem depender de uma única previsão.
O seguro precisa estar preparado para diferentes cenários
O calendário eleitoral pode mudar prioridades econômicas e regulatórias, mas seus efeitos sobre o mercado de seguros não serão definidos de uma vez nas urnas. Eles aparecerão ao longo do tempo, nas decisões sobre juros, investimentos, regras, consumo e ambiente de negócios. Por este motivo, acompanhar a política significa entender como as decisões institucionais podem chegar à operação do setor. É importante que as companhias foquem em fazer uma leitura econômica, acompanhamento regulatório para compreender de que forma podem construir mecanismos em prol do consumidor, ajustando produtos, estratégias e gestão de riscos diante das mudanças. O desafio está em encontrar oportunidades dentro de um contexto político e social que pode afetar o negócio, seja pela economia, pela regulação, pelo crédito, pelos investimentos ou pela demanda por proteção. Em um ambiente de incerteza, o planejamento é uma necessidade fundamental. Portanto, cabe estar preparado para adaptar decisões quando os fatos começarem a desenhar o próximo cenário do mercado.







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