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Frente de rajada expõe brechas na cobertura contra desastres climáticos no Sudeste

Ventos que superaram 120 km/h em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta semana deixaram mortes, quedas de energia e prejuízos materiais — e reacendem o debate sobre a baixa penetração de seguros residenciais e empresariais contra eventos climáticos extremos no Brasil.
Frente de rajada expõe brechas na cobertura contra desastres climáticos no Sudeste

Uma frente de rajada — fenômeno meteorológico causado pelo choque entre uma massa de ar quente e seca sobre o Sudeste e uma frente fria vinda do Sul — provocou nesta quarta-feira (29) ventos de até 124,9 km/h em cidades do interior paulista, como Itaí e Itaporanga, além de rajadas superiores a 100 km/h na capital fluminense. O evento deixou ao menos três mortos em São Paulo, derrubou árvores, interrompeu o fornecimento de energia em milhares de imóveis e afetou operações em aeroportos, portos, metrôs e balsas.

"O Sudeste estava muito quente e seco, enquanto havia uma frente fria se formando no Sul do Brasil. O ar mais úmido e frio avançou junto com esse sistema e entrou em choque com o ar mais quente e seco", explica o meteorologista César Soares, da Climatempo.

Segundo a Defesa Civil, além das mortes em Santos e em Laranjal Paulista — ambas causadas por quedas de árvores —, o episódio provocou apagões generalizados e o desvio de voos no Aeroporto de Congonhas.

O evento em números

  • Até 124,9 km/h: rajada máxima registrada em Itaí e Itaporanga (SP)
  • 3 mortes confirmadas no estado de São Paulo
  • ~100 km/h: rajadas no Rio de Janeiro, com levantamento de areia no Aeroporto do Galeão
  • Milhares de imóveis sem energia elétrica no Sul e no Sudeste
  • Aeroportos, portos, metrô, trens e balsas com operações interrompidas

O que isso significa para o mercado segurador

Eventos como a frente de rajada desta semana caem, do ponto de vista técnico, na categoria de riscos de vendaval, granizo e queda de raio — coberturas geralmente disponíveis como adicionais em apólices residenciais e empresariais, mas ainda pouco contratadas pelo consumidor brasileiro médio.

Seguro residencial. Quedas de árvores sobre imóveis, destelhamentos e danos elétricos por oscilação de energia são sinistros clássicos de vendaval, cobertos em boa parte das apólices de seguro residencial — desde que o segurado tenha contratado essa cláusula adicional, nem sempre incluída no pacote básico.

Seguro auto. Veículos atingidos por galhos ou árvores caídas, ou danificados por objetos arremessados pelo vento, entram na cobertura de "danos por fenômenos da natureza", presente na maioria das apólices compreensivas — um lembrete oportuno para corretores reforçarem essa cobertura junto a clientes em regiões mais expostas.

Seguro empresarial e lucros cessantes. A interrupção de operações em aeroportos, portos e sistemas de transporte ilustra o valor de coberturas de lucros cessantes e interrupção de negócios, especialmente para empresas dependentes de logística, energia e operações contínuas.

Seguro de transporte e cargas. Atrasos e desvios em aeroportos e portos reforçam a relevância de apólices de transporte que contemplem atrasos por eventos climáticos, um ponto frequentemente negligenciado em contratos de frete.

O recado para o corretor

Com a intensificação de eventos climáticos extremos no Brasil — de frentes de rajada a tempestades e tornados registrados neste ano no Sul do país —, especialistas do setor têm reforçado que a conversa sobre risco climático precisa sair do campo ambiental e entrar de forma mais consistente na mesa de negociação entre corretores e segurados. Revisar limites de cobertura, checar a presença de cláusulas de vendaval e orientar clientes sobre a exposição real de suas regiões são passos simples que podem evitar surpresas no próximo evento climático — que, segundo os meteorologistas, não deve ser um caso isolado.

Postado em
30/7/2026
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