Tecnologia e envelhecimento: como a inovação digital está transformando o mercado de seguros para quem tem mais de 50 anos

Adultos acima dos 50 abraçam o uso da tecnologia
O avanço da expectativa de vida, junto à digitalização desenfreada, tem impactado todas as faixas etárias. Longe de serem espectadores passivos da inovação, o público 50+ está mais do que nunca incorporando tecnologias ao cotidiano e na forma como se relacionam com produtos e serviços. Dados da pesquisa “2026 Tech Trends and Adults 50-Plus”, da AARP, realizada com 3.838 adultos nos Estados Unidos, indicaram que o público com mais de 50 anos tem adotado a tecnologia de forma crescente e majoritariamente positiva. Para a maioria dos entrevistados, as soluções digitais contribuem para a autonomia, facilitam as tarefas diárias e favorecem um envelhecimento mais saudável, inclusive com a permanência por mais tempo em casa. Apesar disso, preocupações com a privacidade dos dados e a dificuldade de perceber o valor real das tecnologias ainda limitam uma adoção mais ampla. Para seguradoras e players do mercado segurador, esse contexto permite uma postura direcionada que promova inovação, personalização e sensibilidade às demandas dessa faixa etária em expansão.
Avanço da longevidade e seu impacto no consumo e na economia brasileira
O envelhecimento da população brasileira abriu mais espaço para o peso econômico do público com mais de 50 anos, conhecido como “geração prateada”. Dados da ONU mostram que essa faixa etária passou de 15,1% da população em 2000 para 27,9% em 2024, com projeção de alcançar mais de 40% dos brasileiros nas próximas décadas. Segundo a pesquisa “Mercado prateado: consumo dos brasileiros 50+”, da Data8, a participação econômica desse grupo deve crescer de 24% em 2024 para 35% em 2044, movimentando cerca de R$ 3,8 trilhões. Além disso, as projeções do IBGE reforçam a relevância do tema e apontam que, em poucas décadas, o Brasil terá uma das maiores populações idosas do mundo, com ritmo de envelhecimento mais rápido do que o observado em países europeus. Considerando isso, o poder público já começou a reagir, com iniciativas legislativas voltadas à população idosa, enquanto o setor privado também pode considerar a prevalência dessa faixa etária, estabelecendo demandas próprias para fomentar o seu valor econômico no país.
Inclusão digital como desafio e oportunidade
A digitalização amplia as possibilidades do mercado de seguros, mas também impõe o desafio de não excluir parte do público mais velho. Para que a tecnologia atue como facilitadora, as seguradoras precisam investir em educação digital, interfaces simples e suporte humanizado, fortalecendo a confiança e o relacionamento com os clientes. À medida que pessoas idosas se tornam mais conectadas, cresce a demanda por soluções que unam tecnologia e empatia, como telemedicina, monitoramento remoto e serviços de assistência via aplicativos. Empresas que adotam processos intuitivos, combinam atendimento digital com interação humana e utilizam recursos como alertas personalizados e assistentes virtuais tendem a ampliar a adesão e a satisfação desse público. Quando aplicada com sensibilidade e em conformidade com a proteção de dados, a inovação permite personalizar coberturas e tornar o seguro mais acessível, inclusivo e alinhado às novas necessidades da longevidade.
Inteligência artificial como alavanca de prevenção e valor no seguro
A inteligência artificial assumiu um papel decisivo na modernização do setor de seguros. Ao processar e cruzar grandes volumes de informações, a tecnologia amplia a capacidade das seguradoras de antecipar riscos, identificar desvios e orientar ações preventivas com maior precisão. Esse uso estratégico da IA vai além da eficiência operacional, pois redefine a relação com o cliente, que passa a perceber o seguro como um serviço contínuo de proteção e cuidado, e não apenas como resposta a perdas ou imprevistos.
O corretor na era digital: análise, personalização e confiança
Para os corretores, esse avanço tecnológico abre espaço para um novo posicionamento no mercado. Plataformas digitais, análise de dados e informações comportamentais permitem compreender melhor os hábitos e necessidades dos clientes maduros, viabilizando ofertas mais personalizadas e relevantes. Investir em capacitação tecnológica e aprofundar o entendimento sobre o público 50+ torna-se essencial para construir confiança e se diferenciar em um cenário cada vez mais orientado por dados e experiências personalizadas.
Personalização e mobilidade
Nos produtos de seguros, o público maduro pode se beneficiar de soluções mais flexíveis e personalizadas, que integrem proteção, prevenção e conveniência. Motoristas com mais de 60, por exemplo, podem acessar apólices até 30% mais baratas, resultado de padrões de uso mais moderados e menor exposição ao risco. Além dos preços, as seguradoras podem ajustar coberturas, canais de atendimento e recursos digitais, com iniciativas como assistência 24h mais acessível, aplicativos simplificados e modelos de contratação híbridos. Com o uso responsável de dados, as seguradoras conseguem ajustar as coberturas e criar produtos alinhados aos hábitos e necessidades desse grupo. Modelos como seguros por uso e apólices adaptáveis ganham espaço ao acompanhar mudanças no estilo de vida e na saúde ao longo do tempo. Conforme refletido acima, esse público possui forte relevância econômica e segue ativo no consumo, o que também influencia no mercado segurador. Considerando isso, os seguros também podem avançar na criação de ecossistemas integrados, com programas de bem-estar, parcerias com healthtechs e iniciativas voltadas à prevenção. Essas estratégias podem fortalecer o engajamento do segurado e aumentar a percepção de valor do seguro para o público 50+.
Proteção de dados e ecossistemas de valor no seguro
À medida que seguradoras ampliam a coleta e o uso de dados sensíveis, especialmente informações relacionadas à saúde, aumenta também a necessidade de garantir privacidade, segurança da informação e conformidade regulatória. Investir em cibersegurança e cumprir normas como a LGPD são condições essenciais para preservar a confiança do cliente, sobretudo entre o público sênior, para quem a transparência sobre o uso dos dados é determinante para a adesão às soluções digitais.
O uso da tecnologia amadurece junto com o consumidor
O envelhecimento da população e o avanço acelerado da tecnologia são uma realidade concreta e isso afeta o presente e o futuro do mercado de seguros. O público com mais de 50 anos é formado por consumidores ativos, conectados e conscientes, que esperam soluções digitais capazes de acompanhar seu ritmo de vida, respeitar sua autonomia e oferecer benefícios concretos. Nesse contexto, inovar não significa apenas adotar novas ferramentas, mas compreender como a tecnologia pode gerar valor real ao longo do tempo. Em uma sociedade que envelhece rapidamente, evoluir e acompanhar as particularidades dos clientes é fundamental para a sustentabilidade dos negócios, especialmente levando em conta um público altamente participativo economicamente. Para além de precificar riscos, o setor passa a compartilhar responsabilidades com o segurado, atuando de forma preventiva e integrada ao cotidiano.



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