IA no centro do jogo: investidores, seguros e a corrida por resultados concretos

A confiança do mercado na inteligência artificial
Os balanços mais recentes das grandes empresas de tecnologia deixam claro que a inteligência artificial conquistou a confiança dos investidores como fator de crescimento a longo prazo, mas com a condição de um retorno financeiro concreto. Esse termômetro precisa ser bem estruturado para que de fato a tecnologia possa trazer benefícios para as empresas. Isso pode ser observado na Meta e na Microsoft, por exemplo. Enquanto a Meta viu suas ações dispararem mais de 9%, impulsionadas por forte crescimento de receita alavancado por IA na segmentação de anúncios, a Microsoft enfrentou queda de cerca de 10% após seu negócio de computação em nuvem não atender às expectativas do mercado. conforme a matéria do portal Terra, o contraste evidencia como, desde o lançamento do ChatGPT, a régua dos investidores se tornou mais rígida, entendendo que a inovação, por si só, já não basta. A pressão sobre a Microsoft reflete a exigência por maior clareza na monetização de seus investimentos bilionários em IA, mesmo após a vantagem competitiva obtida com a parceria com a OpenAI.
IA como alavanca de crescimento no Brasil e nos seguros
A Meta mostrou, na prática, que a IA é capaz de entregar ganhos concretos de eficiência e aumento de receita, sustentando resultados financeiros consistentes e, ao mesmo tempo, viabilizando novos investimentos que devem chegar a US$ 135 bilhões ainda neste ano. O caso reforça uma lógica que também avança no mercado de seguros, onde a IA deixa de ocupar o campo das promessas e passa a se firmar como um pilar estratégico de inovação. No setor segurador, a tecnologia impulsiona ganhos de eficiência operacional, permite a criação de produtos mais personalizados e abre espaço para modelos de negócio mais flexíveis, respondendo a um mercado cada vez mais orientado por desempenho e resultados mensuráveis. Estudos da PwC indicam que a adoção da IA pode acrescentar até 13 pontos percentuais ao PIB brasileiro até 2035, em um contexto de profunda reconfiguração da economia global. Em escala mundial, a consultoria estima que a IA possa adicionar cerca de US$ 15,7 trilhões à economia até 2030, com o setor financeiro. Não por acaso, o interesse crescente dos investidores acompanha justamente a capacidade da tecnologia de ampliar ganhos, reduzir custos e transformar etapas tradicionalmente complexas.
Análise de riscos e precificação mais inteligentes
Nos processos dos seguros, a inteligência artificial pode trazer benefícios, que aumentam a velocidade de resposta e a qualidade das funções operacionais. Modelos preditivos baseados em big data e machine learning permitem analisar volumes massivos de informações em tempo real, identificando padrões de risco que seriam inviáveis por métodos tradicionais. O resultado é uma precificação mais precisa, alinhada ao perfil real do segurado, além da redução da exposição a fraudes.
Automação e experiência do cliente no centro da estratégia
Para além da subscrição, a inteligência artificial pode melhorar a forma como as seguradoras se relacionam com seus clientes. Etapas historicamente associadas à burocracia e à demora podem ser automatizadas com o apoio de chatbots e assistentes virtuais baseados em processamento de linguagem natural. O reflexo dessa automação é uma experiência mais fluida, ágil e acessível, que pode elevar os níveis de satisfação e fidelização. Em um momento de alta concorrência e numa realidade de consumidores cada vez mais digitais, oferecer uma boa experiência é um requisito básico para a permanência no mercado. Além disso, a aplicação da IA impulsiona o desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócio mais flexíveis. A análise de dados comportamentais e informações em tempo real viabiliza soluções como seguros pay-per-use, coberturas sob demanda e contratos personalizáveis, alinhados ao desejo do consumidor por maior controle, transparência e adequação às suas rotinas. Trata-se de uma oportunidade de aumentar portfólio, gerar novas receitas e se diferenciar em um mercado em plena transformação.
IA agêntica ganha espaço nas operações das seguradoras
A inteligência artificial agêntica vem se destacando no mercado de seguros por sua capacidade de atuar de forma autônoma, integrar múltiplos sistemas e apoiar decisões que antes dependiam exclusivamente de intervenção humana. O tema foi debatido no Insurtalks Cast, em uma conversa sobre aplicações do recurso, limites tecnológicos e cuidados na adoção responsável dessas soluções. O episódio contou com a participação de Marcos Watanabe, cofundador e CTO da Suthub, que explicou que, enquanto chatbots se limitam à interação conversacional, agentes de IA analisam dados, interpretam eventos e executam tarefas de forma independente, como processos inteiros de subscrição. Segundo Watanabe, as aplicações mais comuns hoje estão concentradas em vendas e pós-venda, áreas que se beneficiam de maior flexibilidade e compreensão da intenção do cliente.
O trabalho dos corretores de seguros na era tecnológica
Para os corretores, a inteligência artificial representa uma aliada poderosa na evolução do modelo de atuação. Ferramentas com análise preditiva e inteligência de mercado auxiliam na identificação de oportunidades de cross-sell e up-sell, além de permitir uma segmentação mais precisa da base de clientes. Ao integrar tecnologia e relacionamento, o corretor fortalece seu papel consultivo, oferecendo soluções mais aderentes às necessidades reais do segurado e ganhando eficiência sem perder o fator humano.
Desafios: dados, regulação e capacitação
Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial no mercado de seguros, sua adoção traz desafios estruturais que não podem ser ignorados. Investir em infraestrutura de dados robusta e segura, aliada a práticas sólidas de governança da informação, tornou-se um requisito básico para o uso responsável da tecnologia. A conformidade com marcos regulatórios, como a LGPD, exige atenção redobrada, especialmente diante do uso crescente de dados sensíveis e da necessidade de garantir transparência. O desafio não está apenas em adotar IA, mas em fazê-lo de forma consistente, segura e alinhada às expectativas regulatórias e sociais. Outro ponto central é a capacitação das equipes. A transformação digital só se sustenta quando acompanhada de uma mudança cultural que incentive o uso estratégico de dados e tecnologia. Desenvolver competências técnicas, analíticas e digitais, tanto entre profissionais de TI quanto nas áreas de negócio, é fundamental para extrair valor real das soluções de IA e integrá-las de forma eficiente aos processos e à estratégia das organizações.
IA como critério de valor no mercado de seguros
A IA deixou de ser um experimento promissor e se tornou hoje nas companhias um critério concreto de avaliação de valor tanto para investidores quanto para o mercado segurador. Os movimentos recentes mostram que a confiança existe, mas vem acompanhada de uma exigência clara: a capacidade de transformar tecnologia em resultado e eficiência. No setor de seguros, a IA é capaz de otimizar processos como a análise de riscos, precificação, com automação no atendimento e ajudando na criação de produtos mais personalizados para o cliente. Agentes inteligentes e modelos preditivos elevam o nível de sofisticação das operações, ampliando a produtividade de seguradoras e corretores. O desafio, no entanto, é proporcional ao potencial. Governança de dados, regulação, ética e capacitação profissional são pilares tão relevantes quanto a tecnologia em si. Não basta investir em IA, mas é preciso integrá-la à cultura, à estratégia e à proposta de valor do negócio. Para um mercado historicamente baseado em previsibilidade e confiança, a inteligência artificial pode sustentar a competitividade e promover o crescimento.



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