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Resiliência no centro da estratégia: o que o mercado de seguros pode esperar em 2026?

Um olhar sobre o papel da resiliência no setor de seguros em 2026, com base em estudos internacionais, tendências do mercado brasileiro e os principais desafios que corretores, seguradoras e reguladores devem enfrentar nesses 12 meses.
Resiliência no centro da estratégia: o que o mercado de seguros pode esperar em 2026?

Projeções, esperança e novas perspectivas acerca do ano novo

Todo começo de ano carrega consigo a sensação de recomeço. É um momento naturalmente associado à revisão de rotas, à redefinição de prioridades e à construção de expectativas sobre o que está por vir. No setor de seguros, esse movimento ganha força devido à necessidade de interpretar sinais econômicos, sociais, regulatórios e tecnológicos que já estão em curso. Às portas de 2026, o mercado olha para frente com cautela e ambição: o desafio é transformar aprendizado em estratégias mais resilientes, inovadoras e alinhadas às demandas de um mundo em constante mudança.

Estudo de risco ressalta resiliência como desafio para 2026

Segundo um levantamento divulgado pelo portal Insurance Thought Leadership, após um período marcado por instabilidade econômica, eventos climáticos severos, mudanças regulatórias e avanços tecnológicos acelerados, a resiliência deve ocupar o centro das estratégias do setor. O Estudo Global de Riscos 2026 apontou que esse será o principal desafio para as empresas, exigindo dos líderes a capacidade de antecipar ameaças, lidar com a incerteza e estruturar respostas eficazes para crises, sinistros, litígios e gestão da força de trabalho. Baseado na visão de executivos de grandes corporações e especialistas do mercado, o relatório traça um panorama das tendências e riscos emergentes que impactam diferentes setores. A análise dos dados revelou que compreender esses movimentos, adaptar-se rapidamente e inovar com segurança são ações indispensáveis para enfrentar um cenário em constante transformação. Nesse contexto, as seguradoras são chamados a ir além da reação a crises, fortalecendo seus modelos de negócio e sua capacidade de resposta.

2025: Entre ajustes econômicos e transformação estrutural

O ano de 2025 foi marcado por um cenário de transição e ajustes no mercado de seguros, tanto do ponto de vista econômico quanto estrutural. Dados da Susep indicam que, entre janeiro e novembro, o setor movimentou R$376,17 bilhões, registrando retração nominal de 4,67% em relação ao mesmo período de 2024. Em contrapartida, os pagamentos de indenizações, resgates e benefícios cresceram 9,68%, totalizando R$243,01 bilhões, sinalizando maior acionamento das coberturas.

Os ramos de seguros de danos e de pessoas, excluindo VGBL, apresentaram crescimento nominal de 7,28%, somando R$202,28 bilhões em receitas. O seguro auto manteve trajetória positiva, enquanto o seguro de vida se destacou com avanço nominal de 12,35%, refletindo maior atenção à proteção pessoal. Além dos números, 2025 abarcou pautas relacionadas a mudanças regulatórias, avanço tecnológico, novos hábitos de consumo, mobilidade elétrica e aumento dos riscos digitais. A presença desses fatores impactou preços, operações, canais de distribuição e o relacionamento com o cliente, desenhando um cenário mais dinâmico e desafiador para o setor.

Clima e sustentabilidade na agenda de 2026 dos seguros

A agenda do mercado de seguros para 2026 coloca o clima, a sustentabilidade e a inovação no centro das estratégias. Debates recentes do setor apontam que temas como inteligência artificial, modernização de dados, cibersegurança, mudanças regulatórias, transformação da força de trabalho e expansão do seguro integrado devem orientar as decisões das empresas, ao mesmo tempo em que cresce a pressão por equilíbrio entre rentabilidade e práticas ESG. Nesse contexto, a questão climática ganha protagonismo. As seguradoras são chamadas a ir além da precificação de riscos, atuando de forma ativa na prevenção, na mitigação de impactos e no incentivo a soluções sustentáveis. Produtos voltados à transição energética, seguros paramétricos e coberturas ambientais avançam, exigindo do setor a capacidade de inovar sem comprometer a solidez financeira e a confiança do mercado.

Pressão de custos e ambiente regulatório

Outro fator determinante para os próximos 12 meses são o aumento de custos operacionais e maior complexidade regulatória. Inflação, custos de capital, despesas com tecnologia e exigências de compliance pressionam margens e obrigam o setor a buscar eficiência. Com base em um artigo da Fenacor, relatórios e análises institucionais indicam que a sustentabilidade financeira dependerá cada vez mais da automação de processos, da revisão de estruturas internas e da adoção de modelos mais enxutos. Da mesma forma, o ambiente regulatório segue em discussão, com destaque para a agenda da Susep, a incorporação de critérios ESG, o novo marco legal dos contratos de seguro e o avanço do Open Insurance, que amplia a concorrência e cria oportunidades de novos negócios. “Esse ecossistema permitirá que os consumidores de produtos e serviços de seguros, previdência complementar aberta e capitalização compartilhem dados entre as instituições credenciadas, o que fomenta o mercado”, afirmou o sócio-líder do segmento de seguros da KPMG no Brasil, André Rocha. Nesse cenário, a sustentabilidade financeira dependerá da capacidade do setor de inovar, manter transparência e adotar uma postura resiliente diante de um mercado cada vez mais exigente.

Desafios que permeiam o setor em 2026

A Conjuntura CNseg nº 128 revelou um mercado de seguros que encerrou 2025 com peso consolidado na economia brasileira, mas diante de obstáculos estruturais, regulatórios e operacionais que devem influenciar diretamente o desempenho ao longo de 2026. 

  • Assistência 24h no seguro auto: O serviço deixou de ser acessório e tornou-se central no seguro auto. O crescimento expressivo de receitas e acionamentos reflete maior uso dos veículos e a valorização da conveniência, tornando a experiência do cliente um fator-chave de fidelização.
  • Saúde suplementar entre inovação e custos: Medicamentos de altíssimo valor pressionam o sistema e levantam o debate sobre como garantir acesso à inovação sem comprometer a sustentabilidade financeira. O setor defende ajustes regulatórios e critérios mais técnicos para avaliação de novas tecnologias.
  • Previdência em retração e capitalização: A previdência aberta foi impactada por mudanças tributárias, enquanto o seguro de vida individual apresentou crescimento, indicando maior busca por proteção direta em um cenário de incertezas econômicas e sociais. Já a capitalização ganha relevância estratégica ao se consolidar como instrumento de garantia para grandes obras e projetos de infraestrutura, impulsionada por concessões e parcerias público-privadas. 

Além disso, conforme a Cnseg, a entrada em vigor da Lei nº 15.040/2024 reforça princípios como transparência, boa-fé e equilíbrio contratual, ampliando a proteção ao consumidor e exigindo relações mais claras entre seguradoras e clientes. Somado ao elevado volume de indenizações e benefícios pagos, que reafirma a função social do seguro, em prol da proteção do consumidor.

Tecnologia, dados e inteligência como pilares da resiliência

Pode-se dizer que, diante da rápida evolução digital, a IA segue como um dos principais vetores de fortalecimento da indústria em 2026. Ferramentas de automação e uso estratégico de dados permitem antecipar tendências de sinistralidade, aprimorar a subscrição de riscos, personalizar produtos e melhorar a experiência do cliente. As soluções tecnológicas são fundamentais para lidar com riscos emergentes, como ataques cibernéticos e interrupções operacionais, que exigem respostas rápidas e coordenadas. Nesse contexto, seguradoras que investem em infraestrutura digital, governança de dados e talentos especializados conseguem ganhar agilidade, reduzir custos operacionais e aumentar a precisão na gestão de riscos. Ao mesmo tempo, com o aumento dos ataques cibernéticos, cresce a importância do uso responsável da tecnologia, com atenção à ética, à segurança da informação e à proteção de dados dos clientes. 

O papel dos corretores e da cadeia de distribuição

A resiliência do setor também passa pela valorização da cadeia de distribuição. Corretores assumem papel central ao traduzir a complexidade dos riscos, orientar clientes e construir relações de confiança em um cenário de incertezas. Capacitação contínua, uso de plataformas digitais e atuação consultiva são elementos importantes para fortalecer essa função nos próximos meses. Por isso, é importante que esses profissionais busquem o domínio de dados, a compreensão das novas regulações e a habilidade de integrar soluções tecnológicas ao atendimento ampliam sua relevância na jornada do cliente. 

Preparar-se para o imprevisível: a resiliência como legado e caminho para 2026

Ao passo que o novo ano se desenrola, é importante que o mercado segurador abrace a resiliência para lidar com as crises futuras e com os resquícios de 2025. Os próximos meses exigirão do mercado de seguros a capacidade de aprender com a volatilidade, investir de forma inteligente e atuar de maneira integrada diante de riscos cada vez mais complexos, como a pressão climática, a transformação digital e os desafios regulatórios. A inovação tecnológica, o uso inteligente de dados, a atuação direcionada dos corretores e o compromisso com práticas sustentáveis formam a base desse novo ciclo, em que eficiência e resiliência caminham juntas. Se o ano novo tradicionalmente simboliza recomeços, 2026 se apresenta como um convite à maturidade estratégica do setor. Um período em que aprender com a instabilidade, investir com critério e agir de forma integrada pode transformar incertezas em oportunidades.

Postado em
16/1/2026
 na categoria
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