Inovação

Projeto de lei pode facilitar condução de veículos elétricos pesados e impactar o mercado de seguros automotivos

Projeto em comissão da Câmara permite que motoristas com CNH categoria B conduzam veículos elétricos e híbridos de até 4.250 kg, o que pode acelerar a eletrificação da frota e exigir novas estratégias do mercado de seguros automotivos.
Projeto de lei pode facilitar condução de veículos elétricos pesados e impactar o mercado de seguros automotivos

Mudança na CNH pode acelerar a mobilidade elétrica no país

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou um projeto de lei que permite que motoristas com CNH categoria B dirijam veículos elétricos e híbridos com peso bruto de até 4.250 kg – acima do limite atual de 3.500 kg previsto no Código de Trânsito Brasileiro. A medida inclui modelos com propulsão elétrica ou híbrida com tração predominantemente elétrica, e ainda poderá ser complementada por regras específicas do Contran. A proposta foi ajustada durante a tramitação para contemplar também veículos híbridos e tem como objetivo principal compensar o peso adicional das baterias, que torna esses modelos naturalmente mais pesados do que os carros movidos a combustão. Na prática, a mudança tende a facilitar a adoção de veículos elétricos maiores, como utilitários e SUVs, e pode acelerar o crescimento da mobilidade elétrica no país. Além de estimular a expansão da frota eletrificada, a nova regra relembra as particularidades dos veículos elétricos. Para o mercado de seguros automotivos, é preciso adaptar a avaliação de riscos e desenvolver coberturas mais alinhadas às características desses veículos e ao novo perfil de condutores.

Mudanças no exame da CNH e reflexos no seguro auto

Recentes atualizações nas regras para obtenção da CNH têm gerado debate no setor de mobilidade, o que também tende reverberar no seguro auto. Entre as mudanças está o fim da exigência da baliza como etapa obrigatória no exame prático em alguns estados e a autorização para realizar a prova com veículos automáticos, medidas que buscam aproximar a avaliação das condições reais de trânsito e reduzir barreiras no processo de habilitação. Ao mesmo tempo, essa flexibilização pode ampliar o número de condutores habilitados e modificar o perfil dos motoristas que chegam às ruas. Para as seguradoras, o cenário reforça a importância de acompanhar mais de perto o comportamento ao volante e utilizar dados de condução e histórico do motorista para aprimorar a análise de risco e a precificação do seguro automotivo. 

Expansão da frota elétrica e complexidade tecnológica exigem novas coberturas

A flexibilização da habilitação tende a ampliar o número de motoristas aptos a conduzir veículos elétricos mais pesados, o que pode acelerar a presença desses modelos no mercado brasileiro. Esse movimento acontece ao mesmo tempo em que projeções indicam um aumento expressivo da frota eletrificada até 2040, provocado pela queda no custo das baterias, maior oferta de veículos e evolução gradual da infraestrutura de recarga. Com a popularização dos veículos elétricos, as seguradoras passam a lidar com um perfil de risco diferente, pois, ao contrário dos veículos a combustão, os modelos elétricos concentram grande parte de seu valor em baterias e sistemas eletrônicos, o que pode tornar reparos mais complexos e mais caros. Essas características introduzem variáveis de risco que não são comuns nos modelos convencionais. Por isso, o crescimento da frota traz à tona a necessidade de análises mais precisas e coberturas adaptadas às características tecnológicas desses veículos.

Condução, dados e novos protocolos passam a ganhar protagonismo

Com as mudanças previstas na legislação, dirigir veículos elétricos mais pesados pode exigir dos condutores uma adaptação maior, sobretudo em relação à tecnologia embarcada, ao peso adicional e à dinâmica diferente desses modelos. Nesse cenário, soluções baseadas em dados ganham espaço, já que permitem acompanhar padrões de condução e frequência de uso do veículo, contribuindo tanto para reduzir acidentes quanto para tornar a precificação do seguro mais precisa. Ao mesmo tempo, o avanço da frota elétrica exige a revisão de protocolos de atendimento e de inspeção após sinistros. As baterias de íons de lítio, por exemplo, apresentam comportamentos distintos em casos de colisão ou incêndio, o que demanda maior preparo técnico de equipes de assistência, oficinas e peritos. Diante disso, começam a surgir modelos de seguro que integram informações do próprio veículo à apólice, permitindo ajustar o valor do prêmio de forma mais dinâmica, conforme o perfil do motorista e a forma de utilização do automóvel. Essas possibilidades indicam uma tendência clara de transformação no setor nos próximos anos. 

Atualização regulatória e orientação adequada

À medida que veículos com maior nível de tecnologia passam a fazer parte da frota, cresce a pressão para que normas, critérios de precificação e modelos de cobertura acompanhem essa nova realidade. Reguladores e entidades do setor têm discutido caminhos para adaptar regras às particularidades dos veículos elétricos e híbridos, que envolvem riscos técnicos diferentes e custos de reparo mais complexos. Nesse contexto, a orientação ao consumidor ganha ainda mais relevância. Explicar de forma clara quais coberturas são mais adequadas, quais riscos exigem atenção e como funciona a proteção para baterias, sistemas eletrônicos e assistência especializada passa a ser um diferencial importante. Além disso, corretores, seguradoras e demais agentes do mercado precisarão atualizar conhecimentos, compreender melhor a tecnologia envolvida nesses veículos e oferecer soluções mais alinhadas ao novo perfil de mobilidade que começa a se consolidar no país. 

O seguro acompanha a transformação da mobilidade

A flexibilização das regras para condução de veículos elétricos revela como a mobilidade está entrando em uma nova etapa de transformação no Brasil, em que tecnologia, legislação e comportamento dos motoristas passam a evoluir de forma simultânea. Para o mercado de seguros automotivos, esse movimento não representa apenas o surgimento de novos produtos, mas uma reconfiguração da forma de avaliar riscos, precificar apólices e orientar consumidores. Veículos mais conectados, com componentes tecnológicos complexos e padrões de uso distintos, exigem análises mais sofisticadas e soluções de proteção que acompanhem essa evolução. Ao mesmo tempo, cresce a importância de dados, capacitação técnica e atualização regulatória para sustentar essa transição. Considerando isso, seguradoras, corretores e reguladores devem assumir um papel relevante na construção de um ambiente de mobilidade mais seguro e preparado para as mudanças tecnológicas.

Postado em
26/3/2026
 na categoria
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