Comportamento de risco no trânsito: o impacto das manobras perigosas de motociclistas no mercado de seguros
.png)
Imprudência nas vias urbanas e os reflexos no setor segurador
Manobras perigosas realizadas por motociclistas em vias urbanas são atitudes imprudentes que acendem um alerta não só para as autoridades de trânsito, mas para o seguro de automóveis. Práticas como empinar motos e realizar exibições arriscadas disputas em vias públicas aumentam a possibilidade de acidentes graves, o que gera maior preocupação no trânsito, além de afetar as seguradoras com a incidência da sinistralidade no segmento, sobretudo diante do aumento da exposição ao risco e da elevação dos índices de mortalidade de condutores do veículo. Um caso recente ocorreu em Ivaiporã, no Paraná, onde um motociclista, após ser flagrado realizando manobras perigosas em via pública, fugiu da abordagem policial e abandonou a moto, posteriormente apreendida pelas autoridades. Além das perdas financeiras, os episódios envolvendo direção imprudente ampliam a complexidade dos processos de regulação e reforçam a necessidade de estratégias voltadas à prevenção.
Empinar moto é infração grave conforme a lei
Empinar motocicletas em vias públicas, atitude conhecida como “dar grau” se enquadra como infração gravíssima, prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Esse tipo de manobra pode ultrapassar a esfera administrativa e ser caracterizada como crime de trânsito quando coloca em risco a integridade de terceiros. O artigo 244 do CTB estabelece penalidades severas para motociclistas flagrados realizando malabarismos ou equilibrando o veículo em apenas uma roda, o que inclui multa, suspensão da CNH e recolhimento da habilitação. Em situações nas quais a prática gera perigo efetivo à segurança pública ou privada, o enquadramento pode avançar para o artigo 308 do Código, que trata da exibição de perícia não autorizada em via pública, prevendo até pena de detenção. Além de elevar a frequência de acidentes, a direção imprudente torna os processos de regulação mais delicados para as seguradoras. Em muitos casos, a complexidade regulatória aumenta ainda mais quando há fuga do condutor, ausência de identificação do veículo ou disputas relacionadas à cobertura securitária.
Alta da mortalidade em acidentes com motos aumenta pressão sobre o SUS e preocupa os seguros
O crescimento acelerado da frota de motocicletas no Brasil transformou os motociclistas em um dos grupos mais vulneráveis do trânsito. Com base em uma matéria do Abetran (Associação Brasileira de Educação para o Trânsito), nas últimas décadas, a participação das motos nas mortes por acidentes saltou de cerca de 3%, no fim dos anos 1990, para quase 40% em 2023, segundo o estudo “Mortalidade e morbidade das motocicletas e os riscos da implantação do mototáxi no Brasil”. Ainda conforme a publicação, no mesmo período, as internações no SUS por acidentes com motos ultrapassaram 160 mil casos, concentrando aproximadamente 60% das hospitalizações relacionadas a acidentes de transporte terrestre, além de impulsionar fortemente os gastos hospitalares públicos. Nos grandes centros urbanos, onde as motos se consolidaram como ferramenta central de mobilidade e trabalho, a situação se mostra ainda mais crítica. Em São Paulo, motociclistas responderam por 45% das mortes no trânsito no primeiro trimestre de 2026, conforme dados do Infosiga, do Detran-SP. Há dez anos, essa participação girava em torno de 30%, o que demonstra o agravamento do cenário. Para o mercado segurador, esse contexto aumenta a percepção de risco envolvendo a categoria, uma vez que ocorrências desse tipo frequentemente resultam em indenizações elevadas, invalidez permanente e despesas assistenciais mais complexas, ampliando a pressão sobre seguradoras que atuam no segmento.
Comportamento do condutor e a influência nas coberturas
Com o aumento dos acidentes envolvendo motociclistas e das práticas perigosas no trânsito, seguradoras podem aprimorar seus modelos de análise de risco para tornar a subscrição mais precisa e sustentável. O perfil de condução do cliente ganha relevância na definição do valor das apólices, especialmente em casos que envolvem histórico de infrações, direção agressiva ou exposição frequente a situações de risco. Os corretores também assumem papel importante ao orientar os segurados sobre os fatores que impactam diretamente a contratação do seguro, as condições de cobertura e o custo final do serviço. Hábitos como excesso de velocidade, uso inadequado da motocicleta e envolvimento em práticas ilegais podem aumentar significativamente o valor do prêmio e, em alguns casos, dificultar até mesmo a aceitação do seguro pelas companhias. Por isso, muitas seguradoras já incluem cláusulas específicas que restringem ou excluem a cobertura em acidentes causados durante manobras proibidas ou atividades ilícitas, reduzindo a exposição financeira referente a comportamentos considerados de alto risco.
Telemetria e monitoramento transformam a gestão de riscos
A tecnologia pode ser uma das principais aliadas do mercado segurador no enfrentamento desse problema. Ferramentas de telemetria, rastreamento e monitoramento em tempo real permitem identificar padrões de condução considerados perigosos, como acelerações bruscas, excesso de velocidade e comportamentos incompatíveis com uma direção segura. Esse movimento fortalece os modelos de seguro baseados em uso e comportamento, conhecidos como UBI (Usage Based Insurance). Nesse formato, motociclistas que mantêm uma condução prudente podem receber descontos, benefícios e condições mais vantajosas. O avanço de câmeras embarcadas e aplicativos integrados também ajudam na capacidade das seguradoras de analisarem ocorrências com maior precisão, reduzindo fraudes e contribuindo para processos regulatórios mais transparentes.
Educação e conscientização espaço no combate à imprudência
Ações de educação no trânsito são medidas importantes para reduzir comportamentos perigosos nas vias urbanas Campanhas de conscientização, programas educativos e parcerias entre seguradoras, corretores e órgãos públicos têm sido utilizados como ferramentas para estimular uma condução mais responsável e diminuir a exposição ao risco. O objetivo é ampliar a percepção sobre as consequências provocadas pela direção imprudente, não apenas em relação à segurança do condutor, mas também aos impactos humanos, financeiros e sociais gerados pelos acidentes de trânsito. Portanto, a atuação conjunta entre iniciativa privada e poder público tende a se tornar um dos principais caminhos para fortalecer a segurança viária e minimizar os riscos no setor segurador.
Segurança viária e cultura de prevenção
Como abordado acima, a imprudência nas vias urbanas impacta diretamente a saúde pública, eleva os custos operacionais das seguradoras e pressiona o mercado a desenvolver medidas de prevenção e gestão de riscos. Recursos tecnológicos como telemetria, monitoramento digital e análise de comportamento ajudam numa avaliação mais precisa dos condutores e incentivam hábitos de direção mais seguros. O uso dessas ferramentas ajuda seguradoras a reduzir perdas financeiras, ao mesmo tempo em que estimula uma cultura de maior responsabilidade no trânsito. Entretanto, a redução dos acidentes não depende apenas de fiscalização ou de cláusulas restritivas nas apólices. Investimentos em educação viária, campanhas de conscientização e incentivo à condução responsável tendem a ser fundamentais para transformar o comportamento dos motociclistas e diminuir os impactos humanos e econômicos provocados pelos sinistros. Com as motos ocupando mais as vias, o mercado segurador precisará equilibrar proteção, acessibilidade e prevenção, ajudando na construção de um trânsito mais seguro. Assim, a combinação entre educação no trânsito e incentivos a boas práticas de condução é de suma importância para reduzir acidentes e conscientizar motociclistas.


.jpg)

%20(3).gif)
%20(1).gif)


.gif)
.gif)



.gif)
.gif)


.gif)
%20(3).gif)




.jpg)

.gif)

.jpg)

%20(6).gif)
.gif)
.gif)
.gif)

.png)



.png)

.png)










.png)