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Novo radar que usa IA para detectar infrações no trânsito pode ajudar seguro auto?

Dados gerados por fiscalização com inteligência artificial ajudam a transformar infrações por distração em informação relevante para precificação, prevenção e leitura da sinistralidade.
Novo radar que usa IA para detectar infrações no trânsito pode ajudar seguro auto?

A reportagem exibida pelo Fantástico no domingo (4) mostrou como radares com inteligência artificial passaram a identificar, em rodovias brasileiras, infrações associadas ao uso do celular ao volante e à ausência do cinto de segurança. As câmeras, de alta resolução, operam dia e noite, analisam imagens em tempo real e contam com validação de agentes humanos antes da aplicação de multas. Em trechos onde o sistema foi implantado, concessionárias relatam queda nos índices de acidentes, enquanto crescem os registros de motoristas flagrados distraídos com o telefone. A questão é que, a partir do momento que esse novo radar torna esses comportamentos mais visíveis e mensuráveis, a fiscalização também produz informações relevantes para o setor de seguros, que depende da leitura de padrões de risco para entender a dinâmica dos acidentes.

Distração ao volante como fator mensurável de acidente

O uso do celular amplia a probabilidade de colisões por três vias bem documentadas pela medicina do tráfego: mãos fora dos comandos, olhos fora da via e atraso na reação diante de situações inesperadas. De acordo com o especialista ouvido pela reportagem, há uma epidemia de distração.“Nós estamos vivendo uma nova epidemia, que é a epidemia da distração. Antigamente, as pessoas apenas falavam ao celular. Hoje, dirigem digitando mensagens, o que aumenta o potencial risco de acidente", disse ele.  Esse novo tipo de radar deixa ainda mais explícito um comportamento que já vinha pressionando as estatísticas, levando em conta que o uso do celular ao volante já é a principal causa de acidentes no Brasil.

Leitura de sinistralidade baseada em padrões de condução

Para o setor de seguros, esse tipo de informação contribui para refinar a leitura da sinistralidade. Infrações ligadas à distração ao volante revelam padrão de condução e repetição de comportamento. Quando esses registros se concentram em determinados trechos, horários ou regiões, cresce a probabilidade de acionamento de coberturas por colisão, danos a terceiros e invalidez. Ao tornar esses padrões mais visíveis e ao reduzir a ocorrência de acidentes em alguns pontos, a fiscalização pode influenciar o volume de sinistros e a própria estrutura de custos que sustenta o seguro automotivo.

O que a repetição revela sobre o risco no trânsito

Além disso, a leitura desses dados ajuda a aumentar a previsibilidade. Quando infrações por distração se acumulam em determinados contextos, o risco passa a integrar séries observáveis, úteis para análises mais consistentes. Esse tipo de evidência permite às seguradoras calibrar expectativas de frequência e severidade de sinistros, além de sustentar estratégias de prevenção que dialogam com a realidade do trânsito.

Efeitos sobre produtos e estratégias de precificação

Pode ainda haver desdobramentos sobre precificação e desenho de produtos. Informações mais consistentes sobre as causas dos acidentes ampliam o espaço para apólices que considerem histórico de comportamento (como a seguradora Justos já faz), uso de telemetria ou programas de orientação ao condutor. Fica mais fácil ajustar o cálculo do risco a partir de evidências verificáveis.

Um trânsito menos mecânico e mais comportamental

Os novos radares com IA são, portanto, uma evolução em prol da segurança no trânsito e, por via de consequência, da avaliação de riscos pelas seguradoras. A partir do uso deles os riscos ligados ao trânsito ficam mais mensuráveis e perceptíveis, sobretudo, a respeito de como as pessoas interagem com ele. Assim, quando a fiscalização identifica distrações com maior precisão e os acidentes recuam, o impacto alcança seguradoras, corretores e consumidores, que passam a lidar com um risco mais mensurável e, em muitos casos, mais evitável.

Postado em
13/1/2026
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