Vírus Nipah cria alertas na Ásia e acende novos desafios para o mercado de seguros

A confirmação de um novo surto do vírus Nipah na Índia desencadeou novos protocolos de vigilância sanitária em aeroportos da Ásia e colocou no radar internacional um patógeno com alta taxa de letalidade e sem vacina disponível. Identificado em 1999, o Nipah voltou a mobilizar autoridades após dois profissionais de saúde testarem positivo no início de janeiro, levando à quarentena preventiva de cerca de 110 pessoas em um estado da Índia. A reação regional rápida se deu pelo histórico do vírus e por seu potencial de disseminação, motivo pelo qual ele integra a lista de doenças monitoradas pela Organização Mundial da Saúde ao lado de Ebola, Zika e da covid-19. Para o setor de seguros, esse episódio remete diretamente à experiência recente da pandemia.
A experiência da covid-19 como limiar crítico para as seguradoras
Em 2020, a disseminação da covid-19 impôs às seguradoras um tipo de risco que não estava nas projeções atuariais, já que se tratou de uma crise sanitária prolongada, com impacto direto sobre mortalidade, sinistralidade e liquidez. No Brasil, entre abril de 2020 e maio de 2022, as indenizações relacionadas à doença somaram R$7 bilhões, com maior concentração em 2021, durante a segunda onda. O seguro de vida absorveu a maior parte dos pagamentos, fato esse que mostra como eventos epidemiológicos podem se traduzir em pressão financeira para o setor, mesmo quando as apólices não foram concebidas tendo uma pandemia como hipótese central.
Relação entre surtos sanitários e efeitos econômicos seguráveis
No entanto, a conexão entre a notícia sobre o Nipah e o mercado segurador não requer projeções alarmistas; ela precisa ser feita por conta da lógica de causa e consequência que as une. Medidas preventivas em aeroportos, por exemplo, tendem a reduzir a probabilidade de disseminação, mas também geram custos operacionais e impactos indiretos em cadeias de transporte e turismo. Em um quadro mais amplo, surtos regionais podem influenciar revisões contratuais, critérios de subscrição e discussões sobre exclusões e coberturas em produtos de vida e saúde. O mesmo vale para seguros corporativos, em especial aqueles ligados a afastamento de funcionários, continuidade de negócios e gestão de riscos sanitários em ambientes produtivos.
Riscos epidemiológicos e impactos diretos sobre produtos de seguro
Está claro que o alerta em torno do Nipah não significa uma repetição automática do quadro que se desenhou durante a pandemia de covid, mas aponta para um aprendizado institucional. Diferentemente do início da covid-19, hoje existe um acompanhamento mais estruturado de riscos biológicos, tanto por autoridades de saúde quanto por agentes econômicos. Para as seguradoras, isso significa lidar com um ambiente em que a ocorrência de surtos localizados passa a ser considerada uma variável permanente, ainda que de baixa probabilidade. A questão da ausência de vacina e a possibilidade de transmissão entre humanos ampliam o grau de atenção, sobretudo em linhas de seguros que se relacionam com mobilidade internacional, vida, saúde e até interrupção de atividades empresariais.
Desempenho financeiro das seguradoras durante a crise sanitária
De acordo com o artigo “O Impacto da Covid-19 nos indicadores econômico-financeiros das seguradoras Brasileiras”, publicado pela USP, baseada em dados da Susep, indica que, embora a covid-19 tenha afetado negativamente indicadores de rentabilidade das seguradoras brasileiras, os índices de liquidez e estrutura de capital permaneceram em patamares considerados adequados. O levantamento reforça que o setor conseguiu atravessar a crise sem comprometer sua capacidade operacional, mesmo diante de um volume de sinistros muito acima do padrão histórico.
O vírus Nipah como variável permanente de atenção ao risco
Assim, o novo surto do vírus Nipah ocorre em um contexto distinto daquele enfrentado no início da covid-19. Hoje, autoridades sanitárias, empresas e seguradoras operam com protocolos mais estruturados de vigilância, resposta e avaliação de risco, fruto de uma experiência recente que impôs custos humanos e econômicos elevados. Para as seguradoras, a discussão passa a ser como incorporar esse tipo de risco de forma técnica, prudente e compatível com a realidade, sem transferir incertezas de maneira desproporcional ao consumidor. O aprendizado deixado pela covid-19, aliado ao monitoramento antecipado de ameaças como o Nipah, aponta para um setor que já aprendeu que, quando o problema se instala, é preciso acompanhar, avaliar e ajustar suas engrenagens diante de sinais ainda iniciais.


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