Fim da patente do Ozempic deve acelerar genéricos e impactar as seguradoras de saúde

O fim da exclusividade e o início de uma nova fase no mercado farmacêutico
O vencimento da patente da semaglutida no Brasil, previsto para março de 2026, encerra a exclusividade do Ozempic e do Wegovy e inicia uma nova etapa no mercado farmacêutico. A chegada de genéricos e similares tende a intensificar a concorrência, reduzir preços e ampliar significativamente o acesso aos tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade. O Ozempic se popularizou bastante no país nos últimos anos, alcançando R$ 3,1 bilhões em 2023, em um segmento que hoje movimenta cerca de R$ 11 bilhões ao ano – conforme divulgado no Times Brasil. Com o fim da patente, analistas projetam que esse mercado pode dobrar de tamanho já em 2026, impulsionado pela maior oferta e pela democratização do tratamento. Os impactos, porém, vão além da indústria farmacêutica. A ampliação do acesso a essas terapias redefine a demanda por cuidados relacionados à obesidade e impõe novos desafios e oportunidades ao setor de seguros de saúde, cada vez mais pressionado a incorporar estratégias de prevenção e gestão de doenças crônicas.
Obesidade em alta e pressão crescente sobre o sistema de saúde
A obesidade deixou de ser uma questão individual e hoje representa um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Projeções da Fiocruz indicam que, até 2044, quase metade da população adulta será obesa, enquanto uma parcela significativa estará acima do peso, cenário associado ao avanço de doenças crônicas e ao aumento da mortalidade. Caso não haja mudanças estruturais, a sobrecarga epidemiológica e econômica sobre o sistema de saúde tende a se intensificar. Esse crescimento é causado por fatores como hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, desigualdades sociais e falta de informação nutricional, especialmente entre populações mais vulneráveis. Nesse contexto, medicamentos para controle metabólico e perda de peso passaram a ocupar papel central no cuidado clínico, deixando de ser apenas soluções estéticas.
Concorrência, inovação e riscos no mercado de medicamentos para emagrecimento
A chegada dos genéricos deve intensificar a concorrência entre laboratórios e impulsionar modelos contratuais mais avançados, com acordos baseados em desempenho, protocolos clínicos integrados e remuneração vinculada a resultados em saúde. Paralelamente, o avanço desses tratamentos também tem estimulado um mercado clandestino. A Anvisa e a Polícia Federal identificaram anúncios fraudulentos e a fabricação ilegal de substâncias como a tirzepatida, sem qualquer controle sanitário. Esses esquemas exploram a busca por emagrecimento rápido e expõem consumidores a riscos graves, já que medicamentos da classe GLP-1 exigem prescrição e acompanhamento médico. O uso indiscriminado, especialmente de produtos falsificados ou adquiridos fora do mercado regulado, amplia os perigos à saúde e reforça a necessidade de informação, fiscalização e uso responsável dessas terapias.
Ampliação de coberturas e fortalecimento da prevenção
A redução de custos proporcionada pela entrada de medicamentos genéricos para emagrecimento abre espaço para uma revisão das atuais políticas de cobertura dos planos de saúde, que historicamente restringem esse tipo de terapia quando não vinculada diretamente ao tratamento do diabetes. Esse novo cenário favorece a ampliação do acesso de forma financeiramente sustentável e reposiciona o enfrentamento da obesidade como eixo central das estratégias do setor de saúde suplementar. Com a expectativa de crescimento acelerado do mercado de canetas emagrecedoras, o foco das operadoras tende a migrar do tratamento pontual para uma abordagem preventiva e contínua, reduzindo a progressão de comorbidades de alto custo, como doenças cardiovasculares e metabólicas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a iniciativa do governo em reduzir os preços do Wegovy e do Zepbound visou justamente ampliar a acessibilidade e aumentar a adesão aos tratamentos, enfrentando barreiras impostas por valores elevados e coberturas limitadas. Embora ainda seja incerto o impacto direto dessas medidas no Brasil, a sinalização de queda expressiva nos preços evidencia uma tendência global de democratização do tratamento.
Novas lógicas de precificação e desenho de planos
A popularização das canetas emagrecedoras também impõe a necessidade de repensar os modelos de precificação dos planos de saúde. Soluções que incorporam terapias farmacológicas dentro de uma estratégia preventiva tendem a se destacar em um mercado mais competitivo. Ganham espaço planos personalizados e programas de saúde populacional que integram medicamentos, acompanhamento médico contínuo, orientação nutricional e apoio psicológico. Nesse modelo, o foco deixa de ser apenas o tratamento pontual da doença e passa a priorizar a gestão contínua e integrada da saúde do beneficiário.
Tecnologias digitais e inteligência de dados no equilíbrio do sistema
A incorporação de soluções tecnológicas avançadas tornou-se um elemento central para a sustentabilidade do setor de saúde. Ferramentas desenvolvidas por health techs possibilitam acompanhar, em tempo real, a continuidade dos tratamentos, a evolução do quadro clínico e os hábitos dos pacientes, oferecendo uma visão mais aprofundada sobre riscos e eficiência dos investimentos. Com a obtenção de informações clínicas e comportamentais, as seguradoras podem agir de maneira mais assertiva, aprimorar a personalização do atendimento e fomentar maior participação dos beneficiários no cuidado com a própria saúde.
Aumento ao acesso, prevenção e papel do seguro
A chegada dos genéricos amplia o acesso a tratamentos eficazes contra a obesidade, acelera a inovação e obriga o setor de seguros de saúde a repensar seu papel diante de um dos maiores desafios sanitários do século. As seguradoras podem, portanto, avançar para estratégias preventivas, baseadas em dados, tecnologia e cuidado contínuo. Ampliar coberturas, adaptar planos, integrar terapias farmacológicas a programas multidisciplinares e usar inteligência analítica para gestão de risco é um conjunto de ações que tende a trazer benefícios tanto para os pacientes quanto para as companhias. Por outro lado, o maior acesso a esses medicamentos reforça a importância da responsabilidade regulatória, do combate ao mercado ilegal e da educação do consumidor, garantindo que a democratização do acesso venha integrada à segurança, acompanhamento médico e uso consciente. Por isso, a indústria de forma geral precisa abraçar essa novidade, no intuito de gerar valor, fortalecer a confiança dos consumidores e contribuir para um sistema de saúde mais eficiente e adequado às necessidades de indivíduos com comorbidades.


%20(1).gif)
%20(3).gif)
.gif)

.gif)

.gif)
%20(3).gif)

.gif)
.gif)

.gif)


.gif)

.gif)
.gif)
.gif)
%20(6).gif)
















.png)