Drones na agricultura: nova era para seguros rurais no Brasil

Drones ganham espaço no campo e fortalecem a gestão de riscos
O uso de drones na agricultura brasileira cresceu de forma acelerada nos últimos anos, passando de cerca de 3 mil equipamentos em 2021 para 25 mil em 2024. Conforme uma matéria veiculada no g1, o aumento da utilização desses equipamentos é causado pelos ganhos de produtividade, redução de custos e diminuição das perdas nas lavouras. De acordo com a Embrapa, as aeronaves conseguem cobrir grandes áreas de cultivo sem causar danos às plantações, ao contrário do tráfego de máquinas pesadas. Esse diferencial pode reduzir perdas em culturas como soja e arroz, além de otimizar a aplicação de insumos e o monitoramento das propriedades. Para operá-los, os produtores devem seguir regulamentações específicas estabelecidas por órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Além dos benefícios para a produção agrícola, os drones vêm se tornando aliados importantes na gestão de riscos. Equipados com sensores e câmeras de alta precisão, eles permitem identificar rapidamente pragas, doenças, falhas no plantio e alterações nas condições do solo. Essas informações aumentam a capacidade de monitoramento das lavouras e fornecem dados valiosos para que seguradoras do segmento agrícola, por exemplo, realizem avaliações de risco mais precisas e eficientes.
Mais precisão na avaliação de riscos
A atividade agrícola sempre esteve sujeita a fatores difíceis de prever, como eventos climáticos extremos, pragas e oscilações ambientais. Nesse cenário, a disponibilidade de dados precisos e atualizados é um diferencial relevante para seguradoras e produtores. Com imagens aéreas de alta resolução e informações coletadas em tempo real, os drones permitem uma análise mais detalhada das condições das culturas ao longo de todo o ciclo produtivo. Isso possibilita a construção de modelos de risco mais assertivos, reduzindo incertezas e contribuindo para uma precificação mais adequada das apólices. Além disso, a tecnologia favorece inspeções remotas e periódicas, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para propriedades rurais, especialmente em regiões de difícil acesso. Como resultado, é possível obter uma operação mais ágil, eficiente e economicamente sustentável.
Seguro rural enfrenta desafios e busca novos caminhos para crescer
Embora o agronegócio seja um dos pilares da economia brasileira, a cobertura securitária no campo ainda alcança uma parcela reduzida da área cultivada. Nos últimos anos, o setor enfrentou uma retração significativa, com a área segurada caindo de 13,45 milhões para 3,2 milhões de hectares, segundo levantamento do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV). Conforme o estudo, seriam necessários cerca de R$ 2,37 bilhões para recuperar o nível de cobertura observado anteriormente. O valor poderia chegar a R$ 2,57 bilhões caso fossem ampliados os incentivos à contratação do seguro rural. Os pesquisadores apontam que a instabilidade nos recursos destinados à subvenção tem comprometido a previsibilidade do programa, considerado um dos principais mecanismos de proteção contra perdas no agronegócio. Isso possui ainda mais relevância diante do aumento dos eventos climáticos extremos, da maior volatilidade da atividade agrícola e dos desafios enfrentados pelos produtores no acesso ao crédito. Dessa forma, iniciativas capazes de aprimorar a avaliação de riscos e aumentar a eficiência operacional das seguradoras, como o uso de drones, inteligência artificial e monitoramento remoto, surgem como ferramentas importantes para fortalecer o mercado e ampliar o alcance do seguro rural no país.
Tecnologia e políticas públicas podem redefinir o futuro do seguro rural
Os recursos tecnológicos adotados pelo agronegócio podem favorecer o desenvolvimento de soluções e análise avançada de dados para aprimorar a gestão de riscos no campo. Com imagens captadas em tempo real e modelos preditivos mais sofisticados, seguradoras conseguem identificar padrões, antecipar potenciais perdas e oferecer coberturas específicas para as características de cada propriedade rural. Isso favorece o surgimento de modalidades inovadoras, como os seguros paramétricos, que utilizam indicadores objetivos para agilizar indenizações e elevar a eficiência operacional do setor. Para entidades representativas, o fortalecimento do seguro rural segue no centro das discussões entre mercado e poder público. Recentemente, representantes da CNseg defenderam a ampliação dos recursos destinados ao segmento durante reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin. A entidade ressaltou que o agronegócio continua sendo um dos pilares da economia nacional, apesar de apenas uma pequena parcela da área cultivada estar protegida por apólices. Para que a modernização tecnológica produza resultados efetivos, no entanto, é importante que haja investimento em capacitação, integração de sistemas e desenvolvimento de novas metodologias de análise. Seguradoras, reguladores e produtores têm um papel decisivo na construção de um ecossistema que pode utilizar dados para a proteção, fornecendo mais segurança financeira e resiliência ao agro.
Uma nova visão para proteger o campo
A evolução do seguro rural tem precisado cada vez mais da capacidade de antecipar cenários e responder com agilidade aos desafios do campo. Os drones, nesse caso, representam muito mais do que uma inovação tecnológica, mas refletem uma mudança na forma de compreender e gerenciar os riscos que cercam a atividade agropecuária. Ao fornecer informações precisas sobre o comportamento das culturas e as condições das propriedades, essas ferramentas contribuem para aproximar seguradoras e produtores por meio de uma gestão de riscos mais transparente e que traz evidências mais mensuráveis. Em um mercado que ainda busca expandir sua cobertura e fortalecer sua estrutura, sua presença no campo e responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a utilização de mecanismos que otimizam a análise de riscos, pode destravar obstáculos do segmento. Portanto, a capacidade de antecipar problemas, melhorar e agilizar análises e desenvolver coberturas mais alinhadas à realidade do produtor pode ajudar a fortalecer a cultura desse tipo de seguro no Brasil e garantir resultados mais expressivos no futuro, protegendo e prevenindo o agro e seus dependentes de perdas mais severas.




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