Inovação

Cinco anos depois, Justos combina autonomia digital e participação do corretor no seguro auto

O Head comercial da Justos, explica como a cotação simplificada, integração com assessorias, telemetria, diferentes formas de contratação e novos canais de atendimento melhoraram a relação entre seguradora, corretor e segurado desde 2020.
Cinco anos depois, Justos combina autonomia digital e participação do corretor no seguro auto

Nos últimos cinco anos, a ampliação das jornadas digitais no seguro auto abriu novas possibilidades de contratação e atendimento, acompanhadas pela necessidade de orientação na escolha e ao longo da vigência da apólice. Em conversa com a Insurtalks, Felipe Genovesi, head comercial da Justos, analisou como essa convivência entre autonomia digital e participação do corretor orientou a evolução da companhia desde 2020. O executivo falou sobre a aproximação com assessorias, a simplificação da cotação, o uso de informações sobre a condução, a abertura de sinistros pelo aplicativo e pelo portal do corretor e a oferta de apólices mensais e anuais. Genovesi também abordou a comunicação sobre risco, preço e coberturas e explicou por que, na visão da Justos, a tecnologia encontra maior utilidade quando reduz tarefas operacionais e preserva espaço para que o corretor oriente o cliente e participe das decisões ao longo da relação com o seguro. 

Insurtalks: A Justos iniciou sua operação em um período no qual a contratação digital ganhou espaço e, nos anos seguintes, ampliou sua aproximação com corretores e assessorias. O que a experiência da empresa permite identificar sobre a evolução dessa relação desde 2020?

Felipe Genovesi: Quando a Justos nasceu, muita gente acreditava que a digitalização diminuiria o papel do corretor. O que vimos foi justamente o contrário. O cliente quer uma experiência simples e rápida, mas continua valorizando alguém que o ajude a entender o produto e tomar uma boa decisão.

Ao longo desses anos, percebemos que a tecnologia faz mais sentido quando elimina burocracias e libera tempo para o corretor exercer seu papel consultivo. Hoje, a relação é muito mais colaborativa: a seguradora investe em ferramentas para facilitar a operação, enquanto o corretor se concentra em orientar o cliente e construir confiança.

Insurtalks: Em 2024, a Justos expandiu sua distribuição por meio de novas assessorias de seguros em diferentes regiões do país. O que essa aproximação com essas empresas ensinou à companhia sobre as necessidades dos corretores?

Felipe Genovesi: Essa aproximação reforçou algo que já vínhamos percebendo: o corretor quer vender mais, mas sem aumentar a carga operacional. Quanto mais simples for a cotação, o acompanhamento da apólice e o atendimento, maior é o tempo que ele pode dedicar ao relacionamento com o cliente.

Também aprendemos que ouvir quem está na ponta faz muita diferença. Muitas melhorias que implementamos nasceram justamente das conversas com corretores e assessorias, porque são eles que convivem diariamente com os desafios da operação.

Insurtalks: A cotação da Justos está integrada a multicálculos e pode ser iniciada com poucas informações. Como a redução das etapas operacionais altera o trabalho realizado pelo corretor antes da contratação?

Felipe Genovesi: Quando a cotação acontece de forma mais rápida, o corretor consegue focar menos em preencher informações e mais em entender o perfil do cliente. Isso muda bastante a dinâmica da venda. Em vez de gastar tempo com processos, ele pode explicar coberturas, esclarecer dúvidas e ajudar o cliente a escolher a solução mais adequada. A tecnologia não substitui essa conversa; ela cria espaço para que ela aconteça.

Insurtalks: A Justos utiliza informações sobre a condução para compor sua relação com o segurado. Que novas demandas esse modelo trouxe para a comunicação entre cliente, corretor e seguradora?

Felipe Genovesi: Esse modelo exige uma comunicação muito mais transparente. Como o comportamento do motorista faz parte da experiência com o seguro, é importante que o cliente entenda como isso funciona desde o primeiro contato.

Nesse processo, o corretor tem um papel fundamental. Ele ajuda a traduzir o modelo da Justos, explica como a tecnologia é utilizada e esclarece dúvidas. É uma conversa que vai além de preço e cobertura e passa também por mostrar como um seguro baseado em comportamento funciona na prática.

Insurtalks: Em 2026, a companhia permitiu que os corretores abrissem sinistros diretamente pelo portal, ao mesmo tempo que o segurado pode realizar esse procedimento pelo aplicativo. O que levou a Justos a manter os dois acessos e como eles se relacionam durante o atendimento?

Felipe Genovesi: Porque entendemos que não existe uma única forma de atender bem todo mundo. Há clientes que preferem resolver tudo pelo aplicativo, enquanto outros se sentem mais confortáveis contando com o apoio do corretor, principalmente em um momento delicado como um sinistro.

Os dois caminhos convivem justamente para oferecer flexibilidade. Quem quer autonomia pode seguir pelo app. Quem prefere ter o corretor ao lado também encontra esse suporte. No fim, o objetivo é que cada cliente escolha a jornada que faz mais sentido para ele.

Insurtalks: A Justos passou a oferecer apólices mensais e anuais, reunindo modalidades que pressupõem formas diferentes de contratação e permanência. O que a convivência entre esses modelos revelou sobre as expectativas dos clientes e a participação do corretor na escolha do seguro?

Felipe Genovesi: Mostrou que não existe um único perfil de consumidor. Alguns clientes valorizam mais flexibilidade, enquanto outros preferem previsibilidade e uma relação de longo prazo.

Nesse cenário, o corretor ganha ainda mais importância porque consegue entender o contexto de cada pessoa e indicar a modalidade que melhor atende às suas necessidades. A tecnologia amplia as opções, mas continua sendo o corretor quem ajuda o cliente a fazer uma escolha consciente.

Insurtalks: Corretor, seguradora e cliente podem chegar à contratação com avaliações diferentes sobre o risco, o preço e as coberturas necessárias. Como a Justos entende que essas divergências devem ser conduzidas para que a decisão permaneça compreensível para o segurado?

Felipe Genovesi: É natural que existam perspectivas diferentes, porque cada parte olha para o seguro por um ângulo. O importante é que essa conversa aconteça com transparência.

A seguradora precisa explicar de forma clara como funciona o produto, o corretor ajuda a traduzir essas informações para a realidade do cliente e o segurado consegue tomar uma decisão sabendo exatamente o que está contratando. Quando cada um entende seu papel, a relação fica muito mais saudável.

Insurtalks: Depois das mudanças realizadas na distribuição, nos produtos e nas jornadas digitais, qual questão ainda exige maior atenção da Justos para melhorar a coordenação entre corretor, seguradora e cliente?

Felipe Genovesi: Acho que o grande desafio agora é continuar evoluindo a experiência sem perder simplicidade. À medida que surgem novos produtos e funcionalidades, é importante garantir que tudo continue intuitivo para o cliente e eficiente para o corretor. Por isso, mantemos uma escuta muito próxima dos nossos parceiros. Muitas das evoluções que fizemos nasceram desse diálogo, e acreditamos que essa é a melhor forma de continuar aprimorando a relação entre corretor, seguradora e cliente.

Postado em
13/8/2026
 na categoria
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