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Volvo convoca recall do EX30 por risco de incêndio na bateria: o que o episódio sinaliza acerca dos elétricos para o seguro automotivo?

Recalls em veículos elétricos expõem desafios e oportunidades para seguradoras na gestão de riscos e inovação em coberturas.
Volvo convoca recall do EX30 por risco de incêndio na bateria: o que o episódio sinaliza acerca dos elétricos para o seguro automotivo?

Mobilidade elétrica e a transformação dos riscos automotivos

A Volvo anunciou um recall para o EX30, modelo mais acessível da marca no Brasil, após identificar uma falha no processo de fabricação das células da bateria. Segundo a montadora, o problema pode gerar curto-circuito e provocar superaquecimento, com potencial risco de combustão da bateria de alta tensão em situações extremas. Como medida preventiva, a empresa limitou temporariamente a recarga da bateria a 70%, o que reduz significativamente a autonomia do veículo – de 338 km para aproximadamente 236 km. A Volvo informou ainda que está trabalhando para desenvolver uma solução definitiva para corrigir o problema. O caso ressalta que a consolidação da mobilidade elétrica ainda envolve desafios técnicos relevantes, e reforça a necessidade de atenção do mercado segurador na análise de riscos e na estruturação de coberturas adequadas para esse tipo de veículo.

Recall do EX30 expõe impactos de problemas com os VE na sinistralidade

A expansão da mobilidade elétrica redefine o perfil de risco no setor automotivo, criando desafios que vão além da inovação tecnológica. O recall do Volvo EX30 demonstra que problemas ligados às baterias podem desencadear ocorrências de alto custo, com potencial para incêndios, danos extensos ao veículo e substituição de componentes de elevado valor. Esses fatores aumentam significativamente a gravidade dos sinistros e exercem pressão direta sobre a operação das seguradoras. Nesse contexto, torna-se indispensável repensar as coberturas tradicionais, estruturando apólices mais compatíveis com as particularidades dos veículos elétricos, capazes de absorver riscos associados a recalls e falhas elétricas sem comprometer o equilíbrio financeiro do mercado segurador

Cuidados da indústria automotiva com o crescimento dos modelos elétricos

O mercado de veículos elétricos segue crescendo e, no Brasil, a frota de veículos 100% elétricos deve crescer, em média, 26,1% ao ano até 2040, segundo estudo da LCA Consultores encomendado pelo Instituto MBCBrasil. Esse panorama é resultado da redução estrutural no custo das baterias, da ampliação da oferta de modelos e do progresso gradual da infraestrutura de recarga.Diante desse cenário, o crescimento dos veículos elétricos impõe às seguradoras o desafio de rever modelos de avaliação de risco, precificação e cobertura, adaptando-se a um mercado que combina inovação tecnológica, novos padrões de uso e demandas específicas de proteção. A decisão da Volvo evidencia que, mesmo entre fabricantes consolidados, os desafios relacionados à segurança das baterias permanecem relevantes, impactando diretamente seguradoras e corretores que atuam nesse segmento em expansão.

Análise de risco, dados técnicos e comunicação eficiente

À medida que os veículos elétricos ganham espaço, a lógica tradicional de avaliação de riscos passa por uma profunda transformação, exigindo maior foco em prevenção, monitoramento contínuo e compreensão dos riscos tecnológicos envolvidos. Entre os principais pontos de atenção está a segurança das baterias de íon-lítio, componentes de alto valor agregado e elevada complexidade técnica, que concentram boa parte dos riscos e dos custos associados aos sinistros envolvendo veículos elétricos. Na prática, as seguradoras precisam aprimorar seus processos de análise de risco, incorporando informações técnicas dos fabricantes, histórico de falhas, dados de recalls e atualizações constantes sobre o desempenho dos modelos segurados. Além disso, a comunicação rápida e clara durante episódios de recall é fundamental para reduzir prejuízos e preservar a confiança dos clientes. Corretores têm papel estratégico nesse processo, orientando segurados sobre coberturas específicas e auxiliando na compreensão dos impactos e providências necessárias.

Precificação e custos elevados de reparação

Um levantamento apontou que os custos de sinistros em veículos elétricos tendem a ser mais altos do que em carros com motor a combustão, Foi observado que a função de funilaria e reparos após colisões pode sair até R$ 7,9 mil mais cara em um elétrico comparado a um veículo tradicional, refletindo tanto o maior custo das peças originais (OEM) quanto a necessidade de mão de obra especializada e tempo de serviço prolongado. Além disso, procedimentos pós-acidente exigem protocolos específicos de segurança, mão de obra especializada e equipamentos adequados para lidar com sistemas elétricos de alta voltagem, o que amplia o tempo e o valor dos reparos. Diante desse cenário, seguradoras precisam adotar modelos de precificação mais refinados, baseados em dados técnicos, histórico de sinistros e análises preditivas, para refletir com maior precisão o risco real dos veículos elétricos e preservar a sustentabilidade das operações. 

Incidentes, riscos tecnológicos e responsabilidade no desenvolvimento

A crescente automação dos veículos amplia as possibilidades de prevenção, mas também expõe riscos ligados a falhas de software e sistemas eletrônicos. Um incidente divulgado em outubro na China fez um motorista perder a vida após ficar preso dentro de um carro elétrico, por conta de uma falha nas travas eletrônicas. O episódio evidencia como problemas tecnológicos podem comprometer diretamente a segurança humana, levando condutores e passageiros a riscos irremediáveis. Por este motivo, é de suma importância levantar questionamentos acerca da responsabilidade de fabricantes, desenvolvedores de sistemas e seguradoras.

Aspectos regulatórios e proteção ao consumidor

O recall do Volvo EX30 e questões judiciais envolvendo veículos com direção assistida são importantes para garantir a eficiência regulatória, responsabilidade civil e defesa do consumidor. Estar atento às exigências legais é essencial para seguradoras e fabricantes em um cenário de evolução tecnológica. Recentemente, a Tesla foi condenada a pagar US$ 243 milhões por um acidente fatal envolvendo o Autopilot, o que expõe os riscos jurídicos e financeiros associados a veículos autônomos e elétricos, especialmente quando há falhas de uso, limitação ou comunicação da tecnologia. Com a expansão de sistemas ADAS e tecnologias autônomas, os riscos se transformam e isso requer novas cláusulas contratuais, revisão da precificação e um mapeamento mais claro das responsabilidades da indústria e dos profissionais envolvidos. Nesse contexto, a colaboração entre seguradoras e fabricantes, apoiada em telemetria, dados em tempo real e monitoramento contínuo, pode ser um caminho estratégico para ampliar a segurança, reduzir sinistros e dar maior previsibilidade ao mercado.

A reinvenção do seguro automotivo

A mobilidade elétrica deixou de ser uma promessa futura e está trazendo desafios para o setor automotivo. Ao passo que veículos elétricos se popularizam, também se ampliam os riscos tecnológicos, regulatórios e operacionais que exigem uma revisão profunda dos modelos tradicionais de cobertura, precificação e responsabilidade.

Mais do que reagir a falhas pontuais, os episódios envolvendo falhas ilustram a necessidade de uma atuação proativa do mercado de seguros automotivo, baseada em dados, monitoramento contínuo, diálogo com fabricantes e compreensão técnica das novas tecnologias. Baterias, softwares e sistemas automatizados passam a ocupar o centro da gestão de riscos, além da lógica focada apenas no comportamento do condutor. A mobilidade elétrica impõe novos riscos, mas também abre espaço para inovação, desenvolvimento de produtos mais inteligentes e integração entre tecnologia e prevenção. Por isso, é importante que o setor se atente a esta nova realidade, visando investir em gestão proativa de riscos e garantir segurança, competitividade e confiança diante das implicações dos sistemas elétricos.

Postado em
7/1/2026
 na categoria
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