Inovação

Simple2u aborda seguro embarcado a partir de integração, escala e experiência do cliente

Cristiane Junqueiro, Head da Simple2u e da MAG Capitalização, analisa como o Embedded Insurance aproxima a proteção do momento de compra e exige tecnologia, produto, operação e estratégia.
Simple2u aborda seguro embarcado a partir de integração, escala e experiência do cliente

No 50º episódio do Insurtalks Cast, Cristiane Junqueiro, Head da Simple2u e da MAG Capitalização, falou sobre o Embedded Insurance como um modelo que depende de tecnologia, desenho operacional e compreensão do momento em que a proteção faz sentido para o consumidor. Para a executiva, o conceito parte de uma proposta simples, embora sua execução exija estrutura. “A gente está falando de uma forma mais fluida de oferecer o seguro”. Na explicação dela, o produto deixa de ser uma oferta isolada para integrar a experiência do cliente por meio de uma compra, uma contratação de crédito, uma plataforma digital ou outro serviço já utilizado pelo cliente, “quase que como um complemento natural daquela transação”, afirmou ela. 

Na análise sobre o Embedded Insurance, Cristiane detalhou os fatores que explicam o avanço do modelo, os ganhos para empresas que incorporam seguros às suas jornadas, os entraves de integração e o papel dos parceiros nesse tipo de operação. Na sequência, a executiva compartilha sua visão sobre a evolução do modelo, seus desafios de aplicação e os caminhos para que o seguro embarcado ganhe consistência nas jornadas de consumo.Nos próximos trechos, Cristiane aprofunda os principais pontos da conversa, passando por tecnologia, integração, parceiros, corretores e perspectivas para o mercado.

Seguro integrado no momento da decisão 

A ideia do Embedded Insurance é que ele apareça dentro de uma ação que o cliente já está realizando, o que pode ocorrer na compra de um celular, na contratação de crédito ou em plataformas digitais que já concentram serviços.  Segundo Cristiane,“A lógica é simplificar o acesso à proteção, trazer isso para mais próximo do cliente, tornando mais conveniente e relevante”. A frase resume um dos pontos importantes da entrevista: o seguro embarcado precisa estar situado em uma jornada em que o cliente reconheça sua utilidade sem precisar interromper o fluxo da decisão.

Essa mudança acompanha o comportamento de consumidores habituados a experiências digitais mais rápidas e integradas. A executiva citou uma pesquisa segundo a qual 72% dos clientes de bancos digitais no Brasil demonstram interesse em receber ofertas de seguro integrado e, entre clientes de bancos tradicionais, o índice é de 64%. 

Conveniência, valor percebido e conversão

Na avaliação da entrevistada, o principal ganho para as empresas está na relevância da oferta. Quando o seguro aparece no momento adequado, dentro de uma compra ou contratação, ele tende a ser percebido como parte da solução, e não como um produto adicional sem relação direta com a demanda inicial. Cristiane afirmou que “quando o seguro é oferecido no momento certo, dentro de um contexto de compra, ele faz muito mais sentido para o cliente”. Ela também relacionou esse encaixe à conversão, à geração de novas receitas e ao fortalecimento da proposta da empresa que incorpora o seguro à sua jornada.

Seguro mais próximo da realidade do cliente

Para Cristiane, a integração a produtos e serviços aproxima a proteção da vida cotidiana do consumidor e ajuda a reduzir a imagem de um produto burocrático, distante ou acionado apenas em situações extremas. “O seguro deixa de ser percebido como algo burocrático e se torna muito mais tangível e próximo da realidade do cliente”.

A entrevistada também associou esse modelo à continuidade da relação com o cliente. Segundo ela, quando o seguro entrega valor por meio de prevenção, assistência ou suporte em momentos delicados, ele participa da construção de confiança. Essa confiança, em sua análise, sustenta a fidelização e faz com que a empresa seja vista como parceira ao longo do tempo, e não apenas no instante da venda.

Estrutura operacional separa projeto de escala

Apesar do potencial de expansão, Cristiane ressaltou que o Embedded Insurance envolve tecnologia, compliance, gestão especializada e uma proposta aderente à jornada do consumidor. Ofertas genéricas ou desalinhadas com o momento da compra tendem a ter menor capacidade de adesão. Do ponto de vista operacional, a executiva destacou três dimensões: tecnologia, produto e jornada. Embora os três elementos precisem atuar de forma coordenada, ela apontou o desenho da jornada como ponto de partida. “Se a experiência não for bem pensada, mesmo a melhor tecnologia ou o melhor produto pode não performar”.

Integração tecnológica e prioridade interna

Ao comentar os entraves para ampliar esse tipo de operação, Cristiane apontou a integração tecnológica como um dos principais desafios, especialmente em empresas que operam com sistemas legados ou pouco flexíveis. “Se é uma base de tecnologia que não permite conexão via API, com uma jornada fluida, a experiência do cliente acaba sendo um pouco comprometida”, afirmou.Além da tecnologia, há uma questão de prioridade interna: para ganhar escala, o Embedded Insurance precisa deixar a condição de projeto paralelo e entrar na estratégia da empresa, com participação de áreas como produto, tecnologia, comercial, atendimento e marketing.

O papel da Simple2u na articulação entre parceiros

Ao falar da atuação da Simple2u, Cristiane definiu a empresa como uma facilitadora para organizações que desejam incorporar soluções de proteção às suas jornadas. A proposta envolve desde a estrutura tecnológica até o desenho de produtos mais aderentes.

“Nosso papel é atuar como uma facilitadora para as empresas que querem incorporar soluções de proteção nas suas jornadas. E a gente oferece desde a estrutura tecnológica até o desenho de produtos mais aderentes”. Ela explicou que a empresa apoia parceiros com integração via API, curadoria de produtos, desenho da jornada e suporte regulatório.

Detalhando como funciona, na prática, esse apoio, Cristiane tratou o Embedded Insurance como um modelo colaborativo. “As seguradoras conseguem focar no que fazem de melhor, seja vender, distribuir ou engajar os clientes, enquanto contam com a gente, com a Simple2u, para incorporar o seguro de uma forma mais escalável e consistente”.

Corretor pode ampliar atuação em soluções integradas

A presença do corretor de seguros também foi abordada na conversa. Para Cristiane, o modelo não elimina a importância desse profissional, especialmente em produtos mais complexos ou consultivos. A mudança está na possibilidade de atuação em uma camada mais estratégica, com apoio ao desenho de soluções e orientação aos parceiros.

“O corretor continua sendo essencial, principalmente nos produtos mais complexos, mais consultivos”. Segundo a executiva, no Embedded Insurance, ele pode participar da construção da oferta, apoiar empresas parceiras e agregar valor à jornada.

Consolidação do modelo de Insurance as a Service

Na parte final da entrevista, Cristiane afirmou acreditar que o seguro embarcado tende a passar de diferencial competitivo a padrão de mercado em determinados segmentos. A avaliação parte da comparação com outras inovações digitais que, depois de incorporadas ao hábito do consumidor, não são mais vistas como novidade e passam a compor a expectativa mínima de experiência.

Segundo ela, “o seguro embarcado começa como um diferencial, mas à medida que ele ganha escala e maturidade, ele vai passar a ser esperado pelo cliente”. Para as empresas que adotarem o modelo com consistência, a vantagem estaria na construção de relevância e competitividade antes que a integração se torne uma prática mais disseminada.

A estratégia da Simple2u, conforme a executiva, passa pela consolidação do modelo de Insurance as a Service. A proposta é permitir que empresas de varejo, fintechs, mobilidade e plataformas digitais incorporem seguros de forma rápida, customizada e escalável, com emissão instantânea do bilhete e menor carga operacional para os parceiros.

Postado em
15/5/2026
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