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Terremotos na Venezuela reforçam a importância da inovação em seguros para desastres naturais

Como tecnologias emergentes podem transformar a gestão de riscos e a resiliência do setor segurador diante de catástrofes sísmicas.
Terremotos na Venezuela reforçam a importância da inovação em seguros para desastres naturais

Terremoto na Venezuela indica novos desafios para a gestão de riscos

Os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana chamaram a atenção para os desafios impostos por eventos naturais de grande magnitude. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Informação do país, o número de vítimas fatais chegou a 2.645, enquanto 12.666 pessoas ficaram feridas e aproximadamente 15 mil perderam suas moradias. As operações de resgate retiraram 6.462 pessoas de áreas afetadas, e os danos estruturais alcançaram 885 edifícios, dos quais 189 desabaram completamente. A destruição de infraestrutura, a interrupção de serviços essenciais e os custos de reconstrução geram efeitos que se prolongam por anos, afetando empresas, governos e a população. Para o mercado de seguros, o episódio reforça a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção e resposta a catástrofes naturais. Embora terremotos tenham menor incidência em boa parte da América Latina quando comparados a outros eventos extremos, seu alto potencial de perdas faz com que seja necessário o desenvolvimento de modelos de gestão de risco mais preparados. Por isso, tecnologias como IA, análise preditiva e monitoramento em tempo real, aliadas ao desenvolvimento de novas modalidades de cobertura, despontam como instrumentos capazes de tornar o setor mais preparado para enfrentar cenários de alta complexidade.

Desastres naturais ampliam desafios para o mercado segurador

O aumento da frequência e da intensidade dos desastres naturais vem elevando os prejuízos econômicos em escala global e evidenciando os limites dos modelos tradicionais de proteção. Além dos danos materiais causados à infraestrutura, imóveis e veículos, esses eventos comprometem cadeias produtivas, deslocam populações e prolongam os custos de recuperação das regiões atingidas. Dados do mais recente relatório sigma, da Swiss Re, mostram que as perdas seguradas globais decorrentes de catástrofes naturais alcançaram US$ 137 bilhões em 2024 e as projeções estimaram US$ 145 bilhões em 2025. Na América Latina, as 26 catástrofes registradas em 2024 provocaram perdas econômicas de US$ 11,6 bilhões, mas apenas US$ 1,5 bilhão estava protegido por seguros. Ao longo da última década, a região acumulou US$ 100 bilhões em perdas econômicas, dos quais somente US$ 19 bilhões foram indenizados, revelando uma lacuna de proteção de 81%. O cenário brasileiro também ilustra esse desafio. As enchentes no Rio Grande do Sul resultaram na maior perda segurada já registrada para um evento de inundação no país, estimada em US$ 1 bilhão. Diante desse panorama, o setor segurador é chamado a aperfeiçoar seus modelos de avaliação de riscos, incorporando informações climáticas, geológicas, urbanísticas e socioeconômicas à precificação e à gestão das carteiras. 

Tecnologia transforma a prevenção e a resposta aos desastres

Nos últimos anos, a incorporação de tecnologias emergentes vem alterando a forma como o setor segurador acompanha riscos naturais. A Internet das Coisas (IoT), por exemplo, permite instalar sensores capazes de monitorar em tempo real a estabilidade estrutural de edifícios, pontes e outras infraestruturas críticas. Em situações de risco, esses dispositivos fornecem informações instantâneas que auxiliam tanto autoridades públicas quanto seguradoras na tomada de decisões. Já a inteligência artificial e os modelos de análise preditiva conseguem cruzar grandes volumes de dados geológicos, climáticos e históricos para estimar probabilidades de ocorrência, identificar áreas mais vulneráveis e apoiar a precificação dos seguros. As soluções também reduzem o tempo necessário para avaliação dos danos, agilizando a regulação de sinistros e o pagamento de indenizações.

Tecnologia japonesa demonstra o valor da prevenção inteligente

Países que convivem com elevada atividade sísmica vêm desenvolvendo soluções que podem servir de referência para o mercado segurador global. O Japão é um dos principais exemplos ao combinar monitoramento em tempo real, inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados para reduzir os impactos de terremotos e acelerar a resposta a situações de emergência. Um dos destaques é o Earthquake Early Warning (EEW), sistema de alerta precoce operado pela Agência Meteorológica do Japão. A tecnologia identifica as ondas sísmicas primárias (ondas P), que se propagam mais rapidamente e causam menor destruição, enviando alertas segundos e, em alguns casos, mais de um minuto, antes da chegada das ondas secundárias (ondas S), responsáveis pelos danos mais severos. As notificações são distribuídas instantaneamente para celulares, emissoras de televisão e sistemas públicos de comunicação, permitindo que a população procure abrigo e que infraestruturas críticas, como trens de alta velocidade e redes de gás, interrompam automaticamente suas operações para minimizar riscos. Ao integrar monitoramento, análise preditiva e resposta rápida, o modelo japonês fortalece a resiliência das comunidades e oferece importantes referências para segmentos que buscam melhorar sua capacidade de prevenção e recuperação diante de desastres naturais.

Seguros paramétricos ganham relevância diante das catástrofes

Além do avanço tecnológico, o desenvolvimento de novos produtos também tem transformado o mercado de seguros para riscos naturais. Entre as soluções que mais despertam interesse estão os seguros paramétricos. Nesse modelo, a indenização ocorre automaticamente quando um parâmetro previamente definido é atingido, como a magnitude de um terremoto registrada por instituições oficiais, dispensando parte do processo tradicional de vistoria. Esse formato reduz o tempo de liquidação dos sinistros, oferece maior previsibilidade ao segurado e aumenta a transparência das operações, características especialmente relevantes em situações de emergência.

Além disso, seguradoras podem fortalecer sua atuação por meio de parcerias com universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos, utilizando dados geoespaciais e estudos científicos para mapear áreas de maior exposição e apoiar iniciativas de prevenção. Essa cooperação entre conhecimento técnico, inovação e gestão pública contribui para reduzir perdas futuras e fortalecer a capacidade de adaptação das comunidades.

Resiliência se constrói antes da emergência

Os terremotos na Venezuela demonstra que os desastres naturais continuam impondo desafios para governos, empresas e sociedade, e isso requer o desenvolvimento de medidas preventivas para conter danos irreparáveis no futuro. Para o mercado segurador, esse cenário amplia o espaço para soluções que conciliem inovação, prevenção e agilidade operacional. À medida que terremotos, enchentes, tempestades e outros eventos extremos desafiam diferentes regiões do planeta, é preciso que os setores responsáveis por zelar pela segurança busquem soluções para reduzir a possibilidade de desastres ainda maiores. Portanto, transformar informação em prevenção, tecnologia em capacidade de resposta e conhecimento em produtos mais alinhados às novas exposições estimula o papel das seguradoras em um cenário no qual a resiliência passa a integrar os fundamentos da proteção. Em paralelo, iniciativas de integração entre seguradoras, corretores, instituições de pesquisa e poder público fortalecem a construção de um sistema mais preparado para enfrentar eventos de grande impacto. O objetivo não é apenas acelerar indenizações, mas contribuir para reduzir impactos econômicos e sociais desde os primeiros momentos de uma catástrofe.

Postado em
7/7/2026
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