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Proteção a Dois: Bradesco Vida e Previdência lança proteção conjunta para atender novos arranjos familiares e econômicos

Entrevista com Ricardo Campos discute como mudanças nas estruturas familiares abriu espaço para uma cobertura conjunta, com foco em continuidade financeira, contratação simplificada e atuação consultiva do corretor.
Proteção a Dois: Bradesco Vida e Previdência lança proteção conjunta para atender novos arranjos familiares e econômicos

Casais sem filhos, amigos que dividem despesas, sócios que assumem compromissos em conjunto e diferentes arranjos de convivência estão demandando novas abordagens por parte de seguradoras. Essas novas formas de conviver e estabelecer compromissos financeiros se conecta às transformações nas estruturas familiares e nas relações econômicas entre duas pessoas, que vêm exigindo ajustes na forma como o mercado de seguros organiza a proteção financeira. No 48º episódio do Insurtalks Cast, a jornalista Thais Ruco partiu desse contexto de transformação para conversar com Ricardo Campos, superintendente sênior de negócios da Bradesco Vida e Previdência, sobre o lançamento de uma cobertura voltada a duas pessoas. Durante a entrevista, o executivo relacionou o produto a novos arranjos familiares, à necessidade de ampliar a educação financeira no país e ao papel do corretor na tradução dessas demandas em soluções concretas.

Quando a proteção não cabe em um único modelo familiar

Questionado pela jornalista sobre o que mudou no perfil de quem busca proteção financeira, Ricardo afirmou que a constituição econômica das famílias se tornou mais ampla e diversa. Segundo ele, essa relação “pode ser de negócio, pode ser familiar, pode ser de amigo”, o que amplia o olhar sobre quem depende de quem e sobre quais vínculos precisam de cobertura. Ele explicou que durante muito tempo os produtos tradicionais foram construídos com base em relações de parentesco mais delimitadas, enquanto a realidade passou a incluir outras formas de compartilhamento de responsabilidades. “Esse produto supre diretamente à necessidade de como as pessoas são constituídas”, disse. Em outro momento da resposta, acrescentou: “A gente está muito alinhado a esse conceito familiar de proteção que vai muito além do casal”.

A lacuna identificada pelo mercado

Ao ser perguntado sobre a lacuna de proteção que motivou o desenvolvimento da solução, Ricardo explicou que os seguros tradicionais não contemplavam com a mesma flexibilidade a inclusão de qualquer pessoa vinculada ao segurado por dependência econômica ou compromisso financeiro. Ele observou que, antes, a ideia estava concentrada em relações mais previsíveis de parentesco, enquanto agora a proposta é permitir proteção também em situações como sociedades, dívidas compartilhadas e outras formas de convivência.

Ele resumiu o diagnóstico da empresa da seguinte forma: “Agora a gente traz qualquer pessoa, primeiro, com uma proteção”. Em seguida, deu um exemplo ao mencionar situações em que duas pessoas contraem juntas uma dívida relacionada a carro, apartamento, empréstimo ou outro compromisso financeiro. Nessas hipóteses, a ausência de uma delas pode transferir toda a pressão econômica para a outra.

Um contrato, duas vidas e custo menor do que duas apólices separadas

Quando o assunto foi a vantagem financeira da cobertura conjunta, Ricardo afirmou que a proposta é oferecer uma proteção para duas pessoas com custo mais baixo do que a soma de duas contratações independentes. Para explicar esse raciocínio, ele recorreu a um exemplo hipotético, apenas ilustrativo, em que duas apólices individuais custariam mais do que uma cobertura conjunta com capital maior. Nas palavras dele, “o custo é mais atrativo”. Em outro trecho, ao reforçar o funcionamento do produto, disse: “Eu posso pagar menos por ter uma proteção”. A ideia central apresentada na conversa é que a contratação conjunta busca atender pessoas que precisam proteger uma relação econômica comum, mas não necessariamente têm espaço orçamentário para duas apólices isoladas.

Reserva financeira e possibilidade de resgate

Questionado por Thais sobre a combinação entre cobertura por morte e formação de reserva financeira, Ricardo explicou que o produto também foi desenhado para responder a necessidades temporárias. Ele citou o caso de duas pessoas que adquirem juntas um bem financiado e querem manter uma proteção enquanto a dívida existe. Uma vez encerrado esse compromisso, a cobertura pode perder sentido para aquele objetivo específico.

Falando ainda a respeito dessa estrutura, o executivo afirmou que o valor pago pode ser resgatado com correção ao fim do período, o que dá ao seguro um componente financeiro adicional. “Além de eu proteger aquele momento de vida, eu ainda em algum momento posso receber o resgate daquilo que eu paguei”, declarou. 

O impacto da ausência e a ideia de continuidade

Em uma das passagens da entrevista, Thais perguntou como uma solução desse tipo ajuda a dar estabilidade quando há dependência econômica mútua e uma das pessoas deixa de estar presente. Ricardo respondeu que, embora o produto tenha um componente financeiro, a principal questão é a continuidade. “Em momento nenhum isso substitui a tranquilidade da continuidade”, afirmou.

Para ele, a perda financeira costuma ser percebida com mais força ao longo do tempo, quando despesas recorrentes continuam existindo sem a renda de antes. “Ninguém vai substituir a falta”, disse. Depois completou: “A dor financeira, quando a pessoa falta, ninguém fica pensando que ele deixou de patrimônio na sua grande maioria das vezes. Mas essa dor vai se acentuando ao longo do tempo”.

Contratação simplificada e acesso mais amplo

Ao abordar a simplicidade do processo de contratação, Ricardo afirmou que a proposta busca reduzir barreiras tradicionais. Segundo ele, trata-se de um produto “com cobertura direta”, sem declaração de saúde na entrada, ainda que com carência para morte natural. “A gente quer trazer simplicidade, tranquilidade e uma contratação fácil e rápida”, disse.

“Há muito mais pessoas protegendo o seu automóvel do que a sua própria vida”

Falando sobre o baixo alcance do seguro de vida no país, Ricardo afirmou que o mercado ainda tem um espaço amplo de crescimento, mas evitou tratar isso apenas como oportunidade comercial. Para ele, o centro da discussão está dentro do escopo da educação financeira. “Eu acho que a gente tem uma grande deficiência de educação financeira”, afirmou.

Ainda respondendo à Thais sobre essa distância entre necessidade e contratação, ele resumiu uma contradição recorrente: as pessoas costumam proteger com mais facilidade o carro do que a própria vida. “Há muito mais pessoas protegendo o seu automóvel do que a sua própria vida”, disse. A partir daí, argumentou que a evolução do setor depende menos de insistência comercial e mais de conversas que levem o consumidor a refletir sobre planejamento, renda futura e proteção da família.

O corretor como consultor, não apenas distribuidor

Ao falar do papel do corretor, Ricardo recorreu à própria trajetória profissional para defender uma atuação mais consultiva. “Para mim, o corretor é muito mais do que um corretor, ele é um consultor”, afirmou. Na visão dele, o profissional é quem consegue traduzir necessidade em solução, inclusive quando o cliente ainda não percebeu aquilo que precisa proteger.

Para a Bradesco Vida e Previdência, a distribuição desse tipo de produto continua fortemente ligada ao corretor. Ricardo argumentou que cabe a esse profissional conduzir uma conversa mais ampla, que vá além da proteção do patrimônio visível e inclua continuidade familiar, longevidade e organização financeira. “As pessoas precisam te levar à consciência. A decisão de compra é depois”, resumiu.

“Nós não temos outro canal a não ser o corretor”

Thais perguntou como a companhia enxerga a demanda futura por soluções mais flexíveis e conectadas às mudanças da vida. Ricardo respondeu que esse é justamente o principal desafio da empresa: levar coberturas que possam ser ajustadas ao longo do tempo, conforme as necessidades se alterem. Falando sobre o futuro do portfólio, ele citou exemplos de coberturas e serviços que poderiam ser ligados ou desligados conforme o momento de vida do cliente. A formulação usada na entrevista foi a de “desplugar” benefícios que deixem de fazer sentido adiante. 

Na despedida, Ricardo voltou a falar diretamente aos corretores e reforçou a intenção da companhia de ampliar a relação comercial com esse público. O tom final da fala foi de convite à aproximação. “Nós não temos outro canal a não ser o corretor”, afirmou. Também mencionou estrutura de apoio, rede de sucursais e programas de capacitação, incluindo a Universeg.

Postado em
24/4/2026
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