Programa Carro Sustentável impulsiona crescimento de veículos compactos e abre novas oportunidades para o mercado de seguros

Incentivo fiscal e mudança no perfil da frota
Em 2025, o mercado automotivo brasileiro cresceu e isso se deve aos incentivos governamentais ligados à agenda ambiental. A isenção do IPI para veículos compactos de alta eficiência energética, prevista no Programa Carro Sustentável, contribuiu para um avanço de 15,6% nas vendas desse segmento. O estímulo fiscal reduziu barreiras de acesso, antecipou decisões de compra e favoreceu a substituição de modelos antigos por opções mais econômicas, modernas e alinhadas aos critérios de sustentabilidade.
Novos veículos, novos parâmetros de risco
Dados da Anfavea, divulgados pelo G1, reforçam essa transformação. No ano de 2024 foram emplacadas cerca de 214 mil unidades desses veículos, já em 2025 o volume saltou para 247,2 mil. O crescimento revela mudanças no perfil da frota nacional, com maior presença de carros voltados à eficiência energética e à redução de emissões. Além disso, o movimento acompanha uma tendência global de descarbonização do transporte e aproxima o Brasil de políticas já consolidadas em outros mercados. Ao mesmo tempo, acelera a incorporação de tecnologias mais limpas e conectadas no dia a dia do motorista, criando impactos diretos e indiretos para setores correlatos, como o de seguros, que passam a lidar com novos perfis de veículos, condutores e riscos.
Sustentabilidade como diferencial competitivo no seguro
A sustentabilidade deixou de ser apenas um posicionamento institucional e passou a influenciar diretamente o desenvolvimento de produtos no mercado de seguros. Apólices voltadas a veículos sustentáveis ganham espaço ao oferecer benefícios como descontos, estímulos à condução eficiente e serviços digitais integrados, alinhando-se ao Programa Carro Sustentável, favorecendo a menor emissão de CO² e elevado índice de reciclabilidade. Do lado da demanda, pesquisas indicam que o consumidor brasileiro demonstra sensibilidade acima da média global em relação à sustentabilidade e à mobilidade elétrica. Embora o interesse por veículos mais limpos seja crescente, com intenção relevante de compra de elétricos e híbridos, desafios como custo elevado e infraestrutura de recarga ainda limitam uma adoção mais ampla.
Tecnologias e impactos nos seguros
A crescente adoção de veículos compactos, híbridos e elétricos vem transformando a lógica tradicional do seguro automotivo. Esses modelos incorporam tecnologias avançadas, como sistemas de assistência ao condutor, conectividade embarcada e motores eletrificados, que impactam diretamente os custos de manutenção e reparo. Por outro lado, tais inovações influenciam o comportamento do motorista e a dinâmica dos sinistros. Diante disso, os parâmetros clássicos de avaliação de risco podem ser insuficientes, o que exige ajustes nos modelos de precificação. As seguradoras passam a considerar não apenas o valor do veículo, mas também o nível tecnológico atrelado a ele e isso também abre espaço para coberturas mais específicas. O objetivo é refletir com maior precisão os novos perfis de uso, garantindo equilíbrio técnico e competitividade no mercado.
Telemetria, dados do motorista e seguro sob medida
A telemetria permite a criação de modelos preditivos mais eficientes, capazes de prever riscos e orientar ações preventivas. Com base em informações como velocidade média, frenagens bruscas, horários de uso e padrões de trajeto, seguradoras podem oferecer feedback personalizado aos condutores, incentivando práticas mais seguras e sustentáveis. Esse acompanhamento contínuo transforma o seguro em um serviço mais ativo e educativo, no qual o cliente percebe valor além da indenização, enquanto o mercado ganha em eficiência operacional, fidelização e se adequa às demandas de uma mobilidade inteligente.
Regulação, ESG e impacto indireto no seguro
O movimento regulatório reforça o papel do seguro como agente complementar às políticas de sustentabilidade, ao incentivar práticas responsáveis e a adoção de tecnologias mais limpas. Com uma frota mais moderna e eficiente, surgem oportunidades para desenvolver coberturas específicas, modelos de precificação diferenciados e soluções que valorizem a prevenção de riscos e a redução de impactos ambientais. Além disso, a adesão à agenda ESG tende a influenciar decisões de investidores, parceiros e consumidores, ampliando a relevância estratégica do setor de seguros na construção de um ecossistema econômico mais resiliente, transparente e alinhado às novas demandas da sociedade.
Inovação além do automóvel
A inovação no seguro automotivo vai além da evolução dos veículos e alcança as plataformas digitais, os modelos de negócio e a experiência do cliente. Jornadas mais simples, transparentes e centradas no usuário, apoiadas por inteligência artificial, análise avançada de dados e telemetria, permitem o desenvolvimento de produtos personalizados e serviços especializados, como assistência para veículos elétricos e soluções sob demanda. No segmento veicular, há possibilidade e caminhos para fugir da concorrência tradicional e explorar mercados pouco disputados. O setor ainda oferece espaço para diferenciação por meio de seguros flexíveis, precificação baseada no comportamento do motorista, integração com montadoras e empresas de mobilidade e melhoria consistente da experiência do segurado. Insurtechs e associações de proteção veicular também impulsionam esse movimento desafiando modelos tradicionais, enquanto a regulamentação tende a elevar o nível de transparência e de responsabilidade.
O seguro na rota da mobilidade sustentável
A proposta do Programa Carro Sustentável pode direcionar o mercado automotivo a reposicionar o papel do seguro de carro. O aumento dos veículos compactos, eficientes e tecnologicamente avançados, além de diversificar a frota brasileira requer uma forma específica de avaliar riscos, precificar coberturas e se relacionar com o consumidor. Sustentabilidade, tecnologia e dados não são tendências passageiras e o setor tem cada vez mais se deparado com esses temas, o que tende a modificar suas estratégias. Por isso, o momento é de adaptação e visão a longo prazo, com inovação, agenda ESG e experiência do cliente, dentro de um ambiente sustentável e regulado. O seguro automotivo, tradicionalmente focado na reparação de danos, caminha para um modelo mais preventivo, personalizado e alinhado à mobilidade do futuro, em que eficiência, responsabilidade ambiental e tecnologia caminham juntos.


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