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Mais de 40% multas no trânsito brasileiro são por excesso de velocidade e revelam um padrão que influencia preço e cobertura no seguro

Dados de trânsito ajudam a dimensionar como o comportamento ao volante afeta a frequência e o custo dos sinistros, com reflexos diretos nas estratégias das seguradoras.
Mais de 40% multas no trânsito brasileiro são por excesso de velocidade e revelam um padrão que influencia preço e cobertura no seguro

O Brasil registrou mais de 100 milhões de infrações de trânsito em 2025, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito. Desse total, 45,8% foram por excesso de velocidade. A proporção se repete nos anos anteriores, sempre próxima da metade das autuações. É importante observar que quando a infração aparece com essa frequência, ela ganha peso como padrão de condução descrevendo como o motorista se comporta ao volante em situações recorrentes: deslocamentos urbanos, rodovias, trajetos cotidianos.

Esse padrão interessa diretamente ao seguro auto porque o risco, nesse caso, não se resume ao acidente já ocorrido, ele envolve a probabilidade de ocorrência futura.

O efeito direto na dinâmica do sinistro

A própria notícia detalha como a velocidade altera o desfecho de um evento. A 50 km/h, o veículo percorre uma distância menor até a parada completa; a 80 km/h, esse espaço praticamente dobra; em pista molhada, o aumento chega a 70%. Esse intervalo adicional muda o tempo disponível para reação e um obstáculo que seria evitável em uma condição pode se transformar em colisão em outra. Para o seguro, isso se traduz em maior frequência de sinistros e, em muitos casos, maior severidade, já que o impacto ocorre com mais energia.

Frequência e severidade na conta das seguradoras

Sabendo disso, é preciso entender que duas variáveis estruturam o risco no seguro auto: quantas vezes o sinistro ocorre e qual o custo médio de cada evento. O excesso de velocidade pressiona ambas.

Mais velocidade aumenta a chance de colisão e, quando o acidente acontece, os danos costumam ser maiores — tanto para o veículo quanto para terceiros. Isso inclui reparos mais caros, perda total com maior frequência e aumento de indenizações em casos envolvendo vítimas.

O impacto na precificação

Esse comportamento coletivo influencia a formação de preço. O seguro não precifica apenas o indivíduo de forma isolada, mas também considera o ambiente em que ele circula. Se uma parcela relevante dos motoristas mantém hábitos de risco, o custo médio do sistema sobe. Essa mesma ideia é aplicada nos reajustes, na segmentação de perfis e nos critérios de aceitação. Regiões com maior incidência de infrações e acidentes tendem a refletir esse risco na tarifa.

Fiscalização eletrônica e leitura de comportamento

A notícia também destaca o papel dos radares na identificação dessas infrações. Para o poder público, eles funcionam como instrumento de controle. Para o mercado de seguros, esse tipo de dado ajuda a validar um diagnóstico: o comportamento ao volante pode ser medido de forma objetiva. Essa medição abre espaço para modelos mais precisos de avaliação de risco, baseados no uso real do veículo, como a telemetria, por exemplo. Em vez de trabalhar apenas com histórico de sinistro ou perfil declarado, ela acompanha como o motorista dirige no dia a dia: velocidade, frenagens, acelerações, horários de uso. Com esse tipo de dado, o risco pode ser observado em tempo real.

Incentivo ao comportamento seguro

A leitura contínua permite um ajuste mais fino na relação entre risco e preço. Motoristas que mantêm uma condução mais estável, dentro dos limites e com menor exposição a situações críticas, podem ser diferenciados dentro da carteira.

Esse modelo cria um vínculo direto entre comportamento e custo do seguro, algo que não depende apenas de idade, localização ou tipo de veículo.

Um exemplo em operação

A Justos adota esse modelo ao utilizar telemetria para acompanhar a condução dos segurados. A proposta envolve medir o comportamento ao volante e ajustar o valor pago conforme esse padrão. A seguradora recompensa motoristas que mantêm uma direção mais segura, com base em dados coletados no uso real do veículo. 

Esse modelo sustenta programas de recompensa que podem chegar a reduções de até 30% para condutores com melhor desempenho, além de benefícios adicionais vinculados a uma lógica de pontuação.

O uso desses dados também apoia a identificação de riscos de forma antecipada e contribui para a redução de custos operacionais, inclusive na detecção de fraudes e na condução de sinistros. Para a companhia, esse tipo de tecnologia abre espaço para uma atuação mais próxima do cliente, com foco em orientar e evitar ocorrências, ampliando o papel do seguro para além do momento do dano e aproximando a operação de uma lógica baseada na prevenção.

Consequências para o mercado

O número elevado de multas por velocidade mostra um retrato coletivo, mas a telemetria permite descer ao nível individual. Em vez de tratar todos os motoristas de uma mesma faixa como equivalentes, o seguro passa a distinguir trajetórias de condução. Isso amplia a capacidade de identificar quem dirige dentro de parâmetros mais seguros e quem mantém exposição maior ao risco.

Esse tipo de abordagem altera a forma como o risco é distribuído dentro da carteira. Perfis mais prudentes deixam de absorver parte do custo gerado por condutas mais arriscadas. Ao mesmo tempo, motoristas com maior incidência de comportamentos críticos enfrentam preços mais alinhados à sua exposição.

O resultado aparece em uma carteira mais segmentada e em modelos de subscrição que incorporam dados dinâmicos.

Um padrão de condução e impacto na estrutura do seguro auto

A recorrência das multas por excesso de velocidade descreve um padrão que impacta a dinâmica do seguro auto. Mais velocidade amplia a chance de colisão, aumenta o custo médio dos sinistros e influencia a precificação. Tecnologias como a telemetria oferecem uma leitura mais detalhada desse comportamento. Ao conectar direção real e custo do seguro, elas introduzem um critério mais direto na avaliação de risco. O efeito aparece tanto na forma de precificar quanto na possibilidade de estimular uma condução mais segura ao longo do tempo.

Postado em
16/4/2026
 na categoria
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