Impressão 3D na construção altera matriz de risco e impacta seguros de obra e residencial

Uma nova frente tecnológica está começando a ganhar espaço na construção civil: impressoras 3D de grande porte estão sendo utilizadas para erguer a estrutura de casas em até 24 horas. As máquinas extrudam um concreto de secagem rápida, guiadas por um projeto digital previamente programado, e depositam o material camada por camada até formar paredes internas e externas. Telhado, instalações e acabamentos continuam dependendo de equipes especializadas, mas a etapa estrutural é executada por poucos operadores e técnicos. Para o mercado de seguros, o que chama atenção nessa notícia é o que o método construtivo muda; e quando o modo de construir muda, a matriz de risco também se altera.
Engenharia e execução: novos parâmetros de risco
Como a impressão 3D substitui parte do trabalho manual por extrusão automatizada de concreto especial, o foco da análise de risco para os seguros é alterado. Em vez de avaliar somente os procedimentos tradicionais de obra, as seguradoras precisarão examinar fatores como calibração da máquina, estabilidade do software, qualidade do insumo e compatibilidade entre projeto digital e execução física.
Em seguros de engenharia, isso repercute na cobertura para falhas estruturais e nos riscos durante a execução da obra. Um erro de programação pode comprometer a integridade de uma parede inteira e uma falha mecânica no equipamento pode interromper o processo e gerar retrabalho. A apólice precisará considerar esses pontos com critérios técnicos distintos dos aplicados a métodos convencionais.
Seguro decenal e responsabilidade técnica
A extrusão automatizada também levanta uma discussão sobre responsabilidade civil construtiva. Se houver vício estrutural anos depois da entrega do imóvel, quem responde? O fabricante da impressora? O desenvolvedor do software? A construtora que operou o sistema? Ou o engenheiro responsável pelo projeto? O seguro decenal terá de dialogar com essa cadeia produtiva mais fragmentada. A definição de responsabilidades contratuais tende a ganhar peso, assim como o seguro de responsabilidade civil profissional para engenheiros, programadores e empresas envolvidas na operação do equipamento.
Casas impressas e o seguro residencial
Se o método se popularizar, o seguro residencial também precisará incorporar parâmetros técnicos específicos, já que há algumas especificidades atreladas a essa modelagem. O concreto utilizado, por exemplo, possui características próprias de secagem e resistência. Então, será necessário acompanhar estudos sobre durabilidade, comportamento em chuvas intensas, ventos fortes ou abalos sísmicos. A partir daí, diretrizes de aceitação de risco e definição tarifária podem variar de acordo com a comprovação de desempenho estrutural (um ajuste semelhante ao que já se observa em sistemas construtivos industrializados e pré-moldados, nos quais a subscrição se apoia em certificações técnicas e no histórico de sinistralidade para definir critérios de aceitação e precificação).
Equipamentos de alto valor e interrupção de obras
As impressoras 3D de grande porte representam ativos caros e tecnologicamente complexos. Isso abre espaço para seguros de equipamentos, cobertura contra danos mecânicos e proteção contra paralisação de obras, já que uma falha no sistema pode interromper o cronograma e gerar custos adicionais. Em projetos habitacionais de larga escala, atrasos impactam o fluxo de caixa e os contratos, razão pela qual a proteção contra interrupção deve integrar o planejamento financeiro da obra.
Produção automatizada e os novos parâmetros de risco na construção
Se a impressão 3D ganhar escala na construção civil, seu efeito irá além da rapidez da obra. A estruturação do método dependerá de normas técnicas, contratos claros e seguros compatíveis com uma produção baseada em programação, máquinas e material específico. Para as seguradoras, isso implica revisar critérios de engenharia, responsabilidade civil, seguro residencial e cobertura de equipamentos, à luz de um processo construtivo diferente do convencional. Se a produção automatizada avançar para projetos em escala, a consistência técnica dessas estruturas e a clareza na distribuição de responsabilidades serão determinantes para que a inovação construtiva encontre respaldo jurídico e securitário.




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