Como a tecnologia entrou no centro da estratégia de massificação da AXA

Na leitura da AXA no Brasil, aumentar o alcance do seguro no Brasil é uma discussão mais ampla que o desenho de produtos, ela envolve distribuição, eficiência operacional, integração com parceiros e capacidade de processar volume com rapidez. A tecnologia integra essa configuração como parte da estrutura que permite o crescimento com consistência.Esse foi o fio condutor da conversa entre Thais Rucco e Bruno Porte, vice-presidente de transformação, tecnologia e operações da AXA no Brasil, no 47º episódio do Insurtalks Cast. Ao longo da entrevista, o executivo explicou por que a companhia trata a massificação como um eixo amplo de transformação e de que forma a área de TI participa da estratégia voltada à expansão do seguro entre pessoas físicas, PMEs e MEIs.
Massificação além do produto
Ao responder o que a AXA entende por massificação, Bruno Porte procurou afastar o tema de uma leitura restrita a microsseguros e afinidades. Segundo ele, a discussão dentro da companhia alcança um campo mais amplo e está ligada ao próprio processo de transformação da operação. “Para nós, dentro da estratégia da AXA no Brasil, a massificação é um pilar central de todo o movimento de transformação que existe na companhia”. A partir dessa definição, o executivo sustentou que a ampliação do seguro depende tanto de novos produtos digitais para distribuição quanto de uma revisão interna dos processos. Na avaliação dele, a massificação exige automação, digitalização e capacidade de resposta para que corretores e clientes recebam entregas com mais rapidez.
Os entraves históricos da expansão
Ao analisar por que o setor demorou a ampliar sua presença em públicos mais amplos, Bruno apontou três fatores. O primeiro, disse ele, está na distribuição. Em um país de grande extensão territorial e forte dispersão populacional, a capilaridade sempre pesou como limite concreto à expansão do seguro.
O segundo ponto, segundo ele, diz respeito à cultura de proteção e ao conhecimento financeiro da população. Para ele, o mercado ainda convive com uma base restrita de familiaridade com seguros, embora essa realidade esteja mudando. Ao mencionar seguradoras, insurtechs e empresas ligadas ao sandbox, ele observou que todos esses players vem contribuindo para ampliar a presença do tema na vida cotidiana do brasileiro.
A penetração do seguro e a ampliação do público
Quando questionado sobre o retorno da massificação ao centro das decisões estratégicas, Bruno associou esse movimento à baixa penetração do seguro no país. Para ele, a indústria não aumentará sua relevância econômica sem passar pela ampliação da presença do seguro na pessoa física. “A gente não vai conseguir aumentar a relevância da indústria dos seguros no PIB se não passar pelo aumento da penetração na pessoa física”.
A resposta, porém, não ficou restrita a esse segmento. Bruno afirmou que, na AXA, a massificação também inclui produtos para PME e soluções voltadas a MEIs. Ao destacar o crescimento desse grupo no Brasil, ele indicou que a companhia enxerga nesse público uma frente importante de expansão.
“A área de tecnologia hoje é uma forma de alavanca de diferencial competitivo”
Em um dos trechos da entrevista Thais Rucco perguntou qual é o papel da área de TI na AXA e se ela atua como suporte ou como protagonista na construção das soluções. Bruno respondeu a partir de um olhar corporativo mais abrangente: “A visão moderna de tecnologia é a visão onde as corporações enxergam tecnologia como parte do negócio”. Em seguida, reforçou que a área não pode ser tratada como um departamento que apenas executa pedidos.“A área de tecnologia hoje é uma forma de alavanca de diferencial competitivo. Ela é uma forma de criação de vantagem competitiva. É o meio que possibilita a companhia avançar no processo, seja de distribuição, seja de automação dos processos internos e ganho de eficiência, seja na celeridade de processamento e entrega para clientes”, afirmou.
Na leitura do executivo, essa função ganha peso quando observada à luz do crescimento recente da companhia. Ao tratar a tecnologia como instrumento de preparação da AXA para sustentar a escala já alcançada, Bruno vinculou esse avanço a um movimento concreto de expansão. Segundo ele, a operação partiu de um patamar entre 600 e 700 milhões para atingir o porte atual ao longo dos últimos anos, em um ritmo que exigiu reorganização interna e ganho de capacidade operacional. Nesse percurso, automação, digitalização e revisão de processos passaram a compor a base que sustenta o aumento de volume. A observação ajuda a situar a TI como base operacional do crescimento, especialmente em um contexto que demanda maior capacidade de processamento, integração e resposta.
Escalar com a operação em movimento
Ao falar dos desafios técnicos enfrentados desde sua chegada à companhia, em janeiro de 2023, Bruno recorreu a uma imagem que resume bem a transição descrita na entrevista: “A gente teve que trocar o pneu com o carro andando ou a asa com o avião voando”. De acordo com ele, a resposta da AXA foi adotar uma estratégia de ambidestria: de um lado, a companhia trabalhou em melhorias de curto e médio prazo, capazes de produzir ganhos rápidos. De outro, passou a construir novas bases tecnológicas, uma nova plataforma, um novo modelo operacional e um novo stack para sustentar o crescimento. Para ele, esse processo exigiu decisões técnicas e mudanças nas estruturas funcionais, na cultura e a adoção de um pensamento mais ágil na resolução de problemas.
Integração, APIs e o peso da arquitetura
A entrevista atribui às integrações um papel central na massificação. Bruno citou como exemplo a criação de um Centro de Excelência de Integração, desenvolvido para acelerar a transformação da companhia. O tema apareceu como um ponto de apoio para a estratégia de escala, sobretudo porque a ampliação de canais e parceiros depende de conexão rápida entre sistemas.
Ao detalhar essa frente, ele mencionou camada de APIs, middleware e modelos híbridos de solução, com três caminhos distintos para integração, escolhidos conforme a necessidade de cada projeto. Para o executivo, esse desenho permitiu elevar a velocidade de conexão com parceiros e reduzir o esforço operacional.
Dados e distribuição caminham juntos
Na parte da entrevista dedicada aos novos canais, Bruno afirmou que a integração com parceiros depende integralmente de tecnologia. Ele citou desde distribuições físicas, com sistemas ou totens, até bancassurance, marketplaces, aplicativos, sites e modelos de embedded insurance. Em todos os casos, o ponto comum estaria na necessidade de conectar a estrutura da seguradora à do parceiro para que a oferta funcione.
Mas a fala dele vai além da integração técnica. Ao trazer o tema dos dados, o executivo sustenta que distribuição em escala também depende da leitura de contexto. “Nem tudo só é tecnologia, captura, coleta e troca de informação. É como a gente usa o dado. Como uso o dado para criar oferta, como uso o dado para entender o cliente, como eu uso o dado para entender o melhor momento daquela oferta”.
O corretor como “guardião do cliente”
A entrevista dedica espaço relevante ao corretor. Bruno descreve esse profissional como peça central do canal de distribuição no Brasil e como “guardião do cliente”.“Ele (corretor) fica acompanhando a cotação, a emissão, o boleto, o pagamento. Enfim, quando a gente entrega algo digital, com uma experiência diferente, o processo se torna mais eficiente. A rotina do corretor e do parceiro também passa a ser mais leve” disse ele, emendando: “Vender a AXA tem que ser para ele sinônimo de simplicidade e gerir o portfólio com a AXA também”.
“Faça parte do negócio. Que problema você pode resolver?”
Quando Thais Rucco pediu um olhar prospectivo sobre as frentes tecnológicas que devem impulsionar a massificação do seguro. Bruno mencionou a AI como um fator de transformação, mas evitou tratá-la como resposta única. Para ele, o ponto central não está apenas em entender como a tecnologia ajuda a seguradora a operar melhor, mas em perceber como ela altera os próprios riscos que passam a demandar proteção.
Já ao falar com executivos de tecnologia do setor, Bruno defendeu aproximação direta com o negócio e participação efetiva na formulação estratégica. “Faça parte do negócio. Que problema você pode resolver?”. A pergunta, formulada por ele quase como orientação prática, condensa a visão de TI apresentada ao longo de toda a conversa.
A conversa completa, com os exemplos e desdobramentos trazidos por Bruno Porte, está disponível no Insurtalks Cast.


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