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Vendas da BYD disparam no Brasil: o que isso significa para os seguros?

Vendas da BYD disparam no Brasil: o que isso significa para os seguros?

Em pouco tempo, a BYD deixou de ser uma novidade restrita aos entusiastas de eletrificação e passou a ocupar lugar de destaque nas ruas brasileiras. Em 2024, a montadora emplacou mais de 76 mil veículos no país, registrando um crescimento superior a 327% em relação ao ano anterior. Modelos como Song Pro e Song Plus tornaram-se presença frequente, refletindo a força dos híbridos plug-in da marca, que já respondem por um em cada quatro carros eletrificados vendidos no Brasil.

Mais presença nas ruas, mais impacto nos seguros

“O Brasil está hoje no centro das atenções globais na revolução automotiva, e a BYD é peça-chave nessa transformação. Ver a marca como líder de mercado de veículos elétricos e a expansão de nossa rede de concessionárias é a prova de que estamos no caminho certo”, afirmou Tyler Li, presidente da BYD no Brasil. A declaração ajuda a dimensionar a velocidade da expansão da montadora e reforça um ponto de análise inevitável: quanto maior a presença da marca no país, maiores serão também os impactos para setores adjacentes, como o de seguros.

Expansão da base de consumidores

Esse avanço tem duas camadas relevantes. De um lado, demonstra que os veículos da BYD têm a capacidade de atrair consumidores de perfis variados, espalhados por diferentes regiões do país, devido ao seu custo-benefício (é da montadora o carro elétrico mais barato do país). De outro, amplia o alcance do debate sobre como o seguro automotivo irá se adaptar a um mercado que não se limita a nichos de alto poder aquisitivo, ele já abarca camadas mais diversas da população. A multiplicidade de perfis de condutores influencia os cálculos de risco, exigindo novas métricas de precificação e soluções mais flexíveis de cobertura.

Desafios específicos dos híbridos e elétricos

Os híbridos e elétricos apresentam ainda particularidades técnicas que impactam diretamente a dinâmica dos seguros. O custo de reparo costuma ser mais elevado, em função das baterias e de peças especializadas que dependem de cadeia de fornecimento restrita. Há, também, um repertório estatístico mais curto no Brasil, o que torna a modelagem de riscos mais complexa. é preciso levar em conta também os novos tipos de ocorrência relacionadas às especificidades deste tipo de veículo, como panes em sistemas elétricos, incêndios em baterias de lítio e a necessidade de guincho específico para veículos eletrificados. Esses fatores exigem oficinas capacitadas, mão de obra treinada e redes de assistência preparadas.

Inovações que alteram o cálculo de risco

Enquanto amplia sua base de consumidores, a própria BYD sinaliza um futuro em que a sofisticação tecnológica dos seus veículos poderá influenciar ainda mais o mercado segurador. O Yangwang U9, superesportivo da marca, estabeleceu recorde mundial de velocidade para carros elétricos de produção ao atingir 472 km/h. Equipado com suspensão capaz de fazer o veículo “saltar” e quatro motores que juntos superam 1.300 cv, o modelo traz variáveis inéditas à análise de risco e à definição de coberturas. Ainda que seja um caso restrito a um público específico, o avanço sugere como inovações de ponta podem, em médio prazo, repercutir em categorias mais acessíveis.

Ajustes necessários no setor de seguros

Está claro que o iimpacto da expansão dos híbridos e elétricos exige adaptações em escala, enquanto os modelos de alta performance impõem desafios técnicos. O denominador comum é a necessidade de atualização contínua por parte das seguradoras, que terão de conciliar inovação, diversidade social de clientes e riscos ainda pouco mapeados. O ritmo de expansão dos veículos eletrificados no Brasil mostra que o debate sobre seguros não pode ser adiado. Cada novo emplacamento amplia o conjunto de riscos ainda pouco mensurados e o setor terá de responder a essa realidade enquanto ela acontece.

Postado em
29/8/2025
 na categoria
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