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Moto de aplicativo e limite de peso: regras, desafios de segurança e opções de seguro para motociclistas

Com o crescimento dos serviços de transporte e entrega por motos, a questão do limite de peso, segurança e opções de seguro ganha destaque. Entenda como as novas regras e coberturas impactam os motociclistas e passageiros.
Moto de aplicativo e limite de peso: regras, desafios de segurança e opções de seguro para motociclistas

Duas rodas em alta: crescimento acelerado e novos desafios para o setor

A presença das motocicletas no cotidiano urbano brasileiro ganhou uma nova dimensão nos últimos anos, e isso se deve, principalmente, à popularização dos aplicativos de transporte e entrega. Em Pernambuco, por exemplo, pela primeira vez, o número de motos ultrapassou o de automóveis no estado. Dados do Detran indicaram mais de 1,57 milhão de motocicletas em circulação, superando em cerca de 30 mil unidades a quantidade de carros registrados. 

Esse crescimento acelerado, no entanto, não ocorre sem consequências. O uso profissional das motocicletas tem levantado discussões importantes sobre limites técnicos, capacidade de peso dos veículos, além de questões relacionadas à segurança de condutores e passageiros. Soma-se a isso a necessidade de produtos de seguro mais alinhados à realidade desses trabalhadores, colocando o tema no centro das discussões regulatórias, sociais e do próprio mercado segurador, que precisa se adaptar para atender a esse público em ascensão.

O limite de peso como fator crítico de segurança nas motos de aplicativo

O transporte de dois ocupantes em motocicletas também envolve critérios técnicos e de segurança, especialmente quando essa prática se consolida como atividade econômica, como ocorre no serviço de moto por aplicativo no Brasil. Assim como qualquer veículo, a motocicleta possui limites de peso definidos pelo fabricante, que devem ser respeitados para preservar a estabilidade, o desempenho e a integridade estrutural. Conforme uma matéria do Autopapo, motos populares, como as de 100cc a 150cc, costumam ter capacidade total de carga na faixa de 160 kg a 170 kg, considerando piloto, passageiro e possíveis bagagens. Exceder esse limite compromete a estabilidade e a estrutura do veículo, além de aumentar o risco de acidentes, especialmente em uso intenso no trânsito urbano. Com os riscos inerentes à atividade, tanto para transporte de passageiros quanto para entregadores de aplicativo, a contratação de seguros pode ser uma garantia a mais para muitos profissionais que ganham seu sustento com essa atividade.

Opções de seguros para autônomos que usam moto

Para quem utiliza a moto como ferramenta de trabalho, seja no transporte de passageiros por aplicativo ou no delivery de mercadorias, a rotina é marcada por jornadas desgastantes, alto volume de deslocamentos e exposição constante ao trânsito. Nesse cenário, a proteção do veículo e do próprio condutor é uma necessidade primordial de segurança e continuidade da renda. Algumas seguradoras oferecem alternativas de seguro voltadas à motociclistas que atuam com entrega remunerada. As coberturas são desenhadas justamente para atender perfis profissionais, considerando a realidade de quem passa horas nas ruas e depende do veículo para trabalhar. 

  • Roubo e furto: proteção contra perda total da moto em casos de roubo ou furto, uma das principais preocupações de motoboys e moto-app riders.
  • Perda total por colisão ou danos ao veículo: importante especialmente para quem usa a moto intensamente nas cidades.
  • Responsabilidade civil contra terceiros: cobre despesas com danos causados a outras pessoas ou veículos em acidentes em que o motociclista seja responsável.
  • Assistência 24 horas: serviços de guincho, chaveiro, socorro mecânico e outros atendimentos emergenciais são diferenciais que podem fazer diferença no dia a dia.

Crescimento sem regras expõe riscos no transporte por moto no Brasil

O crescimento do mercado de transporte público via moto desencadeou outros problemas. Diferente da modalidade de entrega, que conta com apenas o motorista, do transporte de passageiros por moto via aplicativos como Uber e 99 Moto escancarou uma realidade preocupante: a maioria das motocicletas utilizadas nesses serviços não suporta, tecnicamente, o peso de dois adultos. A ausência de critérios claros sobre limite de carga expõe tanto condutores quanto passageiros a riscos elevados no trânsito urbano. Apesar da gravidade do cenário, as plataformas seguem operando sem definir exigências mínimas de modelo, porte ou cilindrada das motos cadastradas. Na prática, muitas motos ultrapassam facilmente o peso máximo recomendado pelos fabricantes, comprometendo a estabilidade do veículo e aumentando a probabilidade de acidentes. Além dos riscos mecânicos, há implicações legais: o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê penalidades para quem circula com peso acima do permitido. 

Recusa de passageiros com excesso de peso versus o preconceito dos motoristas

Tendo em vista o risco de danificar o veículo, muitos motociclistas passaram a recusar corridas por receio de quedas, o que gerou forte repercussão nas redes sociais. Vídeos de recusas a passageiros com sobrepeso viralizaram e intensificaram o debate público, evidenciando o conflito entre segurança, falta de regulamentação e exposição dos profissionais que atuam nas plataformas. A recusa de corridas por excesso de peso é um ponto sensível, frequentemente apotado como discriminação por alguns passageiros. No entanto, quando fundamentada em critérios técnicos e de segurança, essa recusa configura um exercício legítimo do dever de cautela, e não necessariamente um ato discriminatório. A inexistência de regras formais deixa os motociclistas vulneráveis: quem recusa corridas pode sofrer hostilidade, enquanto quem aceita assume riscos financeiros e de segurança, como danos ao veículo.

A importância do seguro no transporte de passageiros por app

O uso intensivo da moto, a maior quilometragem diária e a circulação frequente em áreas de risco fazem com que esse perfil seja classificado como de maior exposição. Como resultado, não é raro que propostas sejam recusadas ou apresentadas com valores elevados, o que desestimula a contratação tanto para entregadores quanto para motoristas que transportam passageiros em aplicativos. No caso específico dos motoristas de aplicativos de transporte de pessoas, o seguro ganha ainda mais relevância. Além dos riscos ao veículo, há a responsabilidade sobre a integridade do passageiro, o que amplia a importância de coberturas que reduzam impactos financeiros em situações de acidentes ou danos a terceiros. Ter um seguro adequado ajuda a mitigar prejuízos, evita interrupções prolongadas na atividade e oferece maior tranquilidade no dia a dia.

Debates regulatórios e implicações para o transporte por aplicativo

A ausência de transparência das plataformas sobre limites técnicos das motocicletas, especialmente quanto à capacidade máxima de peso, expõe uma lacuna na oferta do serviço. Embora se apresentem como intermediadoras em situações adversas, as plataformas de transporte precisam estabelecer regras específicas, visando garantir a segurança de condutores e passageiros. A jurisprudência brasileira condena recusas motivadas por preconceito, mas distingue situações em que há risco concreto à integridade física. O conflito surge justamente da falta de diretrizes objetivas das plataformas, que transforma uma atitude prudente em constrangimento. Especialistas apontam a necessidade de informações claras nos aplicativos, como a capacidade máxima de carga de cada modelo de moto e a compatibilidade entre condutor e passageiro antes do início da corrida. Diante disso, é válido o alerta para que plataformas e reguladores determinem parâmetros mínimos de segurança, reduzindo condutas arriscadas estimuladas por pressões econômicas e pelo funcionamento dos próprios algoritmos.

Seguros em adaptação à nova realidade dos aplicativos

Diante do aumento do trabalho sobre duas rodas, o mercado segurador começa a ajustar seus produtos para atender motoristas e entregadores de aplicativo. Por isso, é importante desenvolver apólices com precificação compatível com o maior nível de risco e com o uso profissional intensivo da motocicleta. Nesse cenário, a transparência do segurado é fundamental, deixando claro que o veículo é utilizado para transporte de passageiros ou entregas, já que a omissão desse dado pode levar à negação de indenização em caso de sinistro. Além disso, parcerias entre plataformas e seguradoras podem ser estratégias promissoras, viabilizando condições mais acessíveis, com coberturas alinhadas à rotina desses profissionais e, em alguns casos, custos reduzidos. Estar em movimento em meio ao contexto atual sinaliza um esforço do setor para ampliar o acesso ao seguro e acompanhar as transformações da mobilidade urbana.

Entre regras, riscos e proteção: o futuro do moto-app passa pela responsabilidade

O crescimento do transporte por moto via aplicativos e suas implicações revelam que a mobilidade sem regras claras gera insegurança para todos os lados. Limites técnicos de peso, exposição diária ao risco, conflitos entre segurança e percepção de preconceito e a ausência de diretrizes objetivas das plataformas formam um cenário complexo, que recai diretamente sobre os ombros dos motociclistas. O debate engloba responsabilidade das plataformas, atualização regulatória e a atuação estratégica do mercado segurador, que tem um papel importante na sustentabilidade dessa atividade, sendo um instrumento de proteção financeira, jurídica e social para quem vive sobre duas rodas. À medida que as motos se tornam protagonistas da mobilidade urbana, o caminho adiante exige respeito aos limites técnicos, transparência nas regras, proteção adequada e soluções que priorizem a vida. Enquanto novos marcos regulatórios são debatidos, a conscientização sobre os limites de carga e a contratação de coberturas adequadas podem fazer a diferença na vida e na renda de quem vive na pressão do trânsito nas grandes cidades, seja levando passageiros, seja entregando refeições e compras ao redor do país.

Postado em
27/1/2026
 na categoria
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