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Felipe Genovesi explica como a Justos equilibra personalização, privacidade e tecnologia

O Head de Vendas e Parcerias da Justos, fala sobre como telemetria, inteligência artificial e dados comportamentais complementam os critérios tradicionais de precificação e comenta os cuidados necessários com transparência, privacidade e supervisão humana.
Felipe Genovesi explica como a Justos equilibra personalização, privacidade e tecnologia

Juntos, elementos como endereço, idade, modelo do veículo, região de circulação e histórico de sinistros orientam a precificação do seguro auto e ajudam as seguradoras a estimar a probabilidade de ocorrência com base no comportamento de grupos semelhantes. A melhora na capacidade de coletar e interpretar dados, porém, permite acrescentar ao cálculo a avaliação sobre como determinado motorista efetivamente dirige.

Em entrevista ao Insurtalks Cast, Felipe Genovesi, Head de Vendas e Parcerias da Justos, explicou como a telemetria e a inteligência artificial acrescentam informações comportamentais aos modelos estatísticos já utilizados pelo mercado, tratou dos limites entre personalização e discriminação, dos cuidados relacionados à LGPD e da necessidade de explicar ao consumidor quais dados são analisados e para que serão utilizados.Genovesi também detalhou os cinco elementos observados pela Justos durante a condução (velocidade em relação à via, frenagem, aceleração, realização de curvas e interação com o celular) e afirmou que essas informações complementam os critérios tradicionais, sem desconsiderar a experiência acumulada pelas seguradoras. Para ele, a tecnologia pode aprimorar a leitura do risco, desde que esteja acompanhada de governança, transparência e participação humana nas decisões.

O combo estatística + comportamento ao volante 

A precificação de seguros depende de bases estatísticas capazes de relacionar determinadas características à probabilidade de sinistro. Segundo Genovesi, a idade do condutor, o local de circulação, o modelo do automóvel e os registros anteriores continuam importantes porque ajudam a localizar o segurado dentro de grupos com comportamentos já conhecidos pelas companhias.

A diferença está na possibilidade de associá-los a informações produzidas durante a própria condução. “Historicamente, a precificação sempre foi construída a partir de estatísticas para ajudar a prever alguma probabilidade de sinistro desses clientes”. Para o executivo, a tecnologia permite observar particularidades que anteriormente não estavam disponíveis durante a análise. Em vez de depender exclusivamente de características gerais do perfil, a seguradora consegue acompanhar como cada pessoa acelera, freia, realiza curvas e respeita os limites da via. Essa perspectiva não elimina as referências estatísticas acumuladas pelo setor. Genovesi ressaltou que a proposta da Justos consiste em adicionar informações às bases já utilizadas. “A nossa proposta nunca foi substituir tudo o que já existe. A gente não está aqui para reinventar a roda. A gente está aqui para complementar os modelos tradicionais com os dados que mostram como essa pessoa realmente dirige”.

Cinco aspectos observados pela telemetria

A análise comportamental da Justos ocorre por meio de um aplicativo instalado no celular, sem a necessidade de colocar equipamentos no automóvel. Durante os deslocamentos, a telemetria registra cinco grupos de informações: velocidade em comparação com o limite da via, intensidade das frenagens, aceleração, maneira de realizar curvas e utilização do telefone enquanto o veículo está em movimento, e esses dados são interpretados com apoio de inteligência artificial e ferramentas analíticas. Para Genovesi, a combinação ajuda a construir um modelo relacionado à forma como o motorista conduz, acrescentando um componente individual ao cálculo do seguro.

“Hoje, com a tecnologia, você consegue entender qual é a dirigibilidade do risco que está colocando dentro da companhia”.

O executivo afirmou que os resultados podem contribuir para a precificação e para a gestão das carteiras. O corretor também pode compreender melhor o perfil dos clientes atendidos e avaliar quais riscos estão de acordo com sua estratégia comercial.

A Justos parte da premissa de que a classificação depende da correspondência entre o risco observado e o preço cobrado. “Não existe risco bom ou ruim. Existe risco mal precificado”, disse o executivo.

Personalização exige clareza sobre o uso dos dados

O aumento da quantidade de informações disponíveis também acrescenta novas questões ao debate sobre privacidade, consentimento e possíveis diferenciações injustificadas entre consumidores. Para Genovesi, a finalidade da análise deve permanecer restrita à estimativa técnica do risco, sem julgamentos pessoais ou barreiras sem fundamentação. “O uso de dados tem como objetivo estimar o risco de maneira técnica, e não trazer julgamento sobre as pessoas ou criar barreiras injustificadas”. Ele afirmou que a seguradora precisa explicar quais informações recolhe, como elas são analisadas e quais benefícios podem decorrer desse acompanhamento. A adequação à LGPD, segundo o executivo, integra esse processo ao estabelecer parâmetros para coleta, armazenamento e tratamento de dados pessoais.

Ele associou o equilíbrio entre personalização e respeito ao consumidor a dois elementos: transparência e confiança. O segurado precisa compreender a relação entre seu comportamento ao volante, a pontuação recebida e as condições oferecidas pela companhia. Essa comunicação também reduz o risco de o monitoramento ser interpretado como um mecanismo exclusivamente punitivo. Conforme explicou, a Justos utiliza os dados para estimular formas mais seguras de condução e oferecer recompensas aos motoristas que apresentam boas avaliações.

A relação entre o comportamento do motorista e os benefícios: “Quanto melhor ele dirigir, mais pontos vai ter e maior será o seu resgate”

Os clientes acumulam pontos semanalmente de acordo com a avaliação de sua condução. A pontuação pode ser trocada por benefícios como créditos para combustível, corridas de aplicativo, milhas e vouchers oferecidos por empresas parceiras. Segundo Genovesi, o programa busca tornar perceptível a relação entre o comportamento do motorista e os benefícios recebidos durante a vigência da apólice. A proposta cria contatos recorrentes com o seguro, em vez de restringir a experiência aos momentos de contratação, renovação ou sinistro. “Quanto melhor ele dirigir, mais pontos vai ter e maior será o seu resgate”, afirmou.

O executivo ressaltou, entretanto, que o uso da telemetria não altera automaticamente o direito à indenização. Caso os dados indiquem que o motorista trafegava acima do limite da via no momento de uma colisão, por exemplo, o sinistro continua sujeito às condições previstas no contrato e não é recusado somente em razão dessa informação. “A gente não está aqui em um ponto punitivo. A gente está aqui em um ponto colaborativo: dirija bem e seja recompensado por isso”.

Para que o programa seja compreendido, a empresa mantém um trabalho de orientação sobre o funcionamento da pontuação. Genovesi reconheceu que o benefício pode permanecer pouco visível quando o cliente não entende como acompanhar seu desempenho ou resgatar as recompensas acumuladas.

O corretor traduz o modelo para o segurado

O consumidor precisa saber o que o aplicativo registra, de que maneira a pontuação é formada e como os dados podem interferir na relação com a seguradora, portanto a inclusão de tantas informações ligadas à telemetria, inteligência artificial e indicadores comportamentais aumenta a quantidade de informações que precisam ser apresentadas durante a venda. Nesse processo, Genovesi atribui ao corretor a tarefa de converter conceitos técnicos em orientações compreensíveis. “O corretor continua sendo essencial justamente porque consegue transformar os conceitos técnicos do seguro em uma orientação para o consumidor”. 

Ele explica que o profissional permanece como o principal cliente da Justos e participa da construção do produto ao levar à seguradora as necessidades percebidas no contato com os segurados. Essa interlocução ajuda a ajustar a oferta, a comunicação e os recursos disponibilizados pela companhia. A tecnologia, conforme explicou, reduz etapas e organiza informações, enquanto o corretor contextualiza o produto diante das características e dúvidas de cada pessoa. “O relacionamento e a capacidade de explicar o valor do seguro continuam sendo atributos muito importantes para o corretor passar ao cliente”.

Inteligência artificial eleva possibilidades e responsabilidades

A inteligência artificial permite processar grandes volumes de informação e encontrar relações que seriam difíceis de identificar manualmente. Na precificação, essa capacidade pode ajudar a construir modelos mais específicos, acompanhando diferentes combinações entre perfil, veículo, histórico e comportamento. Genovesi entende que o recurso oferece oportunidades e impõe novas responsabilidades. “É uma oportunidade para construir modelos mais precisos e personalizados, mas também exige governança, transparência e responsabilidade”.

Quanto maior a sofisticação das ferramentas, acrescentou, maior deve ser o controle sobre os critérios utilizados e os resultados produzidos e isso envolve verificar a qualidade dos dados, acompanhar possíveis distorções, explicar decisões e manter profissionais responsáveis pela supervisão dos sistemas.

Para o executivo, transparência, ética, segurança da informação e foco no cliente devem orientar esse uso. A coleta perde sua finalidade quando não contribui para melhorar a experiência, a compreensão do produto ou a adequação do preço ao risco observado. “A tecnologia tem que ser usada para gerar mais confiança, mais clareza e uma experiência melhor para quem contrata o seguro e para o corretor que vende”.

“A inovação não é só empregar a tecnologia, mas empregar a tecnologia para construir um mercado mais justo, mais transparente e mais eficiente”

Para Genovesi está claro que a presença de inteligência artificial nas operações não elimina a necessidade de atendimento e acompanhamento humano. Em situações de dúvida, conflito ou sinistro é preciso ter interlocução com profissionais capazes de considerar o contexto apresentado pelo segurado. “A tecnologia está aqui para apoiar as decisões, mas ela não vai eliminar a necessidade de supervisão humana”.

O executivo também rejeitou a ideia de que agentes automatizados substituam integralmente as equipes de atendimento. Para ele, o consumidor pode utilizar recursos digitais em etapas simples, mas procura uma relação humana quando enfrenta um problema ou precisa compreender uma decisão.

Ao encerrar a entrevista, Genovesi afirmou que a adoção de tecnologia precisa estar associada a uma finalidade específica. “A inovação não é só empregar a tecnologia, mas empregar a tecnologia para construir um mercado mais justo, mais transparente e mais eficiente”.

Para ele, a capacidade de compreender o risco de maneira individual depende de dados confiáveis, regras compreensíveis e limites definidos para sua utilização. “Quanto melhor conseguirmos compreender o risco de uma forma individualizada e responsável, maior será a capacidade de oferecer um seguro que gere valor para os clientes, para os corretores e para toda a sociedade”.

Postado em
24/7/2026
 na categoria
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