Economia em 2025: reflexos para o mercado de seguros frente às taxas de inflação

IPCA de 2025 surpreende o mercado e redesenha expectativas econômicas
Segundo uma publicação do G1, o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 contrariou grande parte das projeções feitas no início do ano. Ao fim de 2024, o cenário era de cautela devido à valorização do dólar, aos impactos climáticos e ao aquecimento da atividade econômica, o que levou os economistas a duvidarem da capacidade do Banco Central de conter a inflação, além das incertezas geradas pelas sinalizações do então recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre mudanças no comércio global. Na prática, apesar de o IPCA ter permanecido dentro da meta, os preços avançaram de forma desigual entre os setores. Para seguradoras e demais ramos macroeconômicos, compreender essas métricas é relevante para ajustar estratégias de precificação, avaliação de riscos e desenho de produtos.
Queda de alimentos e bens alivia custos e impacta o mercado de seguros
Conforme o levantamento, a desaceleração dos preços de alimentos e bens em 2025 foi um dos principais fatores para a inflação abaixo do esperado. O resultado está ligado à boa performance do agronegócio, com safras acima do previsto, menor impacto climático e aumento da oferta de proteínas, além da valorização do real, juros elevados e fatores externos que ajudaram a conter os preços. No segmento de bens duráveis, como eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos, a retração média dos valores refletiu o encarecimento do crédito e a redução da demanda, levando empresas a conceder descontos para reduzir estoques.
Alta dos serviços pressiona seguros assistenciais e de saúde
Os dados mostraram também os serviços que estiveram entre os principais vetores de alta do IPCA, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Itens com peso relevante no índice registraram aumentos, como energia elétrica residencial (12,19%), planos de saúde (5,91%), aluguel residencial (5,72%) e despesas ligadas ao consumo fora do lar, como refeição (5,60%) e lanche (10,24%). Serviços contínuos, como empregado doméstico (4,86%), condomínio (4,63%) e ensino fundamental (8,23%), também contribuíram para a pressão inflacionária. Para o setor segurador, esse movimento encarece a operação de produtos com forte componente assistencial, especialmente seguros de saúde e coberturas que envolvem redes de serviços médicos, jurídicos e de assistência técnica. A elevação desses custos exige modelos atuariais mais refinados e maior rigor na precificação, ao mesmo tempo em que a demanda por serviços rápidos e qualificados segue elevada. O desafio passa a ser equilibrar sustentabilidade financeira, reajustes responsáveis e manutenção do valor percebido pelo segurado.
Mercado de trabalho aquecido e novos riscos
Conforme o publicação do G1, um dos fatores determinantes do cenário econômico de 2025 foi a solidez do mercado de trabalho, marcada por baixo desemprego, estabilidade nas ocupações e ganho de renda em alguns setores. Segundo dados do IBGE, a taxa de desocupação encerrou o trimestre até novembro em 5,2%, o menor patamar desde 2012. Especialistas apontam que esse nível elevado de emprego ajuda a explicar a manutenção da demanda por serviços ao longo do ano, o que limita uma desaceleração mais rápida dos preços. Para o mercado de seguros, esse contexto amplia a exposição a riscos ligados a benefícios corporativos, saúde e acidentes de trabalho, ao mesmo tempo em que exige maior atenção à precificação e à gestão de sinistros em um ambiente de custos ainda pressionados. “Com a taxa de desemprego ainda em patamar historicamente baixo, a demanda por serviços continua firme, o que dificulta uma desaceleração mais rápida dos preços”, disse o coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz.
Crescimento consistente e eficiência marcam o setor de seguros em 2025
O crescimento estimado para o setor de seguros no Brasil em 2025 foi de 8,5% com projeção de alta de 8% em 2026, segundo a CNseg – desconsiderando a previdência complementar aberta. Mesmo em um cenário de inflação projetada em torno de 4%, o avanço representa expansão do mercado e a expectativa de arrecadação é de R$ 100 bilhões neste ano. Entre os destaques está o seguro habitacional, com previsão de crescimento superior a 10%, impulsionado pela forte retomada dos lançamentos imobiliários e pelo avanço do programa Minha Casa Minha Vida. Apesar das incertezas econômicas e climáticas, o setor mantém resultados sólidos, com crescimento real dos prêmios e rentabilidade entre 25% e 30%. Outro fator relevante é a melhora estrutural das seguradoras, refletida na redução das despesas administrativas em relação aos prêmios, que caíram de 15,5% para 12,5% nos últimos anos. Para Manuel Matos, primeiro vice-presidente da Fenacor e vice-presidente de Finanças da Câmara Brasileira da Economia Digital, o bom desempenho se deve à capacidade de adaptação do mercado segurador e à adoção de estratégias focadas em diversificação e inovação. “As seguradoras brasileiras priorizam estratégias de diversificação de portfólio e otimização de custos para sustentar rentabilidade em 2025 [...]” – apontou o executivo.
Marco Legal dos Seguros fortalece a regulação
Além dos fatores econômicos, é importante que a indústria seguradora se atente às novidades no âmbito jurídico. A vigência da da Lei nº 15.040/2024, o Marco Legal dos Seguros, delimitou atualizações regulatórias para os contratos de seguros privados no Brasil. A norma substitui um arcabouço jurídico fragmentado, antes sustentado pelo Código Civil de 2002 e por legislações dispersas, e modifica princípios, direitos e deveres de forma mais clara e adequada à realidade atual do mercado. Ao absorver discussões que vinham sendo tratadas na proposta de reforma do Código Civil, a nova visa a modernização das relações securitárias, reforçando a transparência, a boa-fé e o equilíbrio contratual entre seguradoras e segurados. O objetivo é ampliar a segurança jurídica, reduzir litígios e tornar os contratos mais previsíveis. Nesse novo cenário, o Superior Tribunal de Justiça é responsável por consolidar uma jurisprudência estável, fundamental para orientar a aplicação da lei e dar confiança aos agentes do mercado. Nesse sentido, as mudanças regulatórias impactam diretamente a precificação de riscos, o desenvolvimento de produtos e o planejamento estratégico das seguradoras, especialmente em um contexto econômico de inflação heterogênea.
Tecnologia acompanha a evolução do setor e é pauta na mudança legislativa
O mercado de seguros tem intensificado o uso de tecnologias como inteligência artificial, big data e automação para tornar a análise de riscos e a precificação mais precisas e dinâmicas. A integração de dados de mercado e do comportamento do consumidor permite às seguradoras reduzir perdas, otimizar margens e oferecer produtos mais personalizados. Esse avanço tecnológico também está refletido na nova Lei de Seguros, que atualiza o marco regulatório para acompanhar a digitalização de contratos, a sofisticação dos produtos e a crescente complexidade das operações. Com a substituição de um modelo jurídico mais antigo, o novo marco cria um ambiente mais claro e seguro para a inovação, conciliando adoção tecnológica, proteção ao consumidor e solidez do sistema, em sintonia com a dinâmica atual do setor segurador.
Ano eleitoral, estabilidade inflacionária e os desafios para o ramo segurador
O ano de 2026 tende a intensificar debates em função do calendário eleitoral, promovendo mais incertezas no ambiente econômico e político. Eventuais mudanças na condução da política econômica e fiscal podem provocar oscilações no mercado, exigindo das seguradoras maior resiliência, modelos de negócio flexíveis e capacidade de adaptação rápida ao cenário pós-eleitoral. Ao mesmo tempo, o controle da inflação em 2025 cria uma base mais estável para o crescimento do setor de seguros no Brasil, ainda que não elimine desafios estruturais já conhecidos. Nesse contexto, as seguradoras devem continuar firmes, desenvolvendo estratégias e fortalecendo o relacionamento com os clientes, para atravessar as incertezas macroeconômicas de forma mais estável. Por isso, é válido aproveitar os recursos tecnológicos e outras oportunidades que beneficiam o setor, a fim de oferecer soluções mais alinhadas às necessidades futuras do mercado.
Os seguros em meio às mudanças no ciclo econômico
O ano de 2025 mostrou que inflação sob controle não significa ausência de desafios, mas sim um ambiente mais complexo e seletivo para decisões estratégicas. A dinâmica desigual entre bens, serviços e mercado de trabalho redesenhou riscos, custos e oportunidades, o que demanda do setor de seguros uma atuação mais técnica e analítica. Os números de crescimento, a evolução regulatória e o avanço tecnológico indicam um mercado mais maduro e preparado para lidar com volatilidades – inclusive as que podem surgir no contexto eleitoral de 2026. Por isso, é importante que as seguradoras busquem priorizar os desafios econômicos em seus processos internos para continuar operando em prol da mitigação de riscos e da construção de confiança com os clientes. Portanto, é necessário que as companhias busquem integrar dados, apostar em inovação, governança e relacionamento – de modo que a realidade inflacionária impacte o mínimo possível no crescimento do setor, garantindo, então, alinhamento às novas demandas de uma economia em oscilação.


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