Jonatas Felix analisa como a padronização das regras sustenta decisões mais confiáveis no seguro

O CTO e co-founder da Abaccus, Jonatas Felix, conversou com a Insurtalks sobre os efeitos práticos da centralização de regras e cálculos no cotidiano das seguradoras. Ao longo da entrevista, ele explica por que motores de decisão ocupam uma posição importante na operação, ao garantir que preços, critérios de aceitação e políticas de negócio sejam aplicados de forma uniforme entre canais, produtos e etapas da jornada.
Felix aborda situações em que divergências entre portais, multicálculos e atendimento ao corretor têm origem na fragmentação das regras, comenta a experiência de grandes seguradoras que operam dezenas de motores simultaneamente e analisa como a automação ajuda áreas de subscrição a lidar com volume sem ampliar retrabalho ou distorções. O executivo também trata do impacto do tempo na aplicação de estudos atuariais, do papel dos motores como núcleo da arquitetura operacional e da relação futura entre inteligência artificial e decisões baseadas em regras bem definidas.
Insurtalks: No cotidiano de uma seguradora, em que situações o uso de motores de regras e cálculo passa a ser determinante para a subscrição e a definição de preços?
Jonatas Felix: O negócio de seguros lida diretamente com a segurança das pessoas e, por isso, a confiança é o seu principal pilar. Confiança no preço, no atendimento, no socorro e no ressarcimento. Para sustentar essa confiança, não pode haver falhas de comunicação, divergências de valores ou surpresas desagradáveis ao longo da jornada do cliente, desde a precificação até o momento do socorro ou ressarcimento.
Os motores de decisão e cálculo atuam justamente nesse ponto, padronizando regras e comportamentos, garantindo que um mesmo conjunto de informações gere sempre a mesma resposta, de forma consistente, auditável e previsível.
Insurtalks: A adoção simultânea de 17 motores de regras por uma grande seguradora é um movimento incomum. Que leitura esse tipo de decisão permite fazer sobre a complexidade atual das operações de seguros?
Jonatas Felix: A migração dos 17 motores da seguradora parte de um plano de atualização/migração de motores, ou seja, eles já tinham esses 17 motores rodando em um gerenciador de regras e cálculos antigos e estão migrando para a Abaccus buscando atualização tecnológica, segurança e usabilididade para que as áreas de negócio possam mexer em suas políticas.
Insurtalks: Diferenças de preço e aceitação entre corretor, multicálculo e canais digitais ainda são frequentes. De que forma a centralização das regras contribui para reduzir esse tipo de desalinhamento?
Jonatas Felix: Essas inconsistências surgem porque regras e cálculos estão distribuídos em múltiplos sistemas. As regras do canal digital ficam nos sistemas do digital, as do portal do corretor em plataformas próprias, e assim sucessivamente.
Esse cenário é consequência direta da existência de silos organizacionais dentro da seguradora. Para não bloquear a evolução dos projetos, os times acabam reconstruindo regras de forma independente em cada sistema. Embora essa abordagem permita ganhos de velocidade no curto prazo, ela gera descentralização, inconsistências e retrabalho no médio e longo prazo.
Na tentativa de acelerar o lançamento de produtos e evitar grandes disputas de priorização, resolve-se uma dor pontual enquanto se criam problemas estruturais ainda maiores.
Os motores de decisão atuam justamente na camada estratégica: a padronização das políticas de negócio. Eles devem assumir o papel de core para os times e sistemas, garantindo que as regras estejam centralizadas, documentadas, gerenciáveis, versionadas e plenamente auditáveis.
Insurtalks: Mudanças em critérios de aceitação ou tarifas costumam levar tempo para chegar ao mercado. O que se altera na dinâmica do negócio quando esses ajustes passam a ocorrer com mais rapidez?
Jonatas Felix: Mudanças nos critérios de aceitação ou nas tarifas normalmente são resultado de estudos atuariais que identificam oportunidades para vender mais, vender melhor ou reduzir riscos.
Quando essas alterações levam meses para chegar à produção, o valor do estudo se perde. O fator tempo é determinante nesse processo: o comportamento do mercado muda rapidamente e, se a estratégia não acompanha esse ritmo, oportunidades de venda deixam de ser capturadas e riscos que poderiam ser mitigados acabam sendo assumidos.
Insurtalks: Auto, viagem, residencial e saúde operam com lógicas bastante distintas. O que torna possível aplicar motores de regras a produtos tão diferentes dentro de uma mesma seguradora?
Jonatas Felix: Independentemente do produto, os processos no mercado segurador são essencialmente os mesmos e dependem integralmente de políticas bem definidas — isto é, regras de negócio e cálculos consistentes e confiáveis.
Seguro auto, viagem, residencial, saúde, celular, entre outros, percorrem o mesmo fluxo fundamental: Cotação → Aceitação → Emissão → (Sinistro) → Renovação. Cada uma dessas etapas é sustentada por um conjunto específico de regras e cálculos que garantem sua correta execução.
Diante disso, o motor de regras assume um papel core na arquitetura, sendo o elemento central para sustentar, padronizar e dar confiabilidade a todos esses processos.
Insurtalks: Em momentos de aumento de demanda, áreas de subscrição tendem a enfrentar gargalos. Como a automação de decisões ajuda a lidar com volume sem ampliar retrabalho ou inconsistências?
Jonatas Felix: Muitos processos poderiam estar dentro de um fluxo automatizado em que regras claras e auditáveis realizam a tomada de decisão. O problema é que essas tarefas estão nas mãos de pessoas e quando o volume chega, o número de pessoas continua o mesmo.
Insurtalks: Em projetos de centralização de regras, onde os efeitos costumam aparecer primeiro no dia a dia da seguradora?
Jonatas Felix: Os primeiros efeitos estão diretamente ligado ao SAC, pois preços, políticas, decisões distorcidas - por conta da descentralização das regras – reduzem drasticamente.
Insurtalks: Considerando a evolução dos produtos e dos dados disponíveis, qual deve ser o papel dos motores de regras e cálculo nas decisões estratégicas das seguradoras nos próximos anos?
Jonatas Felix: Acredito que a combinação entre IA e motores de decisão será um fator decisivo para as seguradoras no próximo ano. A IA agrega inteligência à comunicação e à orquestração do atendimento ao longo dos processos, enquanto os motores de decisão assumem o papel de autoridade no momento da tomada de decisão.
Sempre que for necessário avaliar regras, critérios ou cálculos, a IA aciona o motor de regras, garantindo consistência e previsibilidade. Em um segundo momento, durante os ciclos de estudo e geração de insights, a IA passa a operar sobre uma base de dados padronizada, estruturada e rica em informações, permitindo a execução de modelos estatísticos mais precisos e a proposição de melhorias nas políticas que, por sua vez, são refletidas diretamente nas regras de negócio.


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