CNP Assurances compra operações da Prudential no Brasil e no México por US$ 4 bilhões

A francesa CNP Assurances fechou acordo para assumir as operações de seguros da Prudential Financial no Brasil e no México. O valor acertado é de US$ 4,025 bilhões em dinheiro, ainda sujeito a ajustes no fechamento. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20).
Pela estrutura da transação, a Prudential do Brasil passa para a CNP Seguradora, enquanto a Prudential do México fica com a CNP Assurances Holding. A conclusão depende do aval de órgãos reguladores: a operação prevê aprovação do Cade e da Susep, e o fechamento é esperado para o segundo semestre de 2027.
O que a CNP leva
O ativo brasileiro é o centro do negócio. A Prudential do Brasil fechou 2025 com faturamento de 1,3 bilhão de euros, boa rentabilidade e uma base de 6,9 milhões de clientes. A CNP também incorpora a rede de 2.500 life planners da companhia, o canal de consultores próprios que marcou a trajetória da Prudential no país. Em prêmios, a seguradora emitiu R$ 7,5 bilhões em 2025, alta de 19% sobre o ano anterior, e ocupa a segunda posição em Vida Individual, com 26,7% de participação.
Já no México, a operação é menor: a Prudential gera receita anual de cerca de 100 milhões de euros no país, com distribuição via consultores de seguros. Para a CNP, trata-se da porta de entrada em um novo mercado.
Com a aquisição, a CNP passa a figurar entre as cinco maiores seguradoras da América Latina. No Brasil, a empresa atua há mais de três décadas e é a terceira do mercado graças à parceria de longa data com a Caixa Econômica Federal. Na avaliação da própria CNP, o negócio diversifica de forma relevante seus canais de distribuição — hoje muito concentrados no balcão bancário — e sua oferta de produtos.
Por que a Prudential está saindo
A venda faz parte de um movimento global da companhia americana. A operação reforça a retirada da Prudential dos mercados emergentes, após desinvestimentos na Indonésia, na África do Sul e no Quênia. Em agosto, o CEO Andy Sullivan já havia sinalizado o plano de reduzir à metade o número de países em que o grupo atua com previdência e seguros. Os recursos serão direcionados a oportunidades em previdência, gestão de ativos e proteção nos Estados Unidos, no Japão e em mercados europeus selecionados.
Chama atenção o fato de a Prudential vender uma operação saudável. A subsidiária brasileira registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão em 2025, e a decisão de venda não tem relação com dificuldades operacionais.
Uma disputa acirrada
O processo atraiu os principais grupos do setor. Na reta final, CNP, MetLife, Daiichi e Mapfre avançaram para a fase de propostas vinculantes, enquanto Icatu e Zurich deixaram a disputa por considerarem o preço elevado — as conversas giravam em torno de 15 vezes o lucro. O valor final superou as estimativas de mercado: no início de outubro, a expectativa era de cerca de US$ 3 bilhões pelo pacote, com o Brasil respondendo por quase 90% do total.
Na assessoria, o Morgan Stanley atuou pela Prudential e o Goldman Sachs pela CNP.
E para o cliente?
Até a conclusão da operação, nada muda para segurados e parceiros. Vale lembrar que contratos em vigor seguem válidos independentemente de quem controla a empresa, e qualquer troca de controle acionário de seguradora no Brasil precisa passar pela Susep.



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